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Transportes03/10/2017 | 19h01Atualizada em 03/10/2017 | 19h01

Atendimento em rodoviária de Serafina Corrêa é suspenso 

Decisão do proprietário ocorre depois de vereadores rejeitarem repasse de verba

Atendimento em rodoviária de Serafina Corrêa é suspenso  Marcelo Iesbik / Divulgação/Divulgação
O dinheiro serviria para bancar o aluguel da rodoviária Foto: Marcelo Iesbik / Divulgação / Divulgação

Após operar com prejuízo durante o último ano - e ver rejeitado pelos vereadores o projeto de lei que destinaria ajuda financeira para a rodoviária de Serafina Corrêa, o administrador decidiu fechar as portas ontem. Sem rodoviária operante, os centenas de passageiros que precisam da estrutura para embarcar encontraram portões fechados e esperaram os ônibus na rua. O operador do serviço ainda não comunicou a decisão ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), responsável pela autorização, o que pode resultar em multa.

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O atual administrador da rodoviária, Marcelo Iesbik, diz que o projeto de lei 86/2017, que destinaria R$ 2,2 mil dos cofres públicos por mês para a manutenção do serviço, seria fundamental para que ele tivesse continuidade. Este dinheiro iria diretamente para o pagamento do aluguel do prédio. Com atendimento mensal de 3,6 mil passageiros, a rodoviária operaria em prejuízo estimado de R$ 3,5 mil, segundo o administrador. No entanto, após passar por dois pedidos de vistas, o projeto foi barrado pelos vereadores na sessão da última segunda-feira. Por isso, Iesbik decidiu não atender aos passageiros que precisavam comprar passagens ou obter informações nesta terça.

— Nós queríamos subsídio como acontece em outras cidades. Tenho a rodoviária há dois anos e meio, e o último ano foi só de prejuízo. Nós estamos prestando um serviço social, trabalhando no sábado e domingo, e por isso precisamos de ajuda. Hoje nosso sustento é com o lucro da lancheria — explica o empresário.

O locador diz que não há expectativa para que volte a atender os passageiros. No entanto, a diretoria de Infraestrutura Rodoviária do Daer diz que não houve formalização nenhuma do concessionário para o fechamento da rodoviária. Há um prazo de 60 dias de antecedência para essa comunicação ser apresentada. Segundo o departamento, a penalidade é aplicação de multa até que ele formalize a desistência. Em caso de não pagamento, a implicação é a impossibilidade de participar de novos processos licitatórios no âmbito do estado, além da inscrição em dívida ativa.

Caso aprovado, o projeto de lei seria inconstitucional, segundo a presidente da Câmara de Vereadores Olderes Maria Piazza Santin, do PP. Uma lei datada de 2014, que regulamenta o incentivo ao desenvolvimento do município, permite que empresas com 2 a 5 funcionários têm direito a ajuda de um VRM mensal, ou seja, de R$ 361,66.

— Nós não podemos aprovar um projeto que não atende a lei. O proprietário fechar a rodoviária por isso é uma irresponsabilidade com o povo— pontua a vereadora.

Atualmente, o administrador de uma rodoviária ganha 11% de cada passagem vendida e 15% sobre despacho de encomendas. Presidente do sindicato gaúcho de Agências e Estações Rodoviárias do Estado (SAERRGS), Nelson Noll diz que rodoviárias de quarta categoria, como Serafina Côrrea, são as mais impactadas com problemas financeiros. Ele lembra que há outras cidades que contam com aporte municipal para a manutenção, mas que isso não é tão comum. As que não encontram alternativas, acabam fechando. 

— Uma alternativa que vem se tornando comum é vender as passagens no bar. Às vezes, se tem mais lucro vendendo uma coca-cola do que a passagem — explica Noll.

Só na Serra Gaúcha, fecharam as portas nos últimos dois anos as rodoviárias de Nova Petrópolis, Flores da Cunha e Guaporé. No final de 2015, a de Bom Jesus também não renovou a concessão.

 
 
 

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