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Caxias antiga12/02/2018 | 07h30Atualizada em 12/02/2018 | 10h14

Memória: vindima no antigo casarão da Rua Bento Gonçalves 

Dona Lourdes Curra colhe uvas do parreiral plantado pelo pai nos anos 1940 até hoje

Memória: vindima no antigo casarão da Rua Bento Gonçalves  Studio Geremia/acervo pessoal de Lourdes Curra,divulgação
O casarão e as colunas de sustentação do parreiral, no final dos anos 1940, com o pai Heitor Curra (à direita) e os filhos Heitor Curra Filho (à esquerda) e Lourdes (centro), mais a prima Lilia (sentada) Foto: Studio Geremia / acervo pessoal de Lourdes Curra,divulgação

A vindima não é exclusividade de vinícolas e propriedades do interior, onde a colheita da uva sempre rende belos ensaios fotográficos nos meses de janeiro e fevereiro. Parreirais no fundo dos terrenos ou junto a antigos casarões da área central de Caxias também proporcionam esse "espetáculo".

Que o diga dona Lourdes Curra, moradora da Rua Bento Gonçalves, entre a Dr. Montaury e a Marquês do Herval. Desde a metade da década de 1940, época da construção da casa, o parreiral plantado pelo pai – o advogado e ex-prefeito de Flores da Cunha Heitor Curra – segue firme e dando frutos.

Em meados de janeiro, a colheita da variedade Isabel começou. 

–  Este ano, as uvas se adiantaram, pois não deu muito inverno – conta a professora a escritora, que reside na construção dos fundos e passa sob o parreiral toda vez que entra ou sai.

Foi exatamente embaixo dele que dona Lourdes chamou a atenção para outro "detalhe" dessa época: o perfume.

– O cheiro vai até lá dentro, depois da uva colhida – diz. 

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Dona Lourdes Curra, escritora e professora aposentada que mora na Rua Bento Gonçalves e colhe as uvas do parreiral plantado pelo pai, Heitor Curra, nos anos 1940.
Dona Lourdes e as últimas uvas do farto parreiral, cartão de visitas do casarãoFoto: Rodrigo Lopes / divulgação

Cuidados permanentes

Espécie de cartão de visita, por onde passam todos que buscam a casa de dona Lourdes, o parreiral recebe cuidados permanentes. Ao senhor Agostinho Demori cabem a poda e os remédios. Já na hora da colheita propriamente dita,  a escritora conta com a ajuda do motorista Henrique Tregansin.  

Na última semana, dona Lourdes exibia a fartura da última safra em três recipientes cheios na geladeira. 

E fez questão que o colunista provasse. Sim, a uva não poderia ser mais doce e saborosa. 

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Dona Lourdes Curra, escritora e professora aposentada que mora na Rua Bento Gonçalves e colhe as uvas do parreiral plantado pelo pai, Heitor Curra, nos anos 1940.
Dona Lourdes e o estoque de uvas colhidas do parreiral caseiroFoto: Rodrigo Lopes / divulgação
Dona Lourdes Curra, escritora e professora aposentada que mora na Rua Bento Gonçalves e colhe as uvas do parreiral plantado pelo pai, Heitor Curra, nos anos 1940.
Variedade Isabel chegou ainda em janeiro, devido ao calor, conta Dona LoudesFoto: Rodrigo Lopes / divulgação

Curiosidade

O "parreiral urbano" também já reservou surpresas. Certa feita, a família foi contemplada com uvas Niágara de duas cores, no mesmo cacho e até no mesmo grão: metade branca, metade rosa (foto abaixo). 

Cacho de uva Niágara de duas cores, colhido do parreiral de dona Lourdes Curra por volta de 2008. Foi a única vez que a espécie foi colhida. Material para a coluna Memória
Cacho de duas cores surpreendeu dona Lourdes há cerca de 10 anosFoto: Rodrigo Lopes / divulgação

A moradia

O casarão da família Curra foi projetado pelo construtor Frederico Segalla por volta de 1945.  Na foto abaixo, Heitor e o neto Paulo Ricardo Curra sob o parreiral em meados dessa época.

O antigo casarão de Heitor Curra

Heitor Curra e o neto, Paulo Ricardo Curra, em meados dos anos 1940, no casarão da família na Rua bento Gonçalves.
Heitor Curra e o neto Paulo Ricardo em meados dos anos 1940Foto: Studio Geremia / acervo pessoal de Lourdes Curra,divulgação

O pai Heitor Curra

A trajetória do político e ex-prefeito de Flores da Cunha Heitor Curra foi detalhada por dona Lourdes Curra no livro "Heitor Curra – Um Cidadão Florense", escrito em parceria com Evandro Luiz de Oliveira e lançado em 2006. Filha de Heitor e Ignez Clementina Jaconi, dona Lourdes guarda farto acervo sobre a história da família, formada ainda pelos irmãos Heitor Curra Filho e Nestor Curra (ambos in memoriam).

Parte dessa documentação foi recentemente doada ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, o que facilita a pesquisa e a consulta do público e garante a sua perenidade.

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