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Adeus22/12/2017 | 18h20Atualizada em 22/12/2017 | 18h20

Escola com mais de 70 anos está entre as instituições desativadas no interior de Caxias 

Prefeitura optou por fechar unidades que tinham menos de 10 alunos na zona rural

Escola com mais de 70 anos está entre as instituições desativadas no interior de Caxias  Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

É preciso percorrer alguns quilômetros de estradas vicinais de Galópolis para localizar a Escola Municipal Felipe Camarão, na localidade de São João da 4ª Légua, interior de Caxias do Sul. Referência histórica na comunidade há mais de 70 anos, a instituição é uma das três escolas da zona rural do município que não abrirão mais as portas no próximo ano — uma quarta escola fechou no meio do ano. A decisão é da Secretaria Municipal da Educação (Smed). Na manhã de ontem, a equipe de manutenção da Smed iniciou a remoção do mobiliário. 

Conforme informações do Arquivo Municipal, a escola atendia em São João desde 1939. Embora o colégio tenha atendido em sedes diferentes ao longo do tempo, para parte das mais de 200 famílias que moram na comunidade, a desativação vai gerar transtornos e deixará saudades. Estela Gribeller Dornelles, por exemplo, lamenta que o fechamento ocorre justamente no momento em que o filho de quatro anos começaria a estudar.

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— A estrutura ali é muito boa, é cercado, tem um bom pátio e fica do lado de casa. É uma pena esse fechamento. O pior é que fui na outra escola próxima  e me falaram que não tem vagas. Não sei o que vou fazer no ano que vem — comenta.

O sogro dela, Valdemar Erlo, reafirma a importância da escolinha, onde há cerca de 20 anos os próprios filhos estudaram. Ele também critica a decisão de encerrar as atividades:

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (22/12/2017). Escola Infantil Felipe  Camarão, localizada na 4ª Légua.   Prefeitura extingue atividade na escola infantil Felipe Camarão. Servidores retiram os móveis e material pedagógico.  NA FOTO, ESTELA GRIBELLER DORNELLES ERLO, MÃE DO MENINO  TALES DORNELLES ERLO, e NORA DE VALDEMAR ERLO, RELATA A PERDA DA ESCOLA.    (Roni Rigon/Pioneiro)
Estela, com o filho Tales, e o sogro Valdemar lamentam o fechamento da escolaFoto: Roni Rigon / Agencia RBS

— A gente paga os impostos para a prefeitura resolver e não dificultar. Sempre foi uma escola muito boa e existe desde que moro aqui, há 63 anos. O meu neto não pode ficar sem escola e não temos como levar para o centro de Galópolis ou para Caxias todos os dias — reclama.

A instituição próxima a qual Estela se refere é a Professora Arlinda Lauer Manfro, a poucos quilômetros de distância. Porém, conforme reforça outro morador da comunidade, Leonir Pedro Cavinski, a escola de fato apresentaria uma demanda muito maior.

— Não dá para entender, lá está superlotado e aqui (na Felipe Camarão) é muito melhor e mais seguro. Não faz sentido fecharem uma, enquanto a outra está sem vagas. Deveriam distribuir melhor as crianças — afirma o pedreiro, lamentando que o fechamento também deve dificultar o futuro escolar da filha, hoje com quatro meses.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (22/12/2017). Escola Infantil Felipe  Camarão, localizada na 4ª Légua.   Prefeitura extingue atividade na escola infantil Felipe Camarão. Servidores retiram os móveis e material pedagógico.    NA FOTO,  o morador LEONIR PEDRO COVINSKI COMENTA A PERDA DA ESCOLA.    (Roni Rigon/Pioneiro)
Leonir também lamenta o fechamento da instituição.Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

— Minha filha é muito pequena ainda, mas eu já contava com a escolinha aqui tão perto de casa — complementa.

Secretária garante remanejo de alunos 

Além da Felipe Camarão, as escolas Antônio Zanini, em Monte Bérico, e Clóvis Beviláqua, no distrito de Fazenda Souza, serão oficialmente desativadas nos próximos dias. O principal motivo é o baixo número de alunos atendidos pela instituição, de acordo com a secretária da Educação, Marina Matiello. Somadas, as três atendiam apenas 19 crianças. 

— Os alunos acabam tendo prejuízo pedagógico por não interagirem com outras crianças. O critério foi a melhoria pedagógica. Entendemos que muitas famílias tem apego afetivo, mas nosso objetivo é proporcionar um ambiente mais qualificado às crianças —  justifica Marina.

A titular da pasta também afirma que todos os pais já foram informados e que os alunos têm vagas garantidas e estão sendo remanejadas para outras escolas. As famílias terão o transporte escolar do município, pois as unidades estão localizadas em zonas rurais afastadas.

— Faz mais de dois meses que todos já foram alertados sobre a mudança. Inclusive, a maioria dos pais aprovou o fechamento, alguns até acham que isso deveria ter ocorrido em anos anteriores e que não justificaria uma escola com tão poucos alunos — ressalta a secretária.

Além delas, durante o ano houve também o fechamento da Escola Osvaldo Aranha, na localidade de Santa Justina da 9ª Légua. O prédio foi desativado devido a problemas estruturais. Para 2018, a secretária informa que haverá um estudo no final do ano letivo para avaliar a possibilidade de desativação de outras escolas que estejam atendendo número inferior a nove alunos.

Pais de crianças que iniciariam a Educação Infantil dessas comunidades são orientados a procurar a Central de Matrículas, onde também devem ingressar com requerimento para pedido de transporte escolar. 

USO INDEFINIDO
Todos os imóveis desocupados pertencem ao município. Porém, para poder reutilizá-los, a Smed precisa aguardar cinco anos após a desativação da escola para que seja comprovado a falta de demanda nas regiões onde estão localizadas. Posteriormente, será definido o uso dos locais.

NÚMEROS
Quantidade de alunos atendidos em cada escola desativada

Clóvis Beviláqua (Fazenda Souza) — 9
Felipe Camarão (São João da 4ª Légua) — 6
Antônio Zanini (Monte Bérico) — 4

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