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Solidariedade10/02/2018 | 08h00Atualizada em 10/02/2018 | 08h00

Banho solidário e outras iniciativas ajudam a humanizar o cotidiano nas ruas de Caxias do Sul

Também há geladeira aberta à comunidade e parada de ônibus mais confortável

Banho solidário e outras iniciativas ajudam a humanizar o cotidiano nas ruas de Caxias do Sul Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A rotina apressada de uma cidade como Caxias do Sul, com seus quase 500 mil habitantes, pode deixar mais difícil a tarefa de olhar para o próximo.

Mas ainda há iniciativas simples desenvolvidas por caxienses que são capazes de transformar realidades. Neste sábado à tarde, por exemplo, um empresário e lutador ofertará espaço adequado para um bom banho para pelo menos 20 moradores de rua. O projeto banho solidário é idealizado por Anderson Tomé, que investiu R$ 1,5 mil na compra de um banheiro adaptado que será inaugurado neste sábado.

_ Eu já empresto o banheiro da academia para algumas mulheres que moram na rua tomar banho, em determinados dias, mas queremos atingir o público masculino também_ explica Tomé.

A ideia é colocar o banheiro, que terá ducha e espaço para trocar de roupa, na calçada da academia de Tomé. O espaço fica na Rua Augusto Pestana, 26, no bairro São Pelegrino. A água e energia elétrica usadas no equipamento serão fornecidas pela empresa do lutador. A ideia está sendo difundida entre o público-alvo há dias, já que o lutador desenvolve outros tipos de trabalho com moradores de rua, como distribuição de marmitas. No sábado pela manhã, os voluntários reforçarão o convite pelo centro da cidade. Além de tomar banho, os beneficiados ganharão escova de dente, toalha e outros itens de higiene pessoal. Roupa limpa também será entregue ao fim do banho, bem como um lanche.

— Nós sabemos que tem o Pop Rua, o albergue, que são lugares para eles tomarem banho. Mas muitos não querem passar pelas regras desses lugares, só querem o banho. Queremos facilitar — adianta.

A iniciativa pode receber incremento, pois o próximo passo deve incluir corte de cabelo. Por ora, Tomé pede ajuda com doações de sabonete, shampoo, creme dental, escova de dente e toalha. Ao final do banho, com duração máxima de 10 minutos, o morador devolverá os itens, que serão lavados e guardados para que outras pessoas possam usar. Se a iniciativa é singela, para Tomé serve como estímulo de outras boas ações:

 — Eu recebi tanta ajuda até agora, tantas ligações, que mostram que vale a pena. Agora quero focar neste projeto, e depois, tenho muitas ideias para por em prática.

O banho solidário ficará disponível sempre aos sábados, das 13h às 16h. Para ajudar, basta entrar em contato com Tomé pelo telefone (54) 99660-4915.

Geladeira aberta ao público

 caxias do Sul, RS, Brasil (08/02/2018). Geladeira Solidária. Escola Maternal Comecinho de Vida desperta cidadania ao ensinar seus alunos abastecer a geladeira solidária.    (Roni Rigon/Pioneiro).
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A ideia era ensinar o conceito de empatia aos alunos da escola de Educação Infantil Comecinho da Vida, no bairro São Pelegrino. Mas a iniciativa tem tornado um pouquinho mais digno o dia a dia de moradores de rua e pessoas em vulnerabilidade social de Caxias. Desde o ano passado, uma geladeira está disponível ao público na Rua Pinheiro Machado, na frente da escolinha. Ainda que o eletrodoméstico esteja dentro do terreno da creche, a porta dele está voltada para a rua. Não há pré-requisito para abri-la e apanhar alimentos gratuitamente, mas vale o bom senso, afinal o objetivo é beneficiar pessoas que realmente precisam desse tipo de ajuda.

— Quando instalamos, nossos alunos passaram pela vizinhança, avisaram a todos sobre a geladeira e convidaram para que deixassem alimentos ali. Eles aprenderam o que é vulnerabilidade, entenderam porque existem pessoas que moram na rua, e despertamos o sentimento de humanidade, de se colocar no lugar do outro — explica a professora Vilma Sales de Oliveira.

A vizinhança, equipe e pais dos alunos da escolinha abastecem a geladeira. No entanto, qualquer um pode contribuir com doações. Vale colocar alimentos embalados e com a data de fabricação visível. Frutas, água r resto de refeições também são aceitos. Basta abrir a geladeira e depositar ali. Não vale colocar alimentos vencidos, bebidas alcoólicas, carnes cruas ou peixe, bem como embalagens abertas. A geladeira fica disponível das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira.

Esperar o ônibus pode ser melhor

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 09/02/2018. Vicente Arnhold, 53 anos, proprietário da Fruteira Barcelona, instalou cadeiras, toldo e outros confortos para quem espera o ônibus na Sinimbu. Ele também colocou ração e água para cães. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Não importa se Vicente Arnhold, 53 anos, não é mais usuário do transporte coletivo há tempos. O fato é que ao assistir o vai e vem apressado e, na maioria das vezes, desconfortável de seus clientes que andam de ônibus, decidiu agir. Convenceu a Secretaria de Trânsito, Transportes e Mobilidade de que incluir uma parada de ônibus na frente do seu empreendimento, a Fruteira Barcelona, na Rua Sinimbu, em Lourdes, seria uma boa ideia.

— Eu percebi que tinha bastante assalto na outra parada à noite para quem esperava ônibus até mais tarde. Nós somos 24 horas, ficamos abertos sempre, então era uma alternativa melhor a todos — afirma.

Após a prefeitura aceitar a proposta e incluir a fruteira como ponto de embarque e desembarque dos coletivos, em meados de 2015, Vicente quis conquistar de vez os passageiros. Além de comprar cadeiras plásticas e posicioná-las na frente da fruteira, instalou um toldo e garantiu mais conforto para a espera em uma das principais vias da cidade. O resultado, é claro, foi positivo. As pessoas agora preferem esperar o ônibus em área coberta e com mais conforto. Também há um vigia que trabalha na fruteira e acaba controlando espaço à noite, o que garante mais segurança para os usuários de ônibus. 

— Por que a pessoa precisa esperar o ônibus na chuva? Fiz um pequeno conforto, mas recebemos vários comentários bons das pessoas — afirma Arnhold. 

A comerciária Lourdes Webber, que trabalha na região central, confirma:

— Nos dá proteção, sabe? É diferente esperar o ônibus na sombra e sentada. É bem melhor.

Na frente da fruteira há também bebedouro para animais e um pote sempre cheio de ração. As singelas iniciativas impactam a vida da comunidade de uma forma que faz valer cada centavo investido pela fruteira.  Do outro lado da cidade, por exemplo, os passageiros do transporte coletivo que esperam pelo ônibus no bairro Colina Sorriso, por exemplo, também usufruem de mais conforto, já que cinco bancos de concreto foram instalados em paradas do bairro. Eles ficam nas ruas Jacob Luchesi, Professor Marcos Martini, Dr. Emílio Ataliba Finger (dois deles) e na região da UBS do bairro Santa Lúcia. 

— É um marketing legal, mas também deixa as pessoas mais felizes. E isso é que importa — encerra Arnhold.


 
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