Após denúncia de pais e professores, comissão faz visita a quatro escolas infantis em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

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Educação infantil04/05/2018 | 08h30Atualizada em 04/05/2018 | 09h55

Após denúncia de pais e professores, comissão faz visita a quatro escolas infantis em Caxias do Sul

O roteiro começou com a Escola de Educação Infantil Dr. Renan Falcão de Azevedo, no bairro Reolon

Após denúncia de pais e professores, comissão faz visita a quatro escolas infantis em Caxias do Sul Lucas Amorelli / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agência RBS / Agência RBS

Condições precárias de trabalho, falta de alimentação e de materiais pedagógicos e de higiene, salas de aula improvisadas, esgoto correndo a céu aberto, tempo estipulado para comer e alimentos próprios para consumo jogados fora são algumas situações denunciadas por professores que atuam em escolinhas infantis conveniadas à prefeitura de Caxias do Sul. O Pioneiro conversou com profissionais que atuam ou atuaram em pelo menos 10 estabelecimentos. Com medo de represálias, nenhum profissional quis que o seu nome ou da escola onde trabalha fosse revelado. A reportagem também ouviu os pais de crianças.

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O diretor de Assuntos Profissionais do Sindicato dos Empregados em Entidades, Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional (Senalba) de Caxias do Sul, Claiton Augusto Vargas Melo, acompanhado pelo vereador Rafael Bueno (PDT), integrante da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, elaborou um roteiro para conferir de perto as situações denunciadas por professores e pais.

O roteiro começou com a Escola de Educação Infantil Dr. Renan Falcão de Azevedo, no bairro Reolon, porque desde março do ano passado há problemas de esgoto a céu aberto na instituição. A entrada não foi permitida pela coordenadora, que entrou em contato com a administradora, a Associação de Educação Integral Educaritá. A associação repassou a responsabilidade para a Secretaria de Educação (Smed), que barrou a vistoria e solicitou que a comitiva fosse até a secretária. Do lado de fora, porém, foi possível ver o esgoto que corre ao lado das salas de aula, e o buraco em frente a sala do maternal, que impede as crianças de saírem para o pátio. 

Na segunda visita, na Escola Frei Ambrósio, no Bom Pastor, foi possível perceber problemas estruturais, como esgoto do banheiro correndo em direção ao pátio, brinquedos e vidros quebrados, rachaduras nas paredes e problemas nos armários das cozinhas. Como não há bebedouros na escola, as crianças recebem água fervida em jarras nas salas de aula. A coordenação nega que falte alimentação para as crianças e ressalta que o material pedagógico que estão utilizando é o que sobrou do ano passado, quando as demandas eram supridas pela Smed. Ela garante que já fez a solicitação à entidade responsável, o Centro Filantrópico Simon Lundgren. 

A terceira parada foi na Escola Infantil Consolação, no bairro de mesmo nome. A instituição de ensino não aparenta ter problemas estruturais. Apenas uma tela na lateral precisa ser reforçada, porque é possível acessar o pátio pelos fundos da instituição. 

A visita se encerrou na Escola Tio Danilo, no Salgado Filho, onde a coordenadora foi demitida na última semana. O estabelecimento é administrado pela Associação Educacional Jardelino Ramos. A equipe não teve acesso ao interior do prédio, apenas à recepção. Em conversa com o sindicato, a coordenadora negou problemas de alimentação e de falta de material pedagógico.

Sindicato denuncia demissões e número excessivo de alunos

O diretor de Assuntos Profissionais do Sindicato dos Empregados em Entidades, Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional (Senalba) de Caxias, Claiton Augusto Vargas Melo, afirma que tem acompanhado a situação dos professores de escolinhas terceirizadas de perto. Segundo ele, além das precárias condições de trabalho relatadas por alguns profissionais, chama atenção o número de professoras demitidas ou que pediram desligamento da rede municipal:

– Mais de cem professoras perderam o emprego ou deixaram de fazer parte da rede conveniada. É importante frisar que, até o ano passado, fazia-se carreira na educação infantil. Pessoas que atuam há 10, 15 anos na rede e hoje, com todas as dificuldades, não querem mais continuar no município. Isso é uma lástima porque são profissionais muito qualificadas que deixam de trabalhar com um público que precisa muito de atendimento especializado – afirma Melo. 

Ele destaca ainda que outro fator preocupante é a carga horária que ocasiona excesso de alunos sob os cuidados de apenas uma professora.

– Quando as professoras vão embora pelas 15h40 ou 17h10, por exemplo, há escolas onde duas profissionais ficam responsáveis por 80 a 90 crianças, nesse período. E se acontecer algum acidente? Fica como?, questiona. 

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