Dois anos depois, lombada no acesso ao Cidade Industrial, em Caxias, ainda não saiu do papel - Geral - Pioneiro

Estradas06/06/2017 | 17h32Atualizada em 06/06/2017 | 17h32

Dois anos depois, lombada no acesso ao Cidade Industrial, em Caxias, ainda não saiu do papel

Trecho é considerado um dos mais perigosos da rodovia

Dois anos depois, lombada no acesso ao Cidade Industrial, em Caxias, ainda não saiu do papel Roni Rigon / divulgação/divulgação
Foto: Roni Rigon / divulgação / divulgação

Em junho de 2015, o secretário estadual de Transportes, Pedro Westphalen, esteve em Caxias do Sul e prometeu uma lombada eletrônica para prevenir acidentes num dos pontos mais perigosos da Rota do Sol: o acesso ao bairro Cidade Industrial, no km 72 da ERS-122, também conhecido como trevo da Iveco. Desde 1997, 18 pessoas perderam a vida em atropelamentos ou colisões entre veículos no trecho.

Nesses dois anos, tanto a secretaria quanto o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) já refizeram a promessa várias vezes sem, de fato, afirmar quando o equipamento será instalado. O compromisso mais recente é a garantia de implantação de um novo lote de lombadas nas rodovias estaduais e que o acesso ao Cidade Industrial está entre os pontos a serem contemplados. 

O problema é que os moradores não aguentam mais esperar. O caminho mortal tem dois quilômetros, entre o km 71, no acesso à Estrada dos Romeiros, e o início do km 73, no acesso ao bairro Cidade Nova. Se houvesse uma lombada ou qualquer equipamento redutor de velocidade no Km 72, as famílias acreditam que todo o trecho seria beneficiado. 

— Não precisamos de mais promessas. Essa rodovia é uma loteria e, se nada for feito, mais pessoas serão sorteadas e perderão a vida aqui. Do jeito que está, sem controle algum, o perigo é constante para os motoristas e, principalmente, para os pedestres que precisam atravessar a estrada — aponta o atual presidente da Associação dos Moradores do bairro Cidade Industrial, Hugo Trindade da Silva, que deixará o cargo nos próximos dias.

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Mesmo que o número de acidentes tenha reduzido, conforme analisa o Grupo Rodoviário da Brigada Militar, o perigo do trevo ainda é nítido. Bastam alguns minutos de observação para perceber que há um grande desrespeito com o limite de velocidade. Além disso, a falta de acostamento pode ser elencada como uma das principais causas das colisões. 

— Há um fluxo intenso de veículos neste ponto, e muitos condutores optam por não fazer a manobra correta, que é se deslocar para a lateral direita da pista e depois acessar a entrada do bairro. É neste momento que acontecem os acidentes. Por sorte, nos últimos meses não registramos mortes, mas o trecho é perigoso e precisa de uma medida efetiva para coibir, principalmente, a alta velocidade — diz o comandante do Grupo Rodoviário da BM em Farroupilha, sargento Givanildo Schiavon.

''O que mais me preocupa é a hora de meu filho ir para escola"

Morador do Cidade Industrial há quatro anos, o conferente Adir Moraes de Souza, 45 anos, já presenciou diversos acidentes com vítimas e elenca a falta de respeito dos motoristas com a sinalização como o principal problema. Ele também destaca a alta velocidade, principalmente, dos veículos pesados.

— No horário de pico, os caminhões passam voando aqui. Parece que estão sempre com pressa e não pensam no estrago que podem fazer caso ocorra um acidente. Os carros pequenos também andam a 100 km/h numa via que é urbana. Olha quantas pessoas moram aqui na beira? Essa atitude é perigosa para eles, mas muito mais preocupante para quem precisa cruzar a rodovia a pé. A lombada resolveria um pouco, sim, porque quando mexe no bolso as pessoas respeitam — acredita ele.

Com mercado, escola e outros estabelecimentos no lado contrário da sua casa, Souza precisa encarar o medo de atravessar a Rota do Sol diariamente. Além disso, o volume de tráfego combinado com as condições desfavoráveis da rodovia implica diretamente no número de acidentes, já que a falta de um acostamento seguro também coloca em risco a vida dos pedestres.

— É uma angustia diária. Já fiquei mais de 20 minutos esperando para atravessar e, mesmo assim, atravessei correndo por medo. O que mais me preocupa é a hora que meu filho precisa ir para escola. Tento sempre ir com ele, mas nem a beira da estrada é segura — afirma o morador.

Sem obras para outros trechos

Outros pontos da Rota do Sol, elencados como os mais perigosos pelo Ministério Público e pelo Daer, ainda aguardam melhorias. A última intervenção ocorreu no km 148 da RSC-453, no bairro Jardim das Hortênsias, em maio: o local recebeu redutores de velocidade. Por enquanto, além da instalação da lombada no Cidade Industrial, a previsão do Daer é realizar obras apenas no acesso ao distrito de Fazenda Souza, porém, sem data definida.

A reformulação do trevo de acesso ao Santa Fé, no km 141, perto do antigo posto São Luiz, também é outro trecho crítico. A obra é prometida desde 2014, quando a prefeitura de Caxias começou a pensar nas melhorias. Três prazos para o início das obras não foram cumpridos: dezembro de 2015 e março e novembro de 2016. O  trecho segue com acidentes: no dia 28 de maio, um menino de 13 anos foi atropelado por um carro e sobreviveu. Menos sorte teve Giovane da Silva Gonçalves, 10, que morreu após ser atingido por um caminhão em 6 de abril.

PERIGOSOS

Os pontos mais críticos da Rota do Sol, em Caxias:

:: Acesso ao Cidade Industrial.

:: Acesso ao Cidade Nova.

:: Acesso aos Pavilhões da Festa da Uva.

:: Acesso a Monte Béricoz.

:: Acesso ao bairro Santa Fé (pelo antigo Posto São Luiz).

:: Acesso ao bairro Santa Fé (pela Avenida Dr. Mário Lopes)

:: Ligação com a Rua Atílio Andreazza.

:: Acesso ao Travessão Leopoldina.

:: Acesso ao bairro São Ciro.

:: Interseção com a Rua Sétimo Menegotto e a Rua Líbera Boff (bairro Jardim das Hortências).

:: Acesso a Rua Zeferino Freitas (empresa Mundial).

:: Acesso a Santo Homo Bom.

:: Acesso a São Braz.

:: Acesso a Fazenda Souza.

:: Acesso a Vila Seca (km 164,45).

:: Acesso a Vila Seca (km 165).

 
 

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