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Patrimônio18/05/2018 | 17h13Atualizada em 18/05/2018 | 18h02

Discussões sobre projeto Maesa estão paradas há mais de seis meses em Caxias

Comissão que debatia diretrizes de ocupação não se reúne desde mudança de titularidade da Secretaria da Cultura

Discussões sobre projeto Maesa estão paradas há mais de seis meses em Caxias Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Embora a ocupação plena do complexo da antiga Metalúrgica Abramo Eberle S.A. (Maesa) esteja prevista para ocorrer ao longo dos próximos 10 anos, a falta de avanço no projeto pode dificultar o cumprimento desse prazo. Em acordo que definiu a transferência do imóvel ao município, a prefeitura de Caxias do Sul se comprometeu a instalar equipamentos e serviços no espaço até 2028

Porém, embora pareça haver um longo tempo até a data, representantes de entidades que integram a comissão responsável pela destinação do local afirmam preocupação em razão da complexidade do processo e o fato de o tema não ter sido debatido nos últimos seis meses: os encontros do grupo não ocorrem desde novembro de 2017, quando a então secretária municipal da Cultura, Adriana Antunes, deixou a pasta e Joelmir da Silva Neto assumiu o cargo, passando a presidir a comissão.

—  Solicitamos por diversas ocasiões a retomada das reuniões, mas o secretário (Joelmir) alegou que algumas entidades ainda não indicaram representantes para o grupo. Não achamos que isso seja motivo, uma vez que há pressão da comunidade na continuidade do debate. Se uma entidade não tem interesse em indicar, os trabalhos devem ser prosseguidos por quem está engajado — comenta a presidente do Conselho Municipal de Cultura, Maria Cecília Pozza.

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Para o produtor cultural indicado para ocupar a vaga do Conselho da Cultura na comissão, Cláudio Troian, a interrupção dos trabalhos teria sido causada pela falta de organização da própria prefeitura.

— Eles estão atrapalhados. Quando se assume o trem em movimento tem que se apropriar do entendimento o mais rápido possível e tentar manter o ritmo. Não foi o que aconteceu, tudo travou e não houve mais nenhum movimento — ressalta o produtor cultural e indicação do Conselho da Cultura para a comissão, Cláudio Troian.

De acordo com o titular da Secretaria Municipal da Cultura, Joelmir da Silva Neto, as reuniões da comissão devem ser retomadas nas próximas semanas. Para isso, segundo ele, basta que o decreto que oficializa a nova composição da comissão seja publicado no Diário Oficial, o que está previsto para os próximos dias. Conforme o secretário, o atraso não deve comprometer os trabalhos.

— Demorou um pouco, porque algumas entidades levaram mais tempo para indicar seus integrantes. Mas, acredito que na próxima semana já definamos novo calendário para as reuniões  — comenta.

Após participar ativamente nas diretrizes de ocupação, resta agora à comissão a atribuição de propor qual será a forma de elaboração do Plano Diretor da ocupação: por meio de plano mestre de criação do próprio município ou a partir de concurso nacional de arquitetos. Depois de formulado o Plano Diretor, a comissão deve ser extinta, uma vez que, a partir desta etapa, já terá sido definida como se dará a ocupação e iniciados os processos técnico-burocráticos.

Domingo é dia de abraçar o prédio

Produtores e grupos culturais de Caxias do Sul promovem, no domingo, um abraço simbólico no complexo da Maesa, no bairro Exposição. O ato busca ressaltar a importância do prédio como patrimônio histórico e afirmar o envolvimento de movimentos culturais no processo de ocupação.

— A ideia surgiu numa conversa entre amigos e, aos poucos, cresceu com o interesse e a adesão de diversas manifestações e grupos culturais da cidade — comenta uma das organizadoras, Rachel Zílio.

Segundo ela, a intenção é não só mostrar o interesse da comunidade artística-cultural com o tema, mas também cobrar que as discussões sobre a ocupação sejam retomadas.

— O prédio foi declarado patrimônio histórico em janeiro de 2015 e desde então houve poucas iniciativas para a ocupação efetiva. Temos que lembrar que se trata de uma estrutura que se deteriora, então, seria interessante que o espaço fosse utilizado o mais rápido possível até para as pessoas começarem a conhecer e se apropriar desse bem — acrescenta.

A concentração será a partir das 15h, na Rua Plácido de Castro. A programação se inicia com apresentação de maracatu do grupo Baque dos Bugres. Haverá ainda apresentações de grupos artísticos. O abraço está agendado para ocorrer por volta das 17h. Interessados em participar são orientados a levar guarda-chuvas coloridos.

O QUE JÁ FOI FEITO

:: Do total dos 53 mil metros quadrados que compreendem o complexo da Maesa, apenas 200 metros quadrados — menos de 1% — foram ocupados: no final de outubro, a Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (DIPAHC) e a Guarda Municipal, com um posto de monitoramento 24 horas, passaram a utilizar duas salas de um dos prédios. 

PRÓXIMOS PASSOS - NESTE ANO

:: Definição sobre Plano Diretor da ocupação: Comissão deve indicar se plano mestre será elaborado pelo município ou haverá concurso nacional de arquitetos.

:: Conclusão de projeto e execução de transferência da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social para uma das alas do prédio. Secretário de Planejamento, Fernando Mondadori, informou que a expectativa se mantém.

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