"Dediquei minha vida para cuidar do que não é meu", desabafa morador de Caxias - Geral - Pioneiro

Patrimônio do povo21/07/2017 | 09h39Atualizada em 21/07/2017 | 14h25

"Dediquei minha vida para cuidar do que não é meu", desabafa morador de Caxias

Lote que deveria abrigar centro comunitário é usado por moradia

"Dediquei minha vida para cuidar do que não é meu", desabafa morador de Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Família reside em área que deveria abrigar um centro comunitário Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

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A ocupação de grande terreno que deveria abrigar o centro comunitário do loteamento Aeroporto, na Zona Sul, ainda gera contestação. Isso porque há 17 anos o espaço é ocupado por uma família, que não paga aluguel, impostos e nem água. A casa na Rua Walter Carlos Afonso esquina com a Valdemira Raymundi, abriga atualmente oito pessoas.

A justificativa dada pelo produtor artístico Ranulfo Homem, presidente da associação dos moradores em 2003, é de que o local precisava de um zelador para não virar ponto de uso de usuário de drogas. Por isso, ele autorizou o uso por meio de um contrato temporário.

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— Tínhamos medo que todo aquele espaço se transformasse num ponto de drogas e de prostituição. Colocamos alguém para viver lá com a ideia de preservar o patrimônio e, ele vive lá até hoje. Não sei exatamente como está a situação neste momento, mas de fato, o terreno permanece intacto. Se não tivéssemos colocado alguém para morar lá, teríamos enfrentado um problema bem mais complicado — explica.

Por anos, o responsável pelo terreno e pela casa construída aos fundos foram esquecidos pela prefeitura. Em alguns períodos, ele até era procurado para regularizar a situação, porém tudo ficou na promessa. No ano passado houve uma oferta para que a família escolhesse um terreno legalizado em outro bairro.

— Trabalhei por todos estes anos sem receber salário ou ter direito a qualquer outro benefício. E continuo cuidando daqui, tanto que tudo permanece igual ao dia que me mudei para cá. Quando me ofereceram um outro lugar, fiquei feliz na hora, porque o que mais quero é ter um lugar meu. Só que daí nada saiu do papel — conta Claudio Baltazar da Silva, 61 anos.

O morador relata que a vontade de regularizar o terreno é grande, já que existe um limite de manutenção da casa, que foi construída há anos no local.

— Não posso arrumar o assoalho, porque a casa não é minha. Arrumei um problemão quando quis construir um banheiro. Moramos em oito pessoas aqui e não posso mexer em nada. Não está no meu nome, mas dediquei toda a minha vida para cuidar de um lugar que nunca foi meu — reclama.

 
 

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