Solidariedade na reconstrução de casas danificadas pelo temporal que atingiu o distrito de Vila Oliva em Caxias do Sul - Geral - Pioneiro

Recomeço10/06/2017 | 21h22Atualizada em 10/06/2017 | 21h35

Solidariedade na reconstrução de casas danificadas pelo temporal que atingiu o distrito de Vila Oliva em Caxias do Sul

Prefeitura receberá donativos até segunda-feira ao meio-dia

Solidariedade na reconstrução de casas danificadas pelo temporal que atingiu o distrito de Vila Oliva em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Vendaval na madrugada de quinta-feira deixou cerca de 450 desabrigados Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Antônio Meira não tem familiares em Vila Oliva, mas já pode dizer que tem pelo menos um amigo no distrito caxiense. O aposentado de 67 anos aproveitou o sábado ensolarado para ajudar na reconstrução da casa do servidor municipal Adriano Francischetti, 40, que ficou praticamente destruída pelo temporal da madrugada da última quinta-feira. Morador do bairro Kayser, Meira é um dos muitos elos da corrente de solidariedade formada desde que o vendaval danificou 180 casas deixando cerca de uma centena com perda total e aproximadamente 450 desabrigados. Uma mulher de 78 anos morreu.

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Meira e Francischetti não se conheciam até o início da manhã deste sábado. Disposto a auxiliar, o aposentado e alguns amigos do grupo de motociclistas Falcões da Serra Gaúcha foram a Vila Oliva e lá se depararam com um cenário de destruição. Chegaram às 9h, levando muita disposição, além de alimentos e cobertas.

— Viemos sem conhecer ninguém — conta o aposentado.

Antônio Meira e um grupo de amigos ajudaram no trabalho durante todo o sábado Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Ofereceram ajuda a Francischetti e logo começaram a trabalhar. A força do vento foi tanta que a casa de madeira deslocou-se para o lado. Não restou alternativa senão desmontar todo o telhado, já comprometido com a chuva, e as paredes para reconstruir tudo. Quando a ventania atingiu a moradia, o funcionário público só teve tempo de enrolar o filho, Augusto, de dois anos, em um cobertor para protegê-lo.

— Em menos de 10 segundos, fomos jogados para o outro lado do quarto — afirma, acrescentando que a mulher, Rose, 46, também estava junto quando tudo veio abaixo.

Adriano Francischetti conta que protegeu o filho com cobertor antes do vento levar o telhado da moradia Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Enquanto o trabalho não é concluído, a família vive na garagem de alvenaria, aos fundos.

— Não tem o que fazer. Vamos levar para onde? Aqui a maioria do pessoal perdeu tudo. Mas, graças a Deus, estamos vivos — resigna-se Francischetti.

A poucos metros dali, outro grupo fazia reparos na residência do operador de máquinas Volnei Luiz Rech, 54 anos, um dos primeiros a ter a casa destelhada por galhos de pinheiros plantados em um terreno ao fundo.

— Temos um grupo que estuda a Bíblia e nos reunimos duas vezes por semana na casa do Volnei. Viemos em aproximadamente 60 pessoas de diversos bairros de Caxias e de Flores da Cunha para ajudar não só aqui no nosso local de reunião, mas os vizinhos também que estão necessitados — afirma o ferramenteiro Guilherme Antônio Ferreira.

O vaivém de pessoas, máquinas e caminhões é constante, assim como é contínuo o barulho de sirenes sinalizando algum veículo dando ré e o ruído de marteladas, furadeiras e serras. 

A comerciante Margarete Boff Rech no que restou do mercado que administra com o marido e os filhos Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Margarete Boff Rech, 52, recebe parentes no lugar onde funcionava o que administra com o marido e os dois filhos há 10 anos. Do comércio, restaram apenas algumas poucas prateleiras, vazias. Tudo, das paredes e o teto aos produtos que estavam à venda, foi arrastado.

