Para o prefeito de Caxias, CCs com ligações familiares justificam-se pelo currículo - Geral - Pioneiro
 

Mirante 08/02/2018 | 08h56Atualizada em 08/02/2018 | 13h45

Para o prefeito de Caxias, CCs com ligações familiares justificam-se pelo currículo

Ele ignorou afirmação anterior de que "não contrata amigos" e defendeu que ex-cunhada não pode carregar o ônus por ter tido na sua vida pessoal um vínculo temporário

Para o prefeito de Caxias, CCs com ligações familiares justificam-se pelo currículo Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

 O prefeito Daniel Guerra (PRB) respondeu alguns questionamentos, na entrevista coletiva desta quarta-feira, especificamente a alguns temas que colocam em xeque seu discurso eleitoral e de quando era vereador. Por exemplo: a contratação de cargos em comissão (CCs) com relação de proximidade com sua família e sobre a retirada de um vereador para assumir como secretário. Ele diz que nada mudou em relação ao que pregava, segue defendendo que as contratações são por currículo. Sobre CCs com algum relacionamento com membros de sua família – uma ex-cunhada que atua no seu gabinete –, Guerra disse:

– Ela não pode carregar o ônus por ter tido na sua vida pessoal um vínculo temporário (familiar).

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O prefeito explicou, explicou, porém, optou por ignorar que foi ele que declarou que não contrata amigos. Agora, ele diz que seu governo não tem preconceito com essas relações.

Confira o que ele disse:

Com a contratação de CCs que tenham algum relacionamento com sua família, o que mudou (no discurso)?

Daniel Guerra: Não mudou nada. O critério é profissional, é currículo. E eu desafio em nome da transparência que seja visto o currículo de cada um dos CCs, nós disponibilizamos em nosso site, no portal da transparência. Eles foram selecionados por suas características profissionais e capacidade de expectativa de trabalho para a implantação desse grande projeto, que foi eleito nas urnas. Questões religiosas, ideológicas, partidárias e outras questões sejam elas quais forem, de opção sexual, ou se porventura tiverem a infelicidade de ter – diga-se infelicidade entre aspas – algum vínculo de amizade não é critério para ter qualquer tipo de preconceito, nem para o aspecto negativo ou positivo. Se na avaliação dos currículos a pessoa que mais se enquadra para aquela atividade na seleção e escolhida pela equipe de pessoas que designei, vem alguém com vínculo distante de amizade com A, B, C ou D não pode ser critério de eliminação. O critério de eliminação é não ter competência ou não ter qualificação e não ter comprometimento. Se não cumprir as metas, não performar no índice que nós determinamos, eles são substituídos.

Um dos casos é sua ex-cunhada, mãe de um sobrinho seu. Isso não tem conotação de benefício pessoal? Mesmo que não haja a questão do nepotismo diretamente, não fere a ética?

De forma alguma. A questão da vida pessoal não compete ao prefeito, exceto se não gozarem de capacidade profissional ou currículo para justificar a sua seleção. Todas as pessoas em nossa seleção foram por capacidade profissional. Ela passou por um crivo de seleção como toda e qualquer pessoa e que ao fim e ao cabo foi escolhida para estar como diretora no gabinete do prefeito, onde além do currículo profissional que tem, é uma pessoa formada em administração com especialização, apta profissionalmente, com competências de sobra. E tem o zelo de entender a sua função dentro do gabinete do prefeito. Ela não pode carregar o ônus de por ter tido na sua vida pessoal um vínculo temporário (na família) e ser condenada a alguém rotulado a não poder ter nenhum acesso, mesmo tendo todas as competências, qualificações... Se não performar, como ninguém está pregado na cadeira, é demitido.

E sobre ter tirado um vereador da Câmara para assumir como secretário (Elisandro Fiuza, do PRB, para a Habitação)?

Eu me pauto pelo interesse público, pelo que é melhor para a cidade. Se para a cidade naquele momento foi melhor termos uma pessoa com o vínculo de comunidade, como o vereador Elisandro Fiuza, que tem vivência de comunidade, de bairro, de experiência com a questão habitacional, uma das bandeiras dele enquanto candidato, e se o interesse público demonstra que ele pode ajudar a administração, eu não me pauto com nenhum tipo de preconceito, desde que cem por cento dentro da legalidade e dentro da moralidade.

O senhor também vê com normalidade o fato da esposa de um vereador do seu grupo de apoio ter um cargo na Codeca?

Esposa de um vereador?

Sim, a esposa do vereador Renato Nunes (PR).

Como disse antes, as pessoas, se têm qualificação profissional e se os departamentos e as secretarias na seleção das pessoas que encaminham seus currículos tiverem lá 10 nomes para o secretário ou presidente escolher, se a equipe do secretário ou do presidente entender que deva ser A, B ou C, desde que tenha qualificação profissional e desde que tenha a expectativa de realizar o trabalho, não se pode rotular as pessoas por terem questões ideológicas, nem partidárias, nem sexuais, de nenhuma ordem. Nosso governo não tem e nem terá preconceito em marcar com um xis na testa se a pessoa é amiga do prefeito, se é amiga do diretor ou se é próxima ou familiar de A, B ou C. O critério de entrada tem que ser técnico. E também, se não performar, rua.

Não é jeitinho?

De forma alguma. Porque foi pelo currículo, preencheu os quesitos profissionais. 

 
 
 

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