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Caxias antiga09/02/2018 | 07h30Atualizada em 09/02/2018 | 13h21

Memória: primórdios do Museu Municipal na década de 1950

Maioria dos animais empalhados do acervo integrava os laboratórios de História Natural das escolas

Memória: primórdios do Museu Municipal na década de 1950 Studio Geremia/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Sala concentrava tatus, bugios, répteis conservados em frascos e dezenas de aves Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Lebre, tamanduá, coruja, lontra, corvo, arara, jacaré, faisão, tartaruga, raposa, cobra d'água, marreco selvagem, ovo de avestruz, crânio de macaco. Parece lista de algum zoológico, mas trata-se da relação dos animais existentes no Museu Municipal de Caxias do Sul à época de sua inauguração, em 1947, até meados dos anos 1960. 

Empalhadas ou depositadas em frascos, as espécies estavam disponíveis à visitação pública no antigo prédio da Rua Dr. Montaury – no terreno onde desde 1983 situa-se a Casa da Cultura. Era lá que funcionavam também a Escola Superior de Belas Artes e a primeira sede da Biblioteca Pública Municipal Dr. Demétrio Niederauer.

Criado oficialmente pela administração pública em 3 de outubro de 1947, o Museu Municipal de Caxias do Sul surgiu como um depositário de todo e qualquer objeto antigo, de cachimbos, leques e machados de pedra a moedas, medalhas e cédulas fora de circulação. 

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Interiordo antigo Museu Municipal, nos anos 1940 e 1950. Prédio situava-se onde hoje funciona a Casa da Cultyra, na Rua Dr. Montaury. Local abrigava animais empalhados, o painel Alegoria Primeira ao Imigrante, de Tarquinio Zambelli, e os bustos de Pinheiro Machado e Júlio de Castilhos.
Os bustos de Pinheiro Machado e Júlio de Castilhos e o painel de Tarquinio Zambelli (ao centro)Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Raridades

Em meio a toda aquela mistureba inicial, porém, já figuravam peças raras que integram o acervo até hoje. Entre elas, os bustos de Pinheiro Machado e Júlio de Castilhos e a "Alegoria Primeira ao Imigrante", obra-prima entalhada em madeira pelo imigrante italiano Tarquinio Zambelli, fundador do lendário Atelier Zambelli.  O painel foi encomendado pela Intendência Municipal por volta de 1890 e, seis décadas depois, decorou o estande de artes plásticas e memória da Festa da Uva de 1950, que celebrava os 75 anos da imigração italiana na região. 

Mas a curiosidade recaía mesmo sobre a fauna empalhada. Boa parte dos bichos advinha de escolas – em especial do Colégio Nossa Senhora do Carmo –, que mantinham em seus currículos a disciplina de História Natural, daí a tamanha diversidade.

Posteriormente, os animais foram sendo subtraídos do acervo. Alguns foram doados ao CTG Rincão da Lealdade, outros, eliminados devido ao cheiro e às más condições.  

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De frente para a praça

A imagem abaixo, datada de 1948 e captada a partir do terraço do Eberle, mostra os arredores da então Praça Ruy Barbosa, com o prédio do Museu à esquerda, ao fundo, na Rua Dr. Montaury. Ele fazia vizinhança com o antigo Banco Nacional do Comércio, na esquina com a Júlio (atual Edifício Solaris). 

Na sequência, o sobrado em meados dos anos 1950, já fazendo vizinhança com o novíssimo prédio próprio do Banco do Brasil, na esquina da Dr. Montaury com a Sinimbu (ao fundo).

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Praça Dante Alighieri, também nominada Praça Ruy Barbosa, por volta de 1945. Na foto vê-se o antigo Cine Central e o prédio da antiga Escola de Belas Artes e do Museu Municipal, onde hoje encontra-se a Casa da Cultura, na Rua Dr. Montaury.
Caxias do Sul, 1948: museu ficava no antigo prédio localizado no terreno onde hoje situa-se a Casa da Cultura, na Rua Dr. Montaury (ao fundo, à esquerda)Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Fachada do antigo prédio da Escola Superior de Belas Artes de Caxias do Sul, na Rua Dr. Montaury, entre a Av, Júlio de Castilhos e a Rua Sinimbu, em meados dos anos 1950, No local também funcionavam o Museu Municipal e a Biblioteca Pública Municipal, inaugurados em 1947. À direita, parte do Banco Nacional do Comércio, e à esquerda, parte da primeira sede própria do Banco do Brasil, na esquina da Rua Dr. Montaury, com a Sinimbu.
Rua Dr. Montaury nos anos 1950: prédio abrigava, além do Museu Municipal, a Escola de Belas Artes e a Biblioteca Pública Municipal. À direita, o prédio do antigo Banco Nacional do Comércio e, à esquerda, a primeira sede própria do Banco do Brasil, na esquina com a SinimbuFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

Alguns itens de 1947

:: Mandíbula de peixe
:: Laringe de boi
:: Cheques alemães
:: Prato de areia
:: Panela feita pelos índios
:: Arco e flecha
:: Crânio de porco do mato
:: Estojo de geologia
:: Estojo de minérios
:: Ninho de joão-de-barro
:: Moringa
:: Bala de canhão
:: Crânio de anta 

Interiordo antigo Museu Municipal, nos anos 1940 e 1950. Prédio situava-se onde hoje funciona a Casa da Cultyra, na Rua Dr. Montaury. Local abrigava animais empalhados, o painel Alegoria Primeira ao Imigrante, de Tarquinio Zambelli, e os bustos de Pinheiro Machado e Júlio de Castilhos.
A "Alegoria Primeira ao Imigrante" (à direita), obra datada de 1890, foi esculpida por Tarquinio Zambelli. Baixa qualidade da imagem deve-se ao negativo original craqueladoFoto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
 Especial Museus: Museu Municipal de Caxias do Sul.  A Alegoria Primeira ao Imigrante, escultura de Zambelli encomendada em 1890 pela Intendência Municipal
A "Alegoria Primeira ao Imigrante", obra de Tarquinio Zambelli esculpida na década de 1890, integrava o acervo inicial do museu e é preservada até hojeFoto: Daniela Xu / Agencia RBS

Novo espaço em 1975

O museu funcionou precariamente de frente para a então Praça Ruy Barbosa até 1967. Conforme os documentos oficiais mantidos pela instituição, "teve suas atividades suspensas quando da demolição daquele espaço por motivos de reurbanização", o que ocorreu em meados dos anos 1970. A partir daí, o acervo existente foi entregue à guarda de vários organismos culturais e à própria administração pública, até a reinauguração, em 1975. 

Pegando carona na Festa da Uva que celebrava os 100 anos de imigração italiana, o novo Museu Municipal passou a ocupar a antiga sede da prefeitura, na Rua Visconde de Pelotas, quando esta foi transferida para a Rua Alfredo Chaves. A inauguração deu-se em 2 de março de 1975, seguida pela criação, em 5 de junho, da Pinacoteca Aldo Locatelli – embrião do atual Acervo Municipal de Artes Plásticas (Amarp).  

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