Vítima de racismo, senegalês é agredido no centro de Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

Intolerância14/07/2017 | 16h47Atualizada em 14/07/2017 | 19h17

Vítima de racismo, senegalês é agredido no centro de Caxias do Sul

Agressor caminhava pela Rua Sinimbu quando passou a xingar o migrante, que trabalha como vendedor ambulante

Vítima de racismo, senegalês é agredido no centro de Caxias do Sul Kamila Mendes/Agencia RBS
Moth Loum (sentado) foi agredido com chutes e socos enquanto vendia meias. Foto: Kamila Mendes / Agencia RBS
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Ofensas feitas por um homem a um senegalês na tarde desta sexta-feira causaram revolta em pessoas que circulavam pela área central de Caxias do Sul. Conforme testemunhas, por volta das 14h30min, o agressor passava pela Rua Sinimbu quando passou a xingar o migrante, que trabalha como vendedor ambulante. Calado, o senegalês ignorou os xingamentos, porém, foi agredido com chutes e socos. Neste momento, um grupo de mulheres se aproximou e o agressor fugiu do local. Ainda de acordo com as testemunhas, o homem estaria bem arrumado e estava acompanhado de uma mulher. A Brigada Militar foi chamada, mas não conseguiu localizar o suspeito. 

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— Eu estava num prédio aqui na frente e comecei a ouvir gritos, quando fui olhar um homem com uma camisa vermelha estava xingando o senegalês e depois começou a agredir. A mulher que estava com esse homem pedia para ele parar, mas ele estava com muita raiva. Fazia xingamentos por conta da cor de pele do ambulante — conta a professora Maria Inez Périco.

Assim como todas as pessoas que passavam pelo local, a autônoma Andreia Gonzales Maciel presenciou a cena e estava indignada com a atitude do agressor.

— É triste. Me sinto envergonhada por ver um homem fazendo isso com outra pessoa. Nitidamente, ele ficou incomodado com a presença do senegalês e fez tudo isso. É racismo, é crime o que aconteceu aqui — lamenta ela.

Com a camisa rasgada após a briga, Moth Loum, 30 anos, ainda tentava entender o que tinha acontecido. Ele estava sentado sob a marquise de um prédio, poucos metros distantes da Catedral, quando o agressor se aproximou já aos gritos. Há três anos vivendo em Caxias, o senegalês nunca havia sido vítima de racismo.

— Eu estava vendendo as meias, quieto e aconteceu isso. Fico triste, mas não posso desistir. Meu trabalho é esse, preciso continuar — afirma ele.

Fiscal de uma loja de departamentos em frente ao local onde aconteceu a agressão, Carlos Bruno Marsiglio, lamenta ter presenciado a cena. Ele ainda relata que o agressor entrou por duas vezes na loja, enquanto xingava o senegalês.

— Foi tudo muito rápido. Começou com o homem gritando palavras ofensivas ao senegalês, depois ele veio até a porta da loja e alguns segundos depois voltou até lá e desferiu chutes e socos. O senegalês não deu motivos para isso. É lamentável. 

Segundo o representante dos africanos em Caxias, o caso será registrado neste sábado na Delegacia de Polícia Pronto-Atendimento (DPPA).

— Nós não podemos deixar isso acontecer sem fazer nada. Lamento que ainda precisamos passar por situações como esta. Seguimos na luta — diz Abdou Lahat Ndiaye, o Billi.

 

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