Em greve, professores da Educação Infantil de Caxias permanecem com vigília na prefeitura - Geral - Pioneiro

Protesto30/11/2017 | 17h07Atualizada em 30/11/2017 | 20h09

Em greve, professores da Educação Infantil de Caxias permanecem com vigília na prefeitura

Executivo tentou suspender a paralisação na Justiça, mas teve pedido negado na quarta-feira

Em greve, professores da Educação Infantil de Caxias permanecem com vigília na prefeitura Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
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Com cadeiras de praia, chimarrão, apitos, cartazes e camisetas pretas, cerca de 450 professoras da Educação Infantil de Caxias do Sul estão acampadas desde segunda-feira em frente à prefeitura. Separadas em grupos, as profissionais protestam contra o anúncio de redução salarial para o próximo ano. Em alguns momentos, na tarde desta quinta-feira, elas pediam a saída do prefeito Daniel Guerra (PRB), além de cantarem músicas infantis como, por exemplo, a famosa "Atirei o pau no gato".

A categoria, que está em greve por tempo indeterminado, deve fazer uma caminhada pela área central, durante a sexta-feira, para panfletar. O grupo pede apoio da comunidade para lutarem contra a readequação salarial prevista na nova modalidade de gestão compartilhada que será adotada pelo Executivo em 2018. 

— Nós estamos cumprindo a nossa carga horária de trabalho acampadas aqui na prefeitura. Ficamos das 8h às 16h para mostrar que não vamos desistir. Estamos aqui lutando por nós e por uma educação de qualidade para as crianças também. Se reduzirem nosso salário, como vamos nos qualificar, como vamos dar o melhor de nós para os pequenos? — questiona a professora Luana Dutra.

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As educadoras também alegam que, antes de paralisarem as atividades, a prefeitura já não mandava o básico de material para o atendimento dos alunos.

— Já estava faltando tudo, não tínhamos nem papel para a higiene das crianças. A gente ama o nosso trabalho e estamos tendo o apoio dos pais para reivindicarmos os nossos direitos. Só queremos que tudo se resolva da melhor forma para que possamos voltar ao trabalho o quanto antes — afirma professora Gisiane Castilhos Palhano.

A manifestação das professoras não prejudica a entrada e saída do público na prefeitura. Na segunda-feira, elas devem se reunir no local a partir das 13h e sem horário para sair. A ideia é acompanhar a reunião com o prefeito, marcada para às 18h no Salão Nobre do Centro Administrativo: oito educadoras foram escolhidas para representar a categoria juntamente com o  Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional de Caxias do Sul (Senalba). 

No encontro, o Executivo apresentará o projeto de gestão compartilhada das escolinhas, além de detalhar itens como carga horária, vencimentos, modelo de gestão, benefícios e como será feita a transição dos modelos. 

Prefeitura tenta suspender greve na Justiça, mas tem pedido negado

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) decidiu nesta quarta-feira (29) negar o pedido da prefeitura de Caxias do Sul que visava tornar ilegal a greve das educadoras.

Conforme o despacho do desembargador João Pedro Silvestrin, o município argumentava que a paralisação comandada pelo Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional de Caxias de Sul (Senalba) é abusiva, pois o acordo coletivo está sendo cumprido e a data-base da categoria é 1º de janeiro de 2018.

O pedido do município foi protocolado na segunda-feira (27) e reforçado em caráter de urgência nesta quarta. A prefeitura entende que a paralisação não pode ser total e que o atendimento às crianças deve seguir com pelo menos 70% das professoras atuando, sob multa de R$ 10 mil diários em caso de descumprimento. 

O desembargador, porém, não concedeu a liminar para interromper a greve porque a prefeitura não comprovou o convênio que possui com as escolinhas. Silvestrin diz que o pedido será analisado pela Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do TRT e que, com base nas informações iniciais, não há “fundamento legal para determinar que os trabalhadores cessem de imediato o movimento paredista e voltem ao trabalho”. 

O Senalba tem 72 horas para justificar a paralisação ao TRT, se assim o decidir.  

 

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