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Opinião31/01/2018 | 08h52Atualizada em 31/01/2018 | 08h52

Frei Jaime: o que mais ajuda a cabeça pensar é o lugar onde os pés estão

A cabeça pode estar a mil, mas os pés não podem se distanciar do chão

Frei Jaime Bettega
Frei Jaime Bettega

jaime@ofmcaprs.org.br

A vida é um evento repleto de sentimentos e pensamentos. Diariamente é necessário processar, selecionar e até descartar o que atrapalha o entusiasmo e impede a realização. Tudo pode contribuir, mas também retardar a busca da felicidade. A cabeça pode estar a mil, mas os pés não podem se distanciar do chão. Pensar o ideal, sem esquecer a realidade onde cada um está inserido, faz um bem enorme. Não existe falta de sonhos. Pelo contrário, praticamente todos têm muitos sonhos.

A dificuldade é relacionar o sonho com a situação particular que cada um vivencia. Há os que são excessivamente realistas, mas existem também os que exageram na hora de sonhar. Não convém encarregar unicamente o econômico para dimensionar os sonhos. O papel da utopia é provocar idealismo. Porém, a distância da realidade concreta pode favorecer a frustração e inibir a capacidade de alcançar novos horizontes. Sonhar com os pés no chão não é uma limitação, mas uma pitada de consciência que dará contornos às buscas.

Outra preocupação é quanto ao conteúdo dos sonhos: a grande maioria não consegue sonhar uma vida simples, humilde, leve, pois os sonhos estão atrelados ao material. Ainda existem pessoas que querem ter mais do que o necessário, aceitando viver apegadas ao material, embaladas pela ganância. Quantas energias desgastadas, sem um retorno compensador. A finalidade dos pés é dar passos nos caminhos da vida. Os sonhos sempre se voltam para o infinito. Porém, de tempos em tempos, é necessário que os sonhos desçam até onde estão os pés, para projetar uma 'caminhada conjunta', prolongar alguns colóquios, confabular usando algumas parábolas. Que não faltem sonhos, mas que os pés continuem num mesmo compasso.

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