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Caxias antiga07/02/2018 | 07h30Atualizada em 08/02/2018 | 09h19

Memória: ranchos no Lanifício Gianella em 1941

Distribuição de cestas básicas aos funcionários ocorria em dezembro, às vésperas das festas de Natal e final de ano

Memória: ranchos no Lanifício Gianella em 1941 Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/divulgação
Cestas cheias: funcionários recebiam os produtos no pátio, às vésperas das festas de Natal e final de ano. Ao centro, os irmãos Doviglio e Remo Gianella Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Não há morador do bairro Santa Catarina que não tenha alguma história relacionada ao antigo Lanifício Gianella – vivida ou contada por pais, avós, amigos e vizinhos. Não é pra menos. Desde o surgimento, em 1915, o império fundado pelo casal Matteo Gianella e Ermelinda Viero Gianella foi o impulsionador não apenas do setor têxtil da cidade. Sua diversificada produção (feltros, bacheiros, cobertores, casacos, etc) traduziu também a prosperidade da então 9ª Légua de Caxias, turbinada pelo aproveitamento das águas do Arroio Marquês do Herval (Tega).

Na imagem maior acima, um dos momentos mais aguardados do calendário da fábrica: a distribuição anual de ranchos. Foi às vésperas do Natal de 1941, no pátio do lanifício. Junto à mesa aparecem os irmãos Doviglio e Remo Gianella, que assumiram os negócios após a morte de Matteo, em 14 de novembro de 1942. 

Na gaveta, as fichas com os nomes dos operários, que iam sendo chamados, um a um, para receber a cesta. Abaixo, um detalhe da entrega, onde vê-se Doviglio (de chapéu e camisa branca, à esquerda), o jovem Leonildo Bosa (de casaco escuro, ao centro) e o funcionário Rômulo Cassina (de perfil, à esquerda).

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Distribuição de ranchos no pátio do Lanifício Gianella em dezembro de 1941.Na foto, Doviglio Gianella (à esquerda, de chapéu e camisa branca). Na gaveta da mesa, as fichas com os nomes dos operários, que iam sendo chamados, um por um, para receber a cesta. Também aparecem o jovem Leonildo Bosa (o jovem de casaco escuro, ao centro) e o funcionário Rômulo Cassina (de perfil, à esquerda).
Doviglio Gianella (à esquerda, de chapéu) junto aos operáriosFoto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Os produtos

Conforme dona Elite Gianella Tonolli, 89 anos, filha caçula de Mateo e Ermelinda, o rancho continha os produtos básicos.

– Azeite, arroz, feijão, massa, açúcar, sal, queijo, salame... – recordou Elite, atualmente morando em Porto Alegre com a irmã, dona Itália Gianella Baldisserotto, 92 anos.

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Doviglio Gianella e trabalhadores do Lanifício Gianella em meados dos anos 1940, no bairro Santa catarina. Prédio da foto é tombado pelo patrimônio Histórico do Município desde 2003.
Doviglio Gianella e o pai, Matteo Gianella (sentados ao centro), com os operários da tecelagem em 1941Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

A matriarca Ermelinda

A forte ligação comunitária da família Gianella traduziu-se em várias frentes: na construção da igreja, na fundação do Grêmio Esportivo Gianella, nas festas da padroeira, na geração de milhares de empregos e no auxílio aos moradores mais carentes do chamado “Arrabalde de Santa Catarina”.

Boa parte dessa identificação centrava-se na figura da matriarca Ermelinda Viero Gianella. Tanto que quando “nona Ermelinda” faleceu, em 2 de julho de 1969, boa parte da cidade passou pelo velório, realizado no casarão da família, junto ao lanifício. 

O neto José Carlos Tonolli, filho de Elite e Tarcísio Tonolli, tinha 14 anos na época e lembra bem do cenário.

– A casa lotou de gente, vinham amigos, funcionários, moradores do bairro, famílias, crianças, políticos, autoridades, empresários. Tiveram de reforçar a estrutura com estacas no porão, pois achavam que o chão ia ceder – recorda.

Ermelinda Viero Gianella, fundadora do Lanifício Gianella, junto à nora Mary Pezzi Gianella, em meados dos anos 1960.
A matriarca Ermelinda Viero Gianella e a nora Maria de Lourdes Pezzi Gianella, esposa do filho Remo Gianella, em 1965Foto: Acervo pessoal de Gabriel Gianella Mondadori / divulgação

Tradição preservada

Desde 2013, a tradição Gianella está atrelada à grife de camisas, bolsas e carteiras Gianella & Mondadori. A loja, situada no shopping San Pelegrino, tem no comando Gabriel Gianella Mondadori e Eleonora Gianella, bisnetos de Matteo e Ermelinda.

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