Morte de caminhoneiro em Flores da Cunha retoma atenção a trecho que registra grande número de fatalidades na Serra  - Geral - Pioneiro

Alerta21/09/2017 | 10h07Atualizada em 21/09/2017 | 10h07

Morte de caminhoneiro em Flores da Cunha retoma atenção a trecho que registra grande número de fatalidades na Serra 

Desde 2010, 25 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em trecho de 11 quilômetros da ERS-122 

Morte de caminhoneiro em Flores da Cunha retoma atenção a trecho que registra grande número de fatalidades na Serra  Roni Rigon/Agencia RBS
Curvas sinuosas, descidas íngremes e paredões de pedra formam características geográficas de trecho. Autoridades, no entanto, alegam que sinalizações deixam claros riscos a motoristas. Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
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O acidente que matou um caminhoneiro no Km 108 da ERS-122, próximo da ponte sobre o Rio das Antas, na última quarta, é uma triste cena que se repete com frequência não apenas naquele ponto da rodovia, mas também ao longo de um trecho de 11 quilômetros da estrada, formado por descidas íngremes, paredões, penhascos e curvas sinuosas entre Flores da Cunha e Antônio Prado. 

Marco Antônio Lacerda, 55 anos, morreu após perder o controle do caminhão e bater contra uma muralha em Flores da Cunha. O veículo, carregado de asfalto líquido, tombou e todo o material esparramou-se pela pista, escorrendo em seguida para o Rio das Antas e o Rio São Marcos. 

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Natural de Candelária, mas com endereço atual em Canoas, Lacerda vinha de Rio Grande e pretendia descarregar a mercadoria em Corrêa Pinto (SC), segundo um colega, que também transportava o mesmo material em outro veículo e seguia logo atrás. As causas do acidentes não estão esclarecidas.

Números do Comando Rodoviário da Brigada Militar e levantamento do Pioneiro mostram que 25 pessoas morreram, incluindo Lacerda, e outras 232 ficaram feridas em acidentes na parte mais complicada da estrada, num trecho que vai do Km 104, em Flores, passa pela ponte sobre o Rio das Antas e chega ao km 115, já em Antônio Prado. Os dados consideram os casos registrados de 1º de janeiro de 2010 até a tarde de quarta. O km 108, onde o caminhoneiro de Canoas morreu, por exemplo, foi cenário de acidentes que mataram outras sete pessoas desde 2010.

Rota de acidentes

As curvas da ERS-122,  especialmente no sentido Flores da Cunha-Antônio Prado, são frequentemente citadas como motivo para as dezenas de acidentes que ocorrem todos os anos naquela região. Investigações da polícia já identificaram veículos pesados e carregados que perderam o freio nos declives e acabaram tombando porque os condutores não conseguiram vencer o trecho sinuoso, por exemplo.  Mas não é apenas isso. Por trás de tantas colisões, quedas e tombamentos, há relatos de alta velocidade, de ultrapassagens forçadas e de desatenção à sinalização. 

Há ainda uma outra constatação. Assim como Lacerda, parte das vítimas dos acidentes fatais estava ao volante de um caminhão. De 2014 para cá, já são cinco caminhoneiros mortos em acidentes semelhantes. Desses, quatro não eram moradores da região e podem ter ignorado os riscos ao longo do caminho.

Se há indicativos das causas dos acidentes, que geralmente recaem sobre os motoristas, uma pergunta também precisa ser respondida: haveria maneira de impedir novas mortes com obras ou sinalização mais ostensiva?  

A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) considera o trecho bem sinalizado e supõe que muitos motoristas simplesmente não acreditam nos alertas das placas e aceleram. O presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), Nelson Lídio Nunes, concorda com a observação. Segundo ele, as características geográficas do trecho dificultam intervenções estruturais, porém, as sinalizações alertam claramente aos motoristas quanto os riscos que a região apresenta:

— A irresponsabilidade provoca a maioria das mortes no trânsito. Só considero acidente quando envolve falhas mecânicas, o resto é imprudência. Se todos cumprissem o que as placas indicam (naquele trecho), tenho certeza que esse índice de fatalidades seria bem menor — afirma.

Ainda assim, ele informa que a EGR deve avaliar nos próximos dias se há necessidade de incrementar a sinalização do trecho.

 

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