Vice-prefeito e ex-prefeitos de Caxias do Sul repercutem adiamento da Festa da Uva - Geral - Pioneiro

Reação03/05/2017 | 20h15Atualizada em 03/05/2017 | 21h10

Vice-prefeito e ex-prefeitos de Caxias do Sul repercutem adiamento da Festa da Uva

A maior e mais tradicional festa da Serra Gaúcha foi adiada, principalmente, por falta de recursos. Evento deve ocorrer em 2019

Vice-prefeito e ex-prefeitos de Caxias do Sul repercutem adiamento da Festa da Uva Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
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O prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra, preferiu não comentar o adiamento da Festa da Uva para 2019. No entanto, o vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu se manifestou sobre o assunto, assim como ex-prefeitos de Caxias do Sul, lideranças políticas e empresariais. A Festa foi adiada por falta de recursos.

— Não vi a decisão, mas é inadmissível