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Assistência social31/01/2018 | 10h00Atualizada em 31/01/2018 | 13h45

Casa de Passagem Carlos Miguel, em Caxias do Sul, terá redução de vagas

Nova gestão promete oferecer atividades de qualificação para acolhidos

Casa de Passagem Carlos Miguel, em Caxias do Sul, terá redução de vagas Felipe Nyland/Agencia RBS
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
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A experiência de quase nove anos adquirida pela Associação Mão Amiga em causas sociais é a esperança para a melhoria no serviço de acolhimento a pessoas em situação de rua em Caxias. A partir de amanhã, a entidade dos freis capuchinhos será a responsável pela administração da Casa de Passagem Carlos Miguel, no bairro Fátima. Por meio de convênio de parceria com a Fundação de Assistência Social (FAS), a entidade assume os trabalhos com acréscimo no número de servidores: serão 22 funcionários, oito a mais do que a equipe atual. Por outro lado, a casa reduz a oferta de vagas de acolhimento: com capacidade para até 50 pessoas, passarão a ser aceitas, no máximo, 40 usuários (35 homens e cinco mulheres).

A diminuição tem relação com um termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado entre a FAS e o Ministério Público. Ainda assim, de acordo com a presidente da FAS, Rosana Menegotto, o reforço na equipe de trabalho e a limitação do número de acolhidos deve resultar na qualificação dos atendimentos.

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— Dificilmente se tem 50 pessoas dentro da Carlos Miguel. É uma casa de passagem, diferente de abrigo, onde as pessoas ficam. Depende muito do dia e da situação, mas raramente atingimos a lotação máxima. Agora, com o número reduzido de usuários e com uma equipe maior deve haver melhorias nos serviços — comenta.

Apesar da restrição de vagas, ela ressalta que outros mecanismos estão sendo avaliados para aumentar a oferta para acolhimento de pessoas em situação de rua, sendo a principal delas, o aumento de vagas na Casa de Acolhida São Francisco de Assis:

— A (Casa) São Francisco deve apresentar hoje (quarta-feira) a proposta de aumento de 34 para 50 (vagas). Caso seja verificado que não é viável essa ampliação, vamos fazer um novo chamamento para mais uma casa de passagem. Pretendemos definir isso até o inverno — complementa Rosana.

A diminuição da oferta resultará também no decréscimo do valor que seria investido inicialmente. Embora estivesse previsto orçamento de cerca de R$ 1,4 milhão por ano, os custos atualmente estão estimados em R$ 1,2 milhão. 

Para efetivar a transição da gestão, haverá total remanejo dos funcionários que atuam na casa de passagem para outros locais mantidos pela FAS.

Público

A Casa de Passagem Carlos Miguel oferta abrigo temporário, alimentação e higienização à população em situação de rua e migrantes. 

Em busca de harmonia e qualificação

Recentemente o Pioneiro publicou uma matéria na qual servidores da Carlos Miguel reclamavam das condições de trabalho e da relação estabelecida com a atual diretoria da FAS. A autarquia, por sua vez, rebateu que as pessoas em situação de rua estariam insatisfeitos com o atendimento que recebem da Casa. 

Agora, com a mudança de gestão do serviço e a transferência dos servidores, a expectativa é de que o próprio ambiente possa ser melhorado.

— Os funcionários puderam escolher os lugares que gostariam de trabalhar. Sabemos do alto nível de estresse que a alta complexidade gera. Portanto, acredito que a partir de agora, que eles têm oportunidade de outro trabalho sem a exigência que se tinha lá, vão acabar se sentindo melhor — comenta Rosana Menegotto.

Com os remanejos, a ideia é também, segundo ela, reforçar a baixa e a média complexidade.

— Com esses servidores atuando em outros locais poderemos fortalecer a média e a baixa complexidade, que estão enfraquecidas hoje, pois dedicamos muita atenção à alta complexidade, que nos exige muito. A falta de atuação em cima disso (da alta complexidade) é o que aumenta o número de pessoas em situação de vulnerabilidade e risco — complementa.

Apesar das dificuldades atrelada ao atendimento na alta complexidade citadas por Rosana, as expectativas são otimistas para a nova coordenação da Carlos Miguel, .

— Nosso projeto é audacioso, pois pretendemos alcançar o que muitas vezes o poder público não consegue devido à falta de efetivo. Sabemos do desafio, mas estamos tranquilos em assumir — garante a nova coordenadora da casa, Maria de Lurdes Grison.

Ela explica ainda que o atendimento deve se assimilar ao que é atualmente desenvolvido na Casa São Francisco:

— Queremos dar continuidade (ao que é feito na São Francisco), ocupando os usuários que permanecem acolhidos durante o dia com oficinas como informática, jardinagem, música e até  atividades voltadas à espiritualidade — conclui.

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