Após sobreviver a grave acidente de trânsito, família de Nova Prata dá lição de otimismo e força de vontade - Geral - Pioneiro

Versão mobile

 

Sem desistir02/01/2018 | 20h52

Após sobreviver a grave acidente de trânsito, família de Nova Prata dá lição de otimismo e força de vontade

Ocorrência foi na RSC-453, em Farroupilha

Após sobreviver a grave acidente de trânsito, família de Nova Prata dá lição de otimismo e força de vontade Porthus Junior/Agencia RBS
Sobreviventes de acidente em 2017, a família Kaczalla de Nova Prata luta para restabelecer a saúde. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Não há nada mais triste na vida do que assistir ao padecer de um filho. Todas as manhãs, quando olha para o caçula Guilherme, seis anos, o caminhoneiro Marcos Kaczalla, morador de Nova Prata, revive esse drama. Em julho do ano passado, o Gol em que ele e outros quatro membros da família viajavam foi atingido frontalmente por um carro que vinha no sentido contrário e tentava fazer uma ultrapassagem. O motorista do outro veículo não tinha habilitação, e tentou fugir do local. Dos cinco ocupantes, entre eles o menino, três ficaram gravemente feridos. Os outros dois também não passaram ilesos. A ocorrência foi tão grave que não há expectativa de que Guilherme, antes um guri ativo e faceiro, volte a caminhar. 

Esta família de sobreviventes, que ainda trava luta diária para que todos possam reestabelecer a saúde, ilustra bem o cenário violento nas estradas da Serra no ano que passou. Entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, foram 156 mortes, um aumento de 15% em relação a 2016. A ERS-122, a BR-470 e a RSC-453 são os endereços com mais mortes.

—  Eu não tive culpa nenhuma, nós estávamos seguindo na estrada em velocidade baixa. Nunca me envolvi em acidentes nesse tempo de estrada. Agora, eu olho pra meu guri e sinto vontade de chorar, todos os dias —desabafa o caminhoneiro.

A família Kaczalla se deslocava de Nova Prata a Caxias do Sul no dia 24 de junho para comemorar o aniversário de Guilherme e da maninha Maria Elizabeth, oito anos, com uma sessão de cinema. Aquele sábado frio mudou de vez o destino da família. Desde então, os Kaczalla ensinam a comunidade de Nova Prata que não há esforço suficiente quando há vontade de viver. Guilherme ficou na UTI do Hospital São Carlos, em Farroupilha, por 15 dias. Sofreu danos na medula, o que paralisou o movimento dos membros inferiores. Mas o guri não se conformou em ficar preso na cadeira de rodas. Em pouco mais de seis meses de fisioterapia, já engatinha pela casa. Exibe-se ao levantar da cama e pede aplausos quando rasteja de um cômodo a outro. Aos seis anos, o menino não desaprendeu a sorrir, e tampouco reclama da nova vida que leva.

— Ele é um anjo, um guri de ouro. Como não ficamos um dia sequer sem fisioterapia, tenho certeza que 2018 será um ano de conquistas — emociona-se a mãe, Viviana.

A pequena Maria Elizabeth também ficou na UTI por 15 dias, e sobreviveu sem sequelas. Marcos ainda se recupera de problemas neurológicos, mas está feliz por ver a família unida. Viviana teve fraturas pelo corpo e também está livre de sequelas. Uma sobrinha do casal, Laura Gado, 17, era passageira, mas teve ferimentos leves e passa bem. Diante de tanto sofrimento já superado, 2018 será de esperança e otimismo para os Kaczalla, que até vaquinha virtual fizeram para ajudar a custear os tratamentos. A família de Nova Prata, vítima inocente dos perigos das estradas, deixa uma lição importante:

— Se não estivéssemos usando o cinto de segurança, estaríamos mortos. Aprendemos também que é importante perdoar, e agradecer a cada dia por estarmos vivos — ensina Viviana. 


 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros