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Pronto Atendimento 09/04/2018 | 20h35Atualizada em 09/04/2018 | 20h44

De novo, longa espera no Postão, em Caxias 

Pacientes reclamaram de demora no atendimento 

De novo, longa espera no Postão, em Caxias  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Pacientes reclamaram de longa espera no Postão em Caxias do Sul Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A longa espera no Pronto-Atendimento 24 Horas (o Postão) em Caxias do Sul gerou revolta entre os pacientes que buscaram atendimento no Postão na tarde desta segunda-feira. Em alguns casos, a demora para uma consulta chegou a mais de sete horas. Pelo menos quatro pacientes relataram ao Pioneiro que pararam de ser chamados às 11h00. A reportagem chegou ao Postão por volta das 14h30min, logo após a troca de turno dos médicos, que entraram no serviço às 14h. Neste momento, os pacientes voltaram a ser chamados para os consultórios. 

A auxiliar de limpeza Rosélia Maria de Loiola, 38 anos, disse ter chegado ao Postão logo depois das 7h. Ela buscou atendimento na unidade básica de saúde (UBS) do bairro Diamantino, mas foi orientada a ir ao plantão do Centro porque no postinho só atenderiam os pacientes que tinham consultas agendadas. Ela suspeitava que estava com conjuntivite:

— Estou com o olho desse jeito e até agora não consegui atendimento. Eles não te falam nada, e tu fica aqui, esperando e esperando e o atendimento não vem — desabafou Rosélia, que aguardava na espera por volta das 15h00. 

A auxiliar de cozinha Elenize Teresinha de Moraes, 31, levou o filho Guilherme, 10, para atendimento por volta das 12h00. O menino sentia falta de ar e estava com o nariz sangrando. Ele passou pela triagem, mas só foi chamado pelo pediatra às 15h20min. 

— Ele está com falta de ar, e nunca saiu tanto sangue assim do nariz dele. Assusta isso. Ele não teve febre e estamos aqui esperando atendimento, mas falaram que está demorado —  afirmou Elenize à reportagem, antes do menino ser chamado para a avaliação médica. 

A dona de casa de casa Avelina da Silva, 49 levou o filho Victor ao Postão na última quinta-feira, porque na UBS do Desvio Rizzo não tem pediatra. Ela passou cinco horas no local até o menino ser atendido. Ele fez exame de sangue, foi medicado e liberado sem um diagnóstico. Como a dor na barriga de Victor continua, Avelina voltou ao serviço médico na sexta-feira passada para consulta, mas o problema seguiu e ela estava em busca de atendimento mais uma vez:

— Ele tem muita dor e não sabem o que é, mas ele chora. Vim na quinta-feira, ficamos cinco horas e, depois do exame de sangue, mais duas horas. Na sexta-feira, mais duas horas, e pediram um raio X, mas não apareceu nada. Ele foi medicado e fomos para casa, mas ele continua com dor e estamos aqui mais uma vez esperando. Só que podiam solicitar todos os exames. Ele é uma criança e está sentindo dor  — reclamou Avelina.

Médicos desabafam

A equipe plantonista no Postão é formada por cinco médicos, sendo que três são responsáveis pelas consultas e outros dois atendem na observação e na emergência. Para dois dos profissionais que estavam ontem no plantão do SUS, os problemas aumentaram porque não há médicos nos postos dos bairros e a própria equipe do Postão é insuficiente. O clínico geral Anderson Hinose, 33, diz que demanda aumenta às segundas-feiras porque as UBSs não atendem aos finais de semana. 

— Os pacientes buscam atendimento porque sentem dor no final de semana e não têm onde ir buscar ajuda porque as unidades de saúde estão fechadas. Assim, nós ficamos sobrecarregados aqui também. São três profissionais para atender, às vezes, 300 pacientes por dia. 

A neurologista Paula Gasperin, 28, atua no Postão há um ano como clínica geral. Ela afirma que os pacientes chegam cada vez mais doentes porque faltam médicos nas UBSs, o que aumenta também o tempo de consulta:

— As consultas exigem mais. Levamos mais tempo para atender cada paciente em busca de resolver o problema. Está faltando diálogo porque nós estamos aqui no dia a dia e é a população que sofre. Não é hora de buscar culpados, e sim de sentar e conversar: gestor, médico e paciente —  apela Paula. 

O que diz a secretaria: 

A Secretaria da Saúde alega que a demora ocorre devido a uma obra na sala de observação de adultos do Postão. O setor passa por consertos em uma infiltração e, por isso, a capacidade ficará temporariamente reduzida.  Cinco dos 14 leitos foram  desativados durante a execução do serviço.  A previsão é de que, no máximo até sexta-feira, o conserto esteja concluído e os leitos liberados. A intenção é fazer a melhoria antes do início do inverno, quando a demanda costuma aumentar. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 09/04/2018 - Demora no atendimento no Pronto Atendimento 24 H: pacientes reclamam que estão há horas aguardando por consulta, e médicos confirmam que falta de profissionais agrava o problema.  (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Sala de observação do Pronto Atendimento está em reformas Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Durante a obra, o Postão 24h permanecerá aberto à população. Porém, a secretaria alerta que pode haver mais demora no serviço e orienta os pacientes que precisarem dos serviços de urgência procurem a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte nos próximos dias.

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