Moradores do bairro Cristo Redentor, em Caxias, convivem com alagamentos há mais de cinco anos - Geral - Pioneiro

Sistema de esgoto05/09/2017 | 08h47Atualizada em 05/09/2017 | 08h47

Moradores do bairro Cristo Redentor, em Caxias, convivem com alagamentos há mais de cinco anos

Secretaria alega estudar soluções, mas considera medidas caras demais

Moradores do bairro Cristo Redentor, em Caxias, convivem com alagamentos há mais de cinco anos Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A cada previsão de chuva para Caxias do Sul, moradores das ruas Raimundo Corrêa e Padre Antônio Vieira, no bairro Cristo Redentor, preparam-se para uma situação que tem se tornado recorrente nos últimos cinco anos: ter a casa invadida pela água. 

Parte do problema resulta da posição geográfica desfavorável das moradias _ todas sobre uma área plana — ,o que faz com que a água não tenha para onde escoar. Outro fator que prejudica a vazão é a conjuntura do sistema de esgoto no trecho, uma vez que ali desembocam dejetos de pelo menos quatro comunidades, tornando as duas galerias existentes insuficientes para a demanda.

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Além de os imóveis ficarem literalmente cercados por alagamentos, moradores ainda convivem com o mau cheiro que permanece nas casas por vários dias.

— Entramos em pânico a cada chuva. É desesperador. Chega esgoto do (loteamento) Flor da Serra, Bela Vista, Exposição e Lourdes e tudo converge pra cá. A água ultrapassa o nível das muretas, invade as casas e estraga tudo — relata a publicitária Raquel Bonatto.

De acordo com a mãe dela, que vive na residência há mais de 40 anos, os problemas se agravaram conforme o surgimento de novas casas, construídas sem planejamento. 

— Nos últimos tempos, a situação tem piorado. Antes, sofríamos mais durante as chuvas de verão, mas agora qualquer chuva mais forte já nos causa transtornos. Instalamos válvulas de retenção, que conseguem amenizar, mas nem de longe resolvem o problema — afirma Helena Maria Bonatto.

A experiência com os constantes prejuízos fez com que os moradoras criassem gambiarras para evitar a troca frequente de móveis. Mesmo assim, as portas e todo o mobiliário composto de madeira, apresentam extremidades deterioradas pela água. 

— Começamos a elevar nível de estantes e sofás utilizando pedras para calçar e distanciar um pouco do chão — explica Helena.

Moradora recente do local, Verônica Larré comenta que se assustou quando, no temporal do dia 12 de março, a água invadiu todo o pátio e transbordou de vários pontos no interior da residência.

— Somos ainda mais prejudicados porque estamos no nível da rua. Além disso, transborda esgoto do vaso sanitário e do ralo no banheiro.

Perdi alunos pelo risco

Outro local afetado nas imediações é uma escola infantil que atende 37 crianças. Embora não chegue a invadir o prédio, a água acumulada na frente da instituição dificulta o acesso de alunos e danifica a calçada.

— Algumas pedras ficam levantadas e isso causa riscos às crianças. Sem contar que, às vezes, os pais sequer conseguem estacionar, e os filhos deles precisam aguardar o nível da água baixar para conseguir entrar na escola — informa a diretora Maria Clair dos Santos.

Além do risco de acidentes, que segundo ela, teria causado o cancelamento da matrícula de duas crianças, Maria preocupa-se com o fato de a escolinha passar a atender mais 50 crianças, cujas vagas foram compradas pelo município.

— Vamos passar a quase 100 crianças. Estou preocupada com o próximo verão, quando normalmente há chuvas com maior intensidade.

Secretaria considera medidas caras demais

O problema da região já é conhecido da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos. Porém, conforme nota encaminhada ao Pioneiro, a solução depende de medidas complexas que são estudadas pelo departamento de engenharia da pasta e que dependeriam de grande investimento.

Em março, após um temporal, a secretaria afirma que houve vistoria e limpeza das redes de drenagem e caixas coletoras do local. A ação resolveria os alagamentos em ocasiões de chuvas de menor volume. No entanto, a pasta afirma que a localização das residências no ponto mais baixo da rua dificulta a vazão da água para as galerias.

Defensoria analisa pedido de indenização 

Helena Maria Bonatto ingressou com ação indenizatória junto à Defensoria Pública por danos materiais decorrentes dos alagamentos causados pela insuficiência da rede de escoamento de águas pluviais. A Defensoria confirmou a representação e informou à reportagem que o processo está em análise do Poder Judiciário.

 

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