Banco de Alimentos de Caxias do Sul precisa de doações para atender 110 entidades carentes - Geral - Pioneiro

Ajuda para quem ajuda17/11/2017 | 10h00Atualizada em 17/11/2017 | 10h00

Banco de Alimentos de Caxias do Sul precisa de doações para atender 110 entidades carentes

Sem apoio, pode faltar comida para milhares de pessoas que vivem em vulnerabilidade social

Banco de Alimentos de Caxias do Sul precisa de doações para atender 110 entidades carentes Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Com as prateleiras praticamente vazias e uma longa fila de entidades assistenciais que clamam por ajuda, o Banco de Alimentos de Caxias do Sul enfrenta um dos períodos mais críticos do ano: sem a renovação da verba do governo federal e com a queda nas doações, pode faltar comida para milhares de pessoas que vivem em vulnerabilidade social. Para se ter uma ideia, já no próxima semana não haverá hortifrutigranjeiros para serem distribuídos às 110 instituições cadastradas no serviço.

— Nós precisamos de ajuda, muita ajuda. Em hipótese alguma queremos interromper a distribuição dos alimentos e deixar desassistidas pessoas que não têm outro lugar para recorrer. Nos 12 anos que o serviço existe em Caxias, nunca deixamos de atender nenhuma entidade. Mas o nosso trabalho precisa do apoio da comunidade para seguir ajudando — pede a diretora de Proteção Social e Segurança Alimentar, Maria de Lurdes Grison.

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Das entidades auxiliadas pelo Banco, mais da metade viu o número de beneficiados dobrar em função da crise econômica que ainda reflete no município. A situação, inclusive, fez com que novas organizações não governamentais (ONGs) precisassem dos alimentos doados pelo serviço para conseguir atender a demanda de pessoas carentes, o que elevou o número de atendimento neste ano. Entre os mais impactados com a baixa nos estoques estão crianças, adolescente e idosos.

— Por mês, a gente entrega cerca de 70 mil quilos de alimento, mas como algumas entidades aumentaram o número de beneficiados, o que temos para doar acaba sendo insuficiente. Nesta semana, fizemos a última entrega de frutas e verduras. Não temos mais verba para comprar esse tipo de comida e também não recebemos doações suficientes — explica Luana Mugnaga, assistente social do Banco de Alimentos.

A falta de recursos que a assistente se refere é o repasse proveniente do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que favorece a compra de alimentos diretamente de produtores familiares. Sem este recurso, o Banco não tem dinheiro para comprar as frutas e legumes para as entidades carentes. Este tipo de comida também não costuma ser doado de forma espontânea pela comunidade. 

— O valor que utilizamos durante todo este ano era ainda de 2016. Não houve renovação do repasse agora em 2017 e não temos previsão de quando teremos a verba novamente. Enquanto isso, a gente conta com a ajuda de empresas que produzem hortifrutigranjeiros e que tenham condições de doar. Sabemos que muitas acabam descartando alimentos e, então, pedimos que nos repassem para fazermos a triagem e conseguir ajudar as entidades conveniadas — ressalta Luana.

A reportagem tentou contato com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário para entender porque a verba não foi repassada ao Banco de Alimentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Meta é garantir estoque

A proximidade do período de férias, em que as pessoas tendem a passar mais tempo fora da cidade, gera preocupação na equipe do Banco de Alimentos de Caxias. A ideia, conforme a diretora de Proteção Social, Maria de Lurdes Grison, é conseguir montar um bom estoque para garantir as doações entre os meses de janeiro e fevereiro. 

— Ainda temos comida não perecível para o próximo mês, em função do que foi arrecadado no último Sábado Solidário. O que realmente nos preocupa são os meses de férias, quando muitos dos nossos doadores espontâneos acabam viajando ou ficando sem condições de nos ajudar — diz.

O aumento no preço de alguns alimentos essenciais como, por exemplo, o feijão, também tem impactado no nível do estoque. Este tipo de alimento é a base das refeições distribuídas diariamente pelas entidades.

