Caxias do Sul não recebe recursos para o turismo desde 2013 - Geral - Pioneiro

Setor em dificuldades31/08/2017 | 09h47Atualizada em 31/08/2017 | 10h23

Caxias do Sul não recebe recursos para o turismo desde 2013

Último investimento federal foi na construção do Centro de Informações Turística da Praça Dante Alighieri

Caxias do Sul não recebe recursos para o turismo desde 2013 Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Faltando poucas semanas para o início da Semana Municipal de Turismo de Caxias do Sul, as ações de fomento no setor seguem a passos lentos. A última obra de infraestrutura a receber recursos federais foi a do Centro de Informações Turísticas (CAT) da Praça Dante Alighieri, finalizado em 2013. Daquele ano até agora, nenhum projeto da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) foi apreciado pelo Ministério do Turismo. Segundo levantamento realizado pelo Pioneiro, a solicitação mais recente de repasse de verbas foi enviada a Brasília em março deste ano. A proposta destina-se à captação de R$ 400 mil para reformar a Casa do Administrador, localizada no Largo da Antiga Estação Férrea.

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Enquanto Caxias espera a avaliação de apenas uma proposta, as vizinhas Bento Gonçalves e Gramado, cidades que abocanham boa parte dos turistas que chegam à Serra, correm para disputar a sua fatia no orçamento federal. Desde o início do ano, Gramado já encaminhou 11 projetos relativos a infraestrutura, sendo que dois deles já foram aprovados pelo ministério. Em Bento, os últimos repasses, no valor de de R$ 243 mil, foram utilizados para a revitalização da Casa do Vinho, inaugurada este ano, e para a urbanização do entorno da Rua Coberta.

Se para o empresariado não faltam projetos e iniciativa, no lado da prefeitura o principal entrave é a redução de verbas. Este ano, houve uma redução de 34,3% no orçamento destinado ao segmento. A própria falta de dinheiro e de infraestrutura teria levado ao fechamento de dois centros de informações turísticas nos distritos de Vila Cristina e Criúva. Neste último, por exemplo, está localizado o Cânion Palanquinho, uma joia natural cuja fenda tem entre 25 e 30 metros de largura e profundidade de 82 metros.

A fim de superar a crise e atrair visitantes, a aposta da atual gestão está em redescobrir não só as potencialidades do município, mas em estimular o interesse dos próprios caxienses pelo turismo local.

— É perceptível que houve uma queda, principalmente no turismo de negócios. Isso se deve, entre outros fatores, à recessão na indústria metalmecânica. Só que a gente observa que ainda há espaço para crescer em hospitalidade, por exemplo. A nossa ideia é conscientizar a população a olhar para dentro, notar a cidade e seus atrativos — afirma a secretária de Turismo, Renata Carraro, sem detalhar porque a cidade não disputa mais verbas da União em uma época de tanta necessidade.

"A história do gringo não cola mais"

A tarefa de estimular o turismo na cidade não é das mais fáceis e depende muito da articulação de algumas frentes, que às vezes olham em direções contrárias. 

— Aliar o setor público, privado, as entidades de classe e a sociedade é um esforço necessário. Essa relação de aproximação vem sendo trabalhada há, mais ou menos, dois anos. É um desafio. Eu penso que se a iniciativa privada empurrar o barco, a pública auxilia — comenta Maguil Marsilio, coordenador do curso de Turismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

Para isso, é necessário um planejamento em comum, com foco na ampliação do diálogo entre as partes, acredita Emerson Monteiro, gestor de projetos de turismo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

— Não estamos em tempo de ficar optando. Uma possibilidade para crescer é trabalhar turismo de lazer e de negócios juntos. Na nossa visão, falta sinergia. O Conselho de Turismo também tem esse compromisso. Com um empoderamento dele, visando aproximar todos os lado, estabelece-se uma agenda integrada — afirma.

A cadeia turística atinge mais de 50 setores atualmente, sendo os líderes hotelaria, gastronomia e agências. No entanto, para alavancar é preciso ir além do galeto e da polenta, dizem os especialistas.

— Na prática, a história do gringo não cola mais. O caxiense não vê isso com um olhar profissional — critica Marsilio.

A inspiração nas cidades vizinhas, que atraem mais visitantes, como Canela e Gramado, também devem ser superadas. Para Gabriele Piccolli, diretora de Turismo e Cultura da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Caxias tem características próprias que devem ser exploradas: 

— Podemos até buscar referências em São Paulo, por exemplo, mas ficar se comparando com as demais cidades não é o ideal. É preciso se reconhecer. Aqui tem hotelaria de qualidade, gastronomia aprimorada, comércio diversificado, aeroporto e universidade. O povo é exigente e Caxias tem muito a oferecer.

Onde encontrar informações turísticas

:: CAT Dante Alighieri
Endereço: Esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury, - Centro
Funcionamento: de segunda a sábado, das 8h às 18h

:: CAT Estação Rodoviária
Endereço: Rua Ernesto Alves, 1341 - Centro
Funcionamento: de segunda a sábado, das 8h às 18h

:: CAT Aeroporto
Endereço: Av. Salgado Filho, 3451 - Bairro São Leopoldo
Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 18:30h, e sábado das 8h às 13h.

:: CAT Festa da Uva
Endereço: Rua Ludovico Cavinato, 1431 - Bairro Nossa Senhora da Saúde
Funcionamento: de segunda a sábado, das 8h às 18h

:: CAT Igreja São Pelegrino
Endereço: Avenida Itália, 54 – Bairro São Pelegrino
Funcionamento: de segunda a sábado, das 8h às 18h

:: Guia de Caxias do Sul
Acesso pelo site: http://www.guiadecaxiasdosul.com/ 

 

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