Escolas estaduais de Caxias começam a receber vistorias na rede elétrica - Geral - Pioneiro
 

Educação08/05/2018 | 17h32Atualizada em 08/05/2018 | 17h37

Escolas estaduais de Caxias começam a receber vistorias na rede elétrica

Ação, na Serra, é decorrente de parceria entre governo do Estado e UCS

Escolas estaduais de Caxias começam a receber vistorias na rede elétrica Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Entre os pontos vistoriados estão as centrais de distribuição de energia. Esta com tampa de madeira e fios em cores diferentes do padrão será trocada no Colégio Henrique Emílio Meyer Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Uma parceria entre o governo do Estado e universidades gaúchas começou a tornar realidade uma demanda de décadas nas escolas estaduais: a reforma na rede elétrica. Na Serra, alunos da Universidade de Caxias do Sul (UCS) farão o levantamento das necessidades das escolas e elaborarão os projetos elétricos. Em Caxias do Sul, as vistorias começaram na segunda-feira.

Na área da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE), serão 30 estabelecimentos de ensino. O recurso para execução das obras – R$ 200 milhões do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), mais contrapartida do Estado – já está disponível. O prazo para o início das obras depende da elaboração dos projetos e tempo para licitação.

A primeira escola visitada foi a Irmão Guerini, no bairro Ana Rech. Nesta terça-feira, a reportagem acompanhou o grupo no Colégio Henrique Emílio Meyer, no Exposição. As escolas foram definidas a partir de demandas que elas mesmas haviam encaminhado à 4ª CRE ou à 4ª Coordenadoria Regional de Obras (4ª CRO) e por meio de uma pesquisa junto aos estabelecimentos. Além de Caxias, estão na lista instituições de Gramado, Canela, Garibaldi, Jaquirana, São Francisco de Paula, Farroupilha, Bento Gonçalves, Nova Pádua, Lagoa Vermelha, Vacaria e Campestre da Serra.

Leia mais:
Mais de 20 escolas da rede estadual da Serra receberam ou tem previsão de obras em 2018

Segundo o arquiteto Joel Vargas, da Coordenadoria Regional de Obras, a maioria dos prédios das escolas são muito antigos. Com o passar dos anos, as instituições foram agregando equipamentos e tecnologia – laboratórios de informática, aparelhos de ar condicionado, câmeras – que ultrapassaram a capacidade das redes elétricas projetadas quando da construção dos edifícios. Isso, somado aos problemas causados por infiltrações e adequações feitas de forma paliativa, acabam por tornar as redes uma fonte de risco para a comunidade escolar.

– Nossa maior demanda por parte das escolas são as reformas elétricas. Em quase 90% delas, as redes são obsoletas, não atendem mais as normas vigentes – explica Vargas.

A parceria também supre o déficit que o Estado tem de profissionais para fazerem os projetos. Na 4ª CRO, são dois engenheiros civis, dois arquitetos e um engenheiro eletricista para atender a 120 escolas. Por meio do convênio, 10 alunos da UCS que cursam entre o 8º e o 10º semestres de Engenharia Civil e Elétrica recebem bolsas de estágio para fazer as vistorias in loco e elaborar os projetos. A expectativa era concluir as visitas em seis meses, mas, diante da realidade das escolas, talvez, o prazo seja estendido.

Para a professora do curso de Engenharia Civil Marta Baltar Alves, essa é uma experiência única para os estudantes:

– Os alunos estão tendo a experiência de acompanhar todas as etapas de um projeto, desde o início até que ele saia do papel.

Bruna Bonella, 23 anos, está no 8º semestre de Engenharia Civil e tem muita expectativa quanto ao trabalho a ser desenvolvido.

– Vai ser bom porque a comunidade precisa dessa ajuda, no caso, as escolas. O governo não pode contratar profissionais, que gerar custos. E, nós, precisamos de estágios para adquirir experiência. Estou bem empolgada – disse a estudante.

CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 08/05/2018. Alunos do curso de Engenharia Civil da Universidade de Caxias do Sul (UCS) fizeram vistoria no Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer na manhã desta terça-feira. A ação faz parte de uma parceria feita entre o governo estadual e universidades gaúchas para elaboração de projetos elétricos para as escolas estaduais. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Estudantes usaram aparelho que mede a luminosidade das lâmpadasFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

COMO VAI FUNCIONAR A PARCERIA
:: Foi firmado um convênio entre o governo do Estado e universidades gaúchas. Na Serra, a parceira é a UCS.
:: 10 alunos das graduações de Engenharia Civil e Elétrica receberão bolsas de estágio para fazer as vistorias nas escolas e elaborar os projetos elétricos sob a supervisão de professores dos cursos e de um engenheiro eletricista responsável da Secretaria de Obras do Estado.
:: Na região da 4ª Coordenadoria Regional de Educação, serão 30 escolas. Nas visitas, os alunos verificam a situação das redes elétricas: fiação, centrais de distribuição, carga de energia utilizada conforme os equipamentos existentes, iluminação e as necessidades. Fazem levantamento fotográfico e anotações nos antigos projetos elétricos (quando existem) ou nas plantas dos prédios.
:: Os projetos serão elaborados na sede da UCS e encaminhados para finalização na 4ª Coordenadoria Regional de Obras, onde será feita a planilha orçamentária e os memoriais descritivos para serem licitadas as obras.

Ideia é resolver demandas históricas

CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 08/05/2018. Alunos do curso de Engenharia Civil da Universidade de Caxias do Sul (UCS) fizeram vistoria no Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer na manhã desta terça-feira. A ação faz parte de uma parceria feita entre o governo estadual e universidades gaúchas para elaboração de projetos elétricos para as escolas estaduais. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
O levantamento de equipamentos foi apontado na planta do prédioFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Na manhã de ontem, alunos e professora da UCS, além do engenheiro da Secretaria de Obras, vistoriaram o Colégio Estadual Henrique Emílio Meyer, no bairro Exposição. Segundo o assistente administrativo da escola, Jaime Dall Alba, que guiou a turma, o principal risco é a sobrecarga na rede elétrica gerada pela quantidade de equipamentos. No passado, o estabelecimento já teve problemas de queda de energia, mas, com o passar do tempo, foram feitas correções. Com isso, é possível ver, em alguns pontos, ligações externas nas paredes.

– É toda uma ramificação. Isso, sim, é um problema que estamos tendo a mais tempo e que vamos ter de enfrentar. Significa fazer toda uma rede nova, dimensionada. As gambiarras foram feitas em toda a escola. Não tem uma padronização, um sistema – reconhece Dall Alba.

Segundo o engenheiro eletricista da Secretaria de Obras do Estado, Luis Lemes, as escolas irão passar por várias mudanças.

– Em escolas grandes, como essa (Emílio Meyer), teremos que fazer uma subestação. Além de adequar instalações internas, que, muitas vezes têm fiação aparente, teremos que fazer uma entrada de energia nova com aumento de carga – explica o profissional. 

Outra escola que está na lista das reformas é a José Venzon Eberle, do bairro Bela Vista. A instituição sofre com a precariedade na rede elétrica há pelo menos cinco anos. A situação chegou ao ponto de a direção ter de cancelar as aulas e de os alunos terem de colocar as classes no pátio para estudar, em 2016. À época, já havia orientação técnica para troca total da rede. Porém, foram feitas apenas obras paliativas.

– Embora atuemos de forma emergencial, tecnicamente, a reforma elétrica tem de ser geral. O ideal é atender a escola de maneira integral conforme as normas técnicas para atuação segura de todos os setores da escola. O objetivo nosso é reforma geral, com troca de fiação, disjuntores, luminárias. É um novo sistema – explica o arquiteto da 4ª CRO, Joel Vargas.

A ideia, segundo Vargas é que as reformas também incluam outras obras necessárias ao bom funcionamento das novas redes elétricas, como por exemplo, reparos no forro ou telhado, para evitar infiltrações. Não fosse a parceria com a UCS, segundo o arquiteto, o Estado levaria muitos anos para conseguir atender as demandas existentes, sem contar as novas que surgirão nos próximos anos.

Leia também:
Criança morre em incêndio em Caxias do Sul
Prefeitura desiste de remover pombos das praças de Caxias do Sul 

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros