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Opinião07/05/2018 | 09h42Atualizada em 07/05/2018 | 09h42

Artigo: bandeira na janela, por Roberto Nascimento

Autor é historiador e Coordenador Regional do PT

Artigo: bandeira na janela, por Roberto Nascimento reprodução/
Foto: reprodução

Vê-se algumas bandeiras do Brasil em janelas chiques da cidade. Historicamente, elas tremulam como sinal de apoio a movimentos políticos ou à Seleção de futebol. Como a Copa não começou e o governo de esquerda foi derrubado, elas estão ali sem função.

As cores da pátria serviram em muitos momentos da história brasileira porque foram direcionadas contra os governos no exercício de seu mandato. Abaixo, três casos recentes e seus resultados.

Em 1984 aconteceu a campanha das Diretas Já para presidente. Partidos, movimentos, lideranças e povo organizaram as manifestações que queriam acabar com a ditadura militar de imediato. As cores do movimento eram as cores da bandeira. O Congresso derrotou a proposta, mas a ditadura foi encerrada um ano depois. As cores do Brasil tiveram um propósito de defesa do país, pois as forças que organizaram o movimento tinham projetos nacionais.

Em 1992 deu-se as manifestações pelo impeachment de Collor. O governo dele, resultado de uma vitória sem base popular alavancada por forte campanha midiática, ruiu pela execução do programa neoliberal e acusações de corrupção ao próprio presidente. Seus suportes o abandonaram, e a campanha popular, simbolizada pelos caras pintadas de verde e amarelo, mobilizou as cidades. O governo de Fernando Henrique, que seguiu ao processo de impeachment e ao governo Itamar Franco, implantou um programa desnacionalizante, não completado graças à resistência dos que foram às ruas contra Collor. O apelo nacional da oposição a ele foi traído pelo neoliberalismo do PSDB.

Em 2015, as ruas se encheram de bandeiras do Brasil, camisetas da Seleção e faixas verde e amarelas protestando contra o governo da presidente Dilma, acusado de ser do partido que comandaria a corrupção histórica brasileira, pública e privada. Dilma estava no segundo mandato, com quatro vitórias eleitorais de um programa de fortalecimento da economia nacional, de suas empresas, de seu mercado interno e de melhoria das condições de vida do povo. Foram anos de Brasil para os brasileiros. Dilma foi derrubada, o PT e a esquerda perseguidos e o governo que aí está reata os compromissos com os interesses estrangeiros.

Utilizaram as cores da pátria para colocar no poder quem não a defende. Nem sempre os símbolos do Brasil são utilizados em benefício do país.

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