— Temos recebido bastante arroz e massa, já o feijão caiu bastante em função do preço. Num geral, a gente precisa de todos os tipos de comida, mas estas que são utilizadas todos os dias, acabam sendo as mais necessárias — ressalta a diretora.

COMO AJUDAR 

:: A instituição recebe frutas, verduras, legumes, frios, lacticínios, arroz, feijão, açúcar, cereais, enlatados, conservas, pães, massas, carnes, suco e água mineral. O Banco de Alimentos, porém, não aceita refeições prontas, embalagens danificadas ou produtos com prazo de validade vencido.
:: Quem quiser ajudar, pode ir até a sede da instituição, na Rua Jacob Luchesi, 3.181 -junto ao Ceasa Serra, no bairro Santa Lúcia. Horário: de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 17h. No segundo sábado de cada mês, a entidade arrecada alimentos em 40 mercados parceiros. Informações: telefone 3211.5943.
:: Outra forma de contribuir é na campanha Natal do Bem da RBS (ver abaixo).

OS NÚMEROS

:: Atendimento a 110 instituições sociais e programas governamentais. As entidades beneficiadas são selecionados por meio de um cadastro, que devem apresentar uma série de documentos que comprovem a atuação social.
:: Oferta de 8 mil refeições por dia.
:: Distribuição de 75 mil quilos de alimentos por mês.

Frutas e legumes no fim

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 16/11/2017. Entidades que recebem mantimentos do banco de alimentos precisam de doações. Na foto, idosos do Lar da Velhice São Francisco de Assis. (Porthus Junior/Agência RBS)
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A hora do lanche da tarde no Lar da Velhice São Francisco de Assis, em Caxias, oferece café, leite, pão, cuca e algumas outras misturas para os idosos. No jantar, eles recebem pratos balanceados, que têm como base arroz, feijão e legumes. Os alimentos são fruto de doações e também da compra feita diretamente em supermercados. Porém, a entidade viu nos últimos meses o valor gasto com comida aumentar, o que alertou a direção.

— Ainda não estamos sofrendo impacto com o baixo estoque do Banco de Alimentos porque temos uma verba destinada para a compra de comida. De fato, nos últimos meses a nota de mercado aumentou e a tendência é que suba mais ainda. O pessoal já nos avisou que, na próxima semana, não vamos receber frutas e legumes — conta o administrador do Lar, João Batista Horstmann.

O asilo, que também recebe doações espontâneas da comunidade, se vê preocupado com o período de férias.

— Nesta época sempre precisamos de mais ajuda e doações. Infelizmente, não conseguimos sobreviver sem o apoio da população. Temos um compromisso com a saúde dos nossos idosos e para garantir isso precisamos oferecer uma alimentação saudável — ressalta o administrador.

A entidade também precisa da doação de produtos de higiene e limpeza, além de dinheiro. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (54) 3225-1677.

Participe do Natal do Bem

O Grupo RBS está arrecadando donativos para o Banco de Alimentos de Caxias do Sul na campanha Natal do Bem. Doações de alimentos não perecíveis são aceitas no Pioneiro (Rua Jacob Luchesi, 2.374, bairro Santa Catarina), na sede da RBS TV Caxias e Gaúcha Serra (Rua Bento Gonçalves, 1.563, Centro) e em outros dois pontos: na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC), na Rua Ítalo Vítor Bersani, 1.134, no Jardim America, e na Escola de Idiomas Skill, na Rua Moreira César, 2.655,no Pio X.

Os donativos devem ser entregues de segunda a sexta-feira, em horário comercial. A sugestão é que os participantes enviem um cartão junto com a doação, contando de que forma esperam que aquele alimento impacte na vida de quem o receberá. Durante a apresentação do Jornal do Almoço e nas páginas do Pioneiro impresso e digital, ao longo da campanha, serão divulgadas as mensagens.

 

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