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Voluntariado04/03/2018 | 19h28

Em congresso em Caxias do Sul, escoteiros de todo o Estado participam de oficinas e capacitações

Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul (UCS) recebeu representantes de mais de 80 municípios

Em congresso em Caxias do Sul, escoteiros de todo o Estado participam de oficinas e capacitações Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O movimento escoteiro teve o maior crescimento dos últimos cinco anos em 2017 no Rio Grande do Sul. Atualmente, estima-se que há mais de 14 mil pessoas vinculadas ao movimento no Estado e a expectativa é de que até 2023 esse número alcance 25 mil. Embora a adesão tenha tido seu auge na década de 1990, o atual cenário não deixa dúvidas: o escotismo ganha cada vez mais seguidores. 

— Vivemos numa sociedade carente de caráter atualmente. Com isso, o escotismo acaba sendo um método educativo não formal que ensina princípios aos nossos jovens e é isso que está atraindo a simpatia da sociedade ao movimento — acredita a presidente da Região Escoteira do Rio Grande do Sul, Cristine Ritt.

A responsabilidade em influenciar na formação e no cultivo de valores é o que faz com que anualmente eventos de grande dimensão sejam realizados para reforçar a sua importância. No último final de semana, o Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul (UCS) foi a sede escolhida para receber cerca de 800 voluntários no maior evento de capacitação de Escoteiros do Brasil no Rio Grande do Sul. Crianças, jovens e adultos confraternizaram no espaço, onde foram promovidas diversas atividades como reuniões e oficinas, além da Assembleia Regional Escoteira e um painel de abertura com o tema "Repensar a Educação". 

De acordo com um dos painelistas, o consultor de gestão Luiz Mazetti, o assunto tornou-se pertinente neste ano justamente pelo aumento da representatividade do escotismo no caráter de método de formação de jovens.

— Precisamos fazer com que os voluntários consigam separar as tradições que o movimento carrega: entender o que é história, o que é bonito e respeitoso, mas precisa ficar no museu, e o que é de fato útil para o processo educacional hoje. Não podemos repetir o mesmo erro da educação formal que utiliza ainda hoje tudo que se utilizava no passado. Nós, como movimento escoteiro, podemos integrar e complementar ela (a educação formal) — comenta.

E o comprometimento do movimento com ações pedagógicas foi perceptível na própria programação do congresso, no qual foram promovidas diversas oficinas, desde Libras com crianças, até orientações sobre empreendedorismo e mercado de trabalho para jovens. Para encerramento do evento, mais de 400 escoteiros confraternizaram em um jantar festivo na Paróquia Santo Antônio, do bairro Forqueta. No domingo, a Assembleia Regional Escoteira foi restrita a chefes de grupos. Ao todo, estima-se que mais de 80 municípios do Estado enviaram representantes ao congresso.

O empoderamento financeiro de Júlia

Embora houvessem poucas estruturas de acampamento montadas na área do Campus 8 da UCS, entrar no prédio da instituição foi como ingressar em um pequeno universo no final de semana. Além do vestuário tradicional do escoteiro ser a vestimenta padrão, todo o prédio ganhou aspecto temático, incluindo espaços para vendas e exposições.

Entre uma pequena livraria, uma loja de roupas e estande para venda e trocas de itens colecionáveis e históricos, havia uma pequena banca que comercializava algo aparentemente não relacionado ao movimento: bolinhos.

Apesar de não haver um vínculo direto com o escotismo, a intenção da proprietária do espaço, Júlia Budaszewski da Costa Paim, 12, estava sim voltada ao movimento: com a venda de bolinhos, a estudante porto-alegrense busca arrecadar dinheiro para viajar para West Virginia, nos Estados Unidos, onde deve participar do 24º Jamboree, evento que reúne escoteiros do mundo todo e ocorre em 2019. O engajamento de Júlia iniciou, conforme a mãe dela, Daniela Budaszewski da Costa Paim, há cerca de dois anos:

— Em 2016, eu e o pai dela falamos que ela teria que escolher ou ir para o Jamboree, ou ter uma festa de 15 anos (ela faz 15 anos em 2020) porque não teríamos dinheiro para os dois. Ela falou que queria a festa, porque ia conseguir o dinheiro para o Jamboree. Daí pedimos "mas como?" e ela respondeu convicta: vendendo bolinhos — relata a fonoaudióloga de Porto Alegre.

Segundo Júlia, depois de começar a fazer e vender bolinhos para conhecidos próximos, o negócio expandiu, a ponto de pessoas fazerem encomendas na própria escola dela e na catequese. E em pouco mais de um ano, Júlia conseguiu a parte mais difícil:

— Eu precisava de R$ 7 mil para a pré-inscrição e a inscrição para o Jamboree. E eu consegui, já paguei. Agora só falta conseguir dinheiro da passagem e da alimentação no tempo que eu ficar por lá — ressalta.

A mãe acrescenta o orgulho pela filha e ressalta que a postura de empoderamento é reflexo direto dos valores repassados pelo movimento:

— Seria fácil a gente simplesmente dar o dinheiro para ela. Mas não é isso que buscamos através do escotismo: queremos sempre estimular eles a encontrarem as soluções por si mesmos e aprender a ser responsável — destaca.

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