Carteiros entram em greve em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

Paralisação22/09/2017 | 11h40Atualizada em 22/09/2017 | 13h20

Carteiros entram em greve em Caxias do Sul

Sindicato estima que pelo menos 75 servidores dos Correios tenham aderido ao movimento contra a retirada de benefícios

Carteiros entram em greve em Caxias do Sul Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Funcionários dos Correios amanheceram em greve Caxias do Sul nesta sexta-feira (22). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Estado (Sintect/RS), 75 carteiros e atendentes aderiram ao movimento grevista, de um total de cerca de 130 atuando na cidade. 

Alguns funcionários também estariam parados em Vacaria, Gramado, Canela, São Francisco de Paula e Carlos Barbosa, segundo o sindicato.

Conforme o diretor da subsede regional do Sintect/RS, Ricardo Paim, a paralisação tem participação de servidores em todos os centros de distribuição e encomendas de Caxias, além de diversas agências. Durante a manhã, a categoria se concentrou em frente à agência dos Correios da Rua Sinimbu, no centro da cidade.

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Os Correios informam, por meio da assessoria de imprensa, que nenhum ponto de atendimento teve as atividades totalmente interrompidas na cidade. Um balanço completo dos serviços afetados, porém, só será divulgado a partir das 14h. 

Paim explica que os trabalhadores decidiram paralisar as atividades porque a negociação do dissídio da categoria com os Correios se arrasta por 50 dias, sem avanços. 

— Estamos na greve porque a única proposta que a empresa fez foi a retirada dos nossos benefícios — declara.

Segundo o sindicalista, os Correios ameaçam retirar benefícios dos funcionários, como o vale cultura e vale alimentação; reduzir o pagamento das cestas básicas aos dias trabalhados;  diminuir a idade máxima dos dependentes de 18 para seis anos; e condicionar o plano de saúde ao pagamento de pelo menos 20% da mensalidade por parte dos funcionários.

Além disso, a categoria se preocupa com o futuro do pagamento do adicional de férias, horas extras e adicional por trabalho noturno.

  • — Com a reforma trabalhista, a empresa disse que não vai pagar — reclama.

O pagamento destes valores, porém, está previsto em lei. 

A greve havia sido decidida pelo Sintect/RS ainda na quarta-feira (20). Os Correios informaram, em nota à imprensa, que nesta quinta (21) 87,64% dos funcionários estavam trabalhando no Estado e atuava para normalizar o atendimento nos locais com adesão ao movimento.

A nota da empresa diz ainda que "os Correios  continuam dispostos a negociar e dialogar com sindicatos que não aderiram à paralisação para que o acordo coletivo seja assinado e considera a greve por parte de alguns sindicatos um ato irresponsável e unilateral". 

A subsede regional do Sintect/RS deve realizar assembleia para organizar uma mobilização conjunta com os professores estaduais, também em greve, na próxima segunda-feira (25).


Confira a nota completa dos Correios:

 A direção dos Correios e representantes da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) continuam em negociação para a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho. 

As negociações prosseguem após a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) ter decidido desistir das negociações e iniciar a paralisação nas bases de seus sindicatos filiados.

Levantamento parcial realizado na manhã de hoje (quinta-feira) mostra que 91,65% do efetivo total dos Correios no Brasil está presente e trabalhando — o que corresponde a 99.504 empregados. No Rio Grande do Sul, 87,64% do efetivo está presente e trabalhando – o que corresponde a 6.524 empregados. Nas localidades onde há paralisação, a empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população.

Os Correios reiteram que continuam dispostos a negociar e dialogar com os sindicatos que não aderiram à paralisação para que o acordo coletivo seja assinado e considera a greve por parte de alguns sindicatos um ato irresponsável e unilateral, que desqualifica o processo de negociação e prejudica o esforço realizado por todos os empregados durante este ano para retomar a qualidade e os resultados financeiros da empresa.

A atitude desses sindicatos coloca em risco a qualidade dos serviços prestados aos clientes e à população brasileira e torna ainda mais grave a atual situação dos Correios. A paralisação, ainda que parcial, acarreta um potencial de perda de receitas e de pagamento de indenizações que onera os cofres da estatal.

 

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