Novos movimentos do Carnaval de Caxias buscam integrar todos os públicos em blocos de rua  - Geral - Pioneiro
 

Carnaval08/02/2018 | 12h08Atualizada em 08/02/2018 | 12h08

Novos movimentos do Carnaval de Caxias buscam integrar todos os públicos em blocos de rua 

Diferentes segmentos buscam ampliar alternativas de atrações para celebração na cidade

Novos movimentos do Carnaval de Caxias buscam integrar todos os públicos em blocos de rua  Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
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Cíntia Ferreira Aurélio, 33 anos, tem tradição no samba. Foi rainha do Carnaval de Caxias e madrinha da bateria da XV de Novembro, escola do bairro Euzébio Beltrão de Queiróz por 13 anos. Durante todo esse tempo, a folia de Momo foi sua vida. Eram meses de preparação para fazer bonito e ajudar a escola a ser campeã. Mas Cíntia acabou se afastando nos últimos anos. E sentiu um vazio.

— Quando parei de desfilar, fiquei depressiva. Procurei fazer esportes, academia. Mas notei que faltava algo, que é a dança _ conta.
O vazio, porém, será preenchido quando Cíntia integrar o cortejo do Maracaxias, no dia 18. Ela poderá mostrar que, além de samba no pé, tem os braços inquietos do maracatu. 

— As pessoas deveriam fazer uma pausa e se divertir, dar risada, dançar, porque Carnaval é festa e é uma festa linda — diz. 

Embora diferente dos festejos celebrados por agremiações, a migração de entusiastas das escolas de samba também é uma realidade. 

— Da mesma forma que pessoas que não são da periferia participam do Carnaval nascido das comunidades, o mesmo acontece com os blocos mais elitizados. Não há problema ou impedimento de tornar também a sua festa, e isso valida esse novo formato — comenta o ex-diretor do Carnaval de Caxias, Elvino Santos.

O músico Marcelo Polezi da Silva, integrante do grupo caxiense de Maracatu Baque dos Bugres, também encontrou na representação da cultura pernambucana a festa carnavalesca que nunca conseguiu se encaixar durante todos os anos em que viveu na cidade:

— Estou muito feliz com o que está acontecendo com a cidade. É um movimento novo, as novas gerações vão colher isso. Eu não tive oportunidade de vivenciar isso,  pois, na minha época, Carnaval se restringia a festas em clubes. Não tive oportunidade de estar do lado do tambor e sentir essa vibração.

O tambor que atrai, contagia e une

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 03/02/2018 - Grupos caxienses se preparam para o Carnaval. NA FOTO: ensaio do grupo Sucata Sonora. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

— A gente costuma usar uma expressão: "você fica baqueado a primeira vez que vê o Maracatu". Não tem como não ser seduzido. E essa curiosidade te faz entrar num universo complexo e ancestral _ explica o integrante do Maracatu Baque dos Bugres, Bruno Ortiz Chilanti.

Atualmente com cerca de 40 pessoas, o grupo retorna às ruas para a terceira edição do Maracaxias, com reforços de outros foliões para o encerramento da programação de Carnaval. O Baque dos Bugres, juntamente com o grupo porto-alegrense Maracatu Truvão e integrantes dos projetos Sucata Sonora e Danças de Lá pra Cá, sairão da Praça Dante Alighieri e seguirão pela Avenida Júlio de Castilhos até o Bar Zanuzi, na Rua Alfredo Chaves, que estará fechada para a celebração. No local, haverá ainda apresentações da Orquestra Frevo Ma Non Troppo e de Dan Ferretti e os Homens da Meia Noite.

Para não deixar cair a empolgação de foliões que já estarão exaustos pelas duas semanas de festa, os shows instrumentais pretendem empolgar a multidão com os tambores típicos do Maracatu.
A professora aposentada Ângela Martins é prova do quão contagiante podem ser o som de tambores. Deslumbrada com apresentação do Baque dos Bugres no Maracaxias do ano passado, ela não resistiu e se aproximou do movimento.

— Eles já tinham me chamado a atenção, mas por eu ter uma deficiência (problema neurológico que restringe a locomoção), achei que não pudesse participar. Só que fui surpreendida quando me convidaram para conhecer. Conheci, gostei da proposta e não saí mais — revela.
Participante do grupo há um ano, no qual contribui com a parte criativa e locução, Ângela não se imagina fora do grupo e já convidou amigas para participar:

— Já trouxe três amigas e estou convidando mais. Não tem como resistir. O tambor chama, é uma batida muito forte.
Aos 58 anos, ela se diz orgulhosa com a evolução de Caxias com relação aos festejos carnavalescos.

— Morei há 20 anos no Rio e lá participava do Carnaval. Aqui, nunca tinha me interessado porque acontecia só nos clubes, era restrito e de qualquer forma não me atraía. Hoje está na rua, é para o povão. É bem emocionante o que está acontecendo com Caxias — ressalta a professora.

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