A comerciante conta que ela e o marido estavam acordados no segundo andar da moradia, que fica nos fundos do estabelecimento, assustados com o tempo feio. Acharam mais seguro descer. Só deu tempo de se esconderam em um banheiro.

— Achei que não íamos conseguir fechar a porta (em razão da força do vento). Durou, graças a Deus, segundos. Quando passou, fomos ver se meus filhos, que moram ali na casa ao lado, estavam bem. Tinha só postes e fios pelo caminho. Todo mundo correu para a rua.

Salão paroquial concentra doações

O salão paroquial de Vila Oliva concentra o recebimento de doações. É para lá onde são levados alimentos, roupas, móveis, eletrodomésticos, materiais de construção, água e produtos de higiene e limpeza, que não param de chegar desde quinta-feira e são distribuídos. 

Cláudia e as filhas, Maria Eduarda e Ana, ajudam quem chega no salão paroquial Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

É também no ginásio onde voluntários e necessitados fazem as refeições, preparadas por gente como a agricultora Cláudia Vale, 43, que dedicam-se dia e noite a cozinhar almoço, janta e lanches e a atender quem precisa de medicação, crianças que precisam de mamadeira e fraldas. Para poder estar no salão paroquial em tempo integral, ela conta que abandonou o trabalho no cultivo de morango e alface.

— Estaríamos embalando morangos e verduras para entregar na segunda-feira. Desde o temporal, abandonamos tudo. Não fizemos nenhuma entrega. No domingo, suspendemos as entregas que seriam feitas para a merenda escolar. Suspendemos tudo para ficar auxiliando o pessoal. Hoje a nossa prioridade é ajudar as pessoas — explica ela, acompanhada das filhas Ana e Maria Eduarda, que também ajudam cuidando das crianças do distrito enquanto as mães se alimentam.

— É cansativo, mas é gostoso fazer isso porque a gente sabe que está ajudando as pessoas — reflete a estudante Luana Mel Ladislau Medeiros, 13, que foi ao salão com o primo Bernardo Antônio Daneluz, 11, para ajudar na separação de cestas básicas que serão distribuídas aos atingidos pelo temporal.

— Hoje que saiu o sol a gente conseguiu se organizar mais, porque não parava de chover — completa a jovem.

Doações lotaram o ginásio de esportes com alimentos, roupas, móveis e produtos de higiene Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Coleta de donativos até segunda ao meio-dia

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura informa que a coleta de donativos para Vila Oliva se encerra ao meio-dia de segunda-feira no centro administrativo. A nota diz que as doações mais necessárias no primeiro momento, como alimentos e roupas chegaram em quantia suficiente para atender aos moradores e que ainda são necessários itens como produtos de higiene e limpeza, lenços umedecidos, vassoura, rodo e pano para limpeza, fraldas, velas, lanternas, móveis (eletrodomésticos, mesas, cadeiras, fogões, geladeiras, sofás, camas, pias) e materiais de construção (tijolo, cimento, madeira, telhado, esquadrias).

— Agora o que a gente precisa mesmo é de pessoas que venham ajudar a tirar a sujeira dos quintais e colocar na rua para os caminhões da Codeca retirarem a partir de segunda-feira. Trabalho braçal mesmo. Até domingo, a prioridade está sendo a reconstrução dos telhados das casas que não tiveram perda total. O que a gente puder fazer para tirar a sujeira para não ver aquela imagem de destruição , a gente vai fazer.. A dor vai ficar, a lembrança é difícil, não vai sair nunca, mas pelo menos tirar aquela imagem de todo dia acordar e ver a destruição — salienta o subprefeito de Vila Oliva, Jefferson Côrtes Torres.

Torres chama a atenção para a necessidade de pregos e parafusos para fixação de madeiras e telhas. Pedreiros, marceneiros, eletricistas e outros profissionais ligados à construção civil também são bem-vindos. Conforme o subprefeito, a partir do início da semana começarão a ser disponibilizados materiais de construção.

 

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