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Caxias antiga02/02/2018 | 07h30Atualizada em 04/02/2018 | 23h35

Memória: o interior pelas lentes de Valério Zattera

Fotógrafo eternizou o cotidiano do interior, em especial a localidade de Conceição da Linha Feijó, nos anos 1930 e 1940

Memória: o interior pelas lentes de Valério Zattera Valério Zattera/acervo pessoal de Leonardo Maltauro,divulgação
Moradores de Conceição da Linha Feijó reunidos junto à gruta de Nossa Senhora de Lourdes no dia da inauguração, em 11 de fevereiro de 1943 Foto: Valério Zattera / acervo pessoal de Leonardo Maltauro,divulgação

Um dos perfilados no livro "O Instante e o Tempo - A Fotografia em Caxias do Sul (1885-1960)", Valério Antonio Zattera tem sua história revista às vésperas do aniversário de 75 anos da gruta em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes – inaugurada em 11 de fevereiro de 1943, em Conceição da Linha Feijó.

A lembrança tem um motivo especial: Zattera foi o único fotógrafo a registrar a solenidade – além de colaborador e fabriqueiro da paróquia, ele atuou posteriormente como enólogo prático da antiga Estação Experimental de Viticultura e Enologia.

Conceição da Linha Feijó: a inauguração da gruta de Nossa Senhora de Lourdes em 1943

Nascido em 28 de novembro de 1911, em Charqueadas, zona rural de Caxias, o jovem agricultor deu os primeiros passos na fotografia ao ganhar uma máquina 6x9 tipo caixão – foi o prêmio pela distribuição de antigos almanaques de laboratórios farmacêuticos. 

Após receber algumas lições do mestre Giacomo Geremia (1880-1966), começou a clicar em meados dos anos 1930, sempre privilegiando o cenário rural. Festejos comunitários, cenas do cotidiano, a religiosidade e o trabalho na vila dominavam os registros, que se estenderam por cerca 15 anos, sempre atrelados a outras atividades.

O ofício foi sendo deixado de lado a partir de 1948, quando Valério e a família, formada pela esposa Augusta Nichele e pelos filhos Hugo e Ivone, transferiram-se para a área urbana de Caxias. Mesmo assim, ele nunca deixou de fotografar, seja por passatempo ou hobby.

Atuante por 35 anos na Indústria Caxiense de Molduras, Valério Antonio Zattera faleceu em 1996, aos 84 anos.

Leia mais:
Instantes e tempos eternizados: a trajetória dos fotógrafos de Caxias do Sul de 1885 a 1960
Livro O Instante e o Tempo: uma cidade, múltiplos olhares
A trajetória do fotógrafo Giovanni Batista Serafini
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Valério Zattea, ftógrafo que cobriu a inauguração da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em 11 de fevereiro de 1943.
O fotógrafo Valério Antonio Zattera em meados dos anos 1940Foto: Acervo de Vera Stedile Zattera / divulgação

Fotos no velório

A partir dos anos 1940, Valério Zattera se tornou o fotógrafo oficial da comunidade de Conceição da Linha Feijó e arredores. Era acionado para registros de festas, casamentos, primeiras comunhões, aniversários e até velórios. Em depoimento ao Banco de Memória Oral do Arquivo Histórico Municipal, em 1988, recordou:

"Às vezes, eu estava trabalhando na roça, lá na outra encosta do morro, e alguém chegava na minha casa. A mãe ou alguém gritava: Valério, volta, tu tens que ir pra Loreto, faleceu o fulano e querem a fotografia. Então eu largava a enxada, tomava banho, encilhava o animal e ía. Chegando lá, ajudava a tirar do caixão, encostava na parede, para evitar que caísse pra frente, e batia a fotografia. Meu Deus!"

Fotografia em funerais: a morte como ela era...
Funeral de Abramo Eberle em 1945
Funeral do bispo Dom José Barea em 1951

Em família

Valério Antonio Zattera foi o primogênito dos cinco filhos do casal Domenico Zattera e Melânia Lora.

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Usina hidrelétrica de Luiz Rossato, localizada em Conceição da Linha Feijó, em 1940. Local é o mesmo onde situa-se a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.
A usina hidrelétrica de Luiz Rossato (à esquerda), cujas ruínas existem até hoje, em um registro de 1940Foto: Valério Zattera / acervo pessoal de Leonardo Maltauro,divulgação

Parceria

Parte das informações desta coluna integra o perfil de Valério Antonio Zattera contido na publicação "O Instante e o Tempo - A Fotografia em Caxias do Sul (1885-1960)". O álbum foi lançado pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami em 2016. A pesquisa e os textos couberam às servidoras municipais Sônia Storchi Fries, Susana Storchi e Elenira Prux.

 Arquivo Histórico Municipal: um casarão para a história

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