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Espaço de lazer01/03/2018 | 08h00Atualizada em 01/03/2018 | 08h00

Ação de vândalos muda rotina da Praça do Trem, em Caxias do Sul

Frequentadores relatam medo ao circular pelo local em alguns horários

Ação de vândalos muda rotina da Praça do Trem, em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
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Garantir a conservação da Praça do Trem tem sido uma tarefa difícil para a prefeitura de Caxias do Sul. Nas últimas duas semanas, vândalos furtaram cabos de energia, deixando o espaço público às escuras. Foram quatro ataques desde o dia 19, sendo o último na noite de terça-feira. Para quem costuma utilizar a praça para lazer ou para praticar exercícios, já não é novidade deparar com pichações nas paredes e nos bancos, uma guarita de vigilância em pedaços e diversos pontos com a calçada quebrada.

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Construída num projeto de revitalização da antiga Estação Férrea, a Praça do Trem, localizada ao lado do Shopping San Pelegrino, na Avenida Rio Branco, era considerada, juntamente com a Praça das Feiras — erguida no outro lado da avenida —, um refúgio na movimenta área urbana da cidade. Agora, frequentadores dizem ter medo de circular pelo local no final da tarde e durante a noite. A situação gera indignação de moradores próximos, que também cobram a presença mais constante dos órgãos de segurança.

— Já não temos a liberdade de usar a praça no horário que quisermos. Estamos carentes de espaços assim, feitos para proporcionar mais qualidade de vida para as pessoas, e tudo por conta do vandalismo que tomou conta. Andar aqui durante a noite é pedir para ser assaltado. De dia, é preciso cuidar também, já que não se vê um policial ou guarda municipal passando — lamenta o aposentado Fernando Marcon, 59 anos, que na manhã de ontem caminhava com a mulher, Isabel Marcon, pela praça.

A aposentada Marilene Reis Castro, 63, que frequenta o espaço desde a inauguração, em julho de 2015, está entristecida com o atual cenário que encontra. Para ela, a situação impacta diretamente na rotina dos moradores e, inclusive, na questão financeira do município. 

— É triste. Domingo, cheguei aqui e levei um choque quando vi a destruição. Eles tiveram a coragem de quebrar a calçada para arrancar fios. Onde vamos parar? Para quem nunca vem, talvez sejam estragos pequenos. Mas, tudo isso gera um gasto. Aquele valor que poderia ser utilizado na saúde e na educação, agora vai ser usado para tapar buraco. E isso é um problema de todos — analisa.

Prejuízos se multiplicam

A ação dos vândalos também prejudica a população de outra forma: calcula-se que técnicos do setor de iluminação pública da Secretaria de Obras e Serviços Públicos terão de trabalhar no conserto dos estragos (desenterrar a fiação, substituir o material e aterrar novamente) por cerca de uma semana. Isso significa, por exemplo, que eles não poderão atender aos cerca de 30 pedidos diários de consertos da área solicitados ao Alô Caxias. 

A secretaria também contabiliza uma despesa de cerca de R$ 5 mil na compra de novos cabos para a praça.

A pasta aguarda a liberação de materiais para restabelecer a iluminação da praça. Como a fiação é subterrânea, os fios são mais grossos e a compra depende de um processo de dispensa de licitação. A ideia é concretar as caixas de inspeção para evitar novos furtos. O conserto é tratado como urgente e deve ser realizado nas próximas semanas. 

"Fizemos rondas, mas precisamos do apoio da comunidade"

O chefe da Guarda Municipal, Ivo Rauber, afirma que agentes fazem rondas diárias e em diversos horários para garantir a preservação da Praça do Trem. Porém, ele alega ser impossível deixar guardas 24 horas parados na praça devido à demanda exigida por toda a cidade. A Praça do Trem tem uma câmera de vigilância, que registra apenas a movimentação ao vivo, sem gravação.

— Todas as praças de Caxias fazem parte das rondas diárias da Guarda Municipal. Essa situação de furto de fios e pichações ocorre em vários pontos, não é exclusividade desse espaço. O que faz a diferença é o apoio da população, com denúncias sobre atitudes suspeitas. Dos últimos quatro ataques na Praça das Feiras, em três houve prisões graças às denúncias — revela.

Na noite de terça-feira foram justamente os relatos de moradores que ajudaram os guardas a interceptar a ação de duas pessoas: um homem e uma mulher foram presos após serem flagrados furtando fios. Com ela, foram encontradas uma chave de fenda, uma faca de cozinha, um pedaço de arame e um ventilador roubado da guarita da Guarda. Ainda durante a revista, outro guarda seguiu vistoriando a praça quando deparou com um homem agachado, mexendo em uma luminária. Ao perceber a aproximação do agente, o ladrão saiu correndo e fugiu. Após buscas, o suspeito foi localizado próximo ao bairro Euzébio Beltrão de Queiroz e capturado. Durante a fuga, o marginal jogou uma sacola no chão, onde foram encontradas chave de fenda, alicate, lâmpada de chão, fotocélula e aproximadamente três metros de fio. 

— Fomos acionados por moradores que flagraram o furto. É por isso que precisamos reforçar o pedido de apoio. Não temos o que fazer além das rondas e de averiguar as denúncias. Infelizmente, os atos são realizados por vândalos e usuários de drogas. Não temos como ter um controle constante em toda a cidade — lamenta Rauber.

Denuncie

A Guarda Municipal recebe denúncias da população sobre furtos e vandalismo nas praças pelo telefone 153.

CHECK-LIST

Bancos: além da pichação, a ação do tempo deteriorou alguns bancos, que são de madeira.

Paredes: por ser localizada entre prédios, as paredes que cercam a praça são particulares. Pedaços maiores, principalmente na lateral esquerda de quem entra pela Avenida Rio Branco, também foram pichadas.

Iluminação: o furto de fios deixou a praça sem luz. Porém, as luminárias não foram danificadas. Por serem de um formato diferente, as lâmpadas também não foram depredadas ou furtadas.

Parque infantil: brinquedos estão funcionando e em bom estado, mesmo com a exposição ao tempo.

Academia da Melhor Idade: os aparelhos de ginástica estão funcionando sem problema.

Calçadas: há vários pontos quebrados, principalmente, abaixo das luminárias, onde foram abertos buracos para o furto dos fios de luz.

Árvores: as áreas verde e de jardinagem não sofreram danos de vândalos. Apenas em pontos de cascalho é que também houve a abertura de buracos para a retirada de fios.

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