Estradas entre Caxias do Sul, Farroupilha e Garibaldi nunca estiveram tão precárias - Geral - Pioneiro

Apagão nas rodovias17/07/2017 | 10h49Atualizada em 17/07/2017 | 11h04

Estradas entre Caxias do Sul, Farroupilha e Garibaldi nunca estiveram tão precárias

Eixo Caxias-Farroupilha-Garibaldi está em péssimas condições de trafegabilidade, com buracos, ondulações e asfalto se esfarelando   

Estradas entre Caxias do Sul, Farroupilha e Garibaldi nunca estiveram tão precárias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Estradas nunca estiveram tão precárias. Desde janeiro de 2010, já ocorreram 3.790 acidentes, o que deixou 114 mortos e 2.114 feridos Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Afirmar que as condições das estradas estaduais que passam por Caxias do Sul já foram ideais parece irreal. Ainda assim, nunca antes a impressão de abandono foi tão grande.

Além da malha viária defeituosa, toda a infraestrutura que abrange sinalização e a falta de roçada estão entre os problemas comuns de quem trafega pela ERS-122 e RSC-453, no eixo Caxias-Farroupilha-Garibaldi, que compreende cerca de 54 quilômetros. Outro agravante é a precária ou inexistente iluminação. Aliada à pintura gasta da pista, a falta de luz em acessos ou trevos pode confundir condutores e provocar acidentes.

Há muito tempo, a participação do Estado tem se limitado a medidas que resolvem as deficiências apenas de forma temporária no eixo. Porém, não há grandes intervenções que garantam soluções para longo prazo nessas rodovias vitais para a economia da Serra. Desde janeiro de 2010, já ocorreram 3.790 acidentes de trânsito no trecho, o que deixou o triste saldo de 114 mortos e 2.114 feridos, segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar. A decadência das duas estradas levou a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul a encaminhar pedido de providências urgentes ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).

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 Tenho uma empresa há 19 anos e não lembro da última vez que houve um plano eficiente executado na nossa região. Desde a época do pedágio eram realizadas manutenções só para esconder os reais problemas da rodovia  afirma Paulo Cesar Santos, presidente do Sindicato Intermunicipal das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento e Turismo de Caxias do Sul.

Segundo ele, profissionais do setor se submetem diariamente ao perigo, sendo a principal reclamação os buracos que ressurgem a cada chuva. Embora o governo alegue estar disposto a prestar os serviços de manutenção, para empresários como Santos, as ações demoram e são executadas de forma equivocada.

 São, acima de tudo, famílias que correm riscos, além das avarias que são causadas aos veículos. Os trevos de acesso aos distritos industriais e aos municípios são perigosos e já nos acostumamos com a má conservação das estradas, até porque as operações tapa-buraco são raras e mal-feitas.

Na opinião de Santos, soluções só poderão ser viabilizadas quando o governo buscar diálogo com diferentes esferas da sociedade que convivem com os problemas.

 Precisa haver trabalho conjunto entre usuários, população e especialistas de verdade. Os recursos são escassos, mas podemos otimizá-los. Hoje, quando o Estado intervém, acaba fazendo tudo errado  reclama.

Prejuízos são rotina

Profissionais que trabalham no conserto de veículos relatam ser comum receberem motoristas de outros Estados lamentando a situação da ERS-122 e da RSC-453. São condutores com carros com problemas na suspensão, nas rodas e molas.

Os borracheiros é que fazem a festa com o festival de pneus furados. Pessoas de outras cidades reclamam não só dos buracos, mas também da iluminação e sinalização. Ainda que agora fizeram a roçada, porque senão além de tudo tem o matagal que toma conta  comenta o mecânico Américo Barros, que trabalha às margens da ERS-122, em Forqueta.

Outro profissional do ramo, Orides Aguiar, ressalta a precariedade do remendo asfáltico.

 Uma vez presenciei a EGR trabalhando na restauração de um buraco. Eles simplesmente enfiavam asfalto e assentavam com o pé. Esse é o tipo de "investimento" que o Estado faz nas nossas rodovias.

Caminhoneiro de passagem por Caxias, Neri Rigo, reconhece a alternativa de pedágio como válida, porém, afirma que o sistema de cobrança é executado de maneira equivocada.

 Ando bastante pela América do Sul e, em outros países, o pedágio é mais barato e as estradas são melhores. Aqui chego a gastar mais de R$ 400 numa viagem curta e as condições não são muito boas. Acho que o pedágio é uma boa opção, contanto que seja um valor acessível e não esse que pagamos.

Trecho abandonado
A reportagem percorreu o eixo Caxias do Sul-Farroupilha-Garibaldi, que compreende as rodovias ERS-122 e RSC-453, e encontrou placas caídas ou falta de sinalização, asfalto esfarelando ou com grandes ondulações e iluminação precária. Confira alguns problemas constatados entre o bairro São Ciro II, na RSC-453, em Caxias do Sul, e o entroncamento da RSC-453 com a BR-470, em Garibaldi.

Acesso à BR-116 pela RSC-453, em Caxias: a intensidade do fluxo de veículos na rodovia federal dificulta ingresso de veículos que chegam pela 453. Em momentos de grande movimentação, há fila de carros e risco para quem faz a curva após um viaduto. À noite, o acesso fica ainda mais precário pela falta de iluminação.

Acesso ao São Ciro II: motoristas reclamam do quebra-molas acentuado, contudo, a lombada foi colocada para evitar atropelamentos de pedestres. Além disso, buracos no entorno dificultam ainda mais a travessia do quebra-molas.

Acesso ao Serrano: além da ausência de iluminação na entrada do bairro, as placas de sinalização estão apagadas, por exemplo. Com isso, motoristas realizam freadas bruscas, pois acabam passando do ponto onde precisariam realizar a conversão, o que aumenta o risco de colisões.

Trevo de Monte Bérico: em 2014, após anos de reivindicações, o Estado instalou semáforos no trevo de acesso ao bairro. a medida temporária, que já dura três anos, é paliativa, uma vez que há pouquíssima iluminação  os postes estão com lâmpadas queimadas. A faixa de pedestre acaba se tornando simbólica, pois, ao escurecer, o local se torna perigoso para travessia.

Acessos e retornos do Desvio Rizzo a Forqueta: filas de veículos se formam constantemente em horários de maior movimentação. Motoristas se arriscam em travessias com pouca iluminação, sinalização precária e, vegetação alta (recentemente foi realizado serviço de capina).

Sede do Grupo Rodoviário de Farroupilha: o perigo é provocado pela permanência de parte da estrutura do antigo pedágio. No local, ainda existem estruturas de concreto entre as faixas. A falta de luz torna o obstáculo um risco real a quem desconhece o trecho.

Entroncamento de ERS-122 com RSC-453: caso semelhante ao de Monte Bérico, a faixa de segurança é mera formalidade. A iluminação falha torna a passagem de pedestres arriscada e também pode confundir motoristas.

Farroupilha a Garibaldi: pinturas na pista e operação tapa-buracos amenizam a situação do trecho da RSC-453 atualmente. Ainda assim, ao recapeamento é apenas provisório e em alguns trechos placas se encontram posicionadas longe do alcance de visão ou caídas. O principal problema é o trecho de pista simples, pois o movimento de veículos é grande e as ultrapassagens se tornam perigosas.

Trevo da Telasul: o entroncamento da RSC-453 com a BR-470 apresenta frequentes acidentes devido à intensa movimentação e não iluminação. Obras estão sendo realizadas no local que aguarda há anos por reformulação. 

 
 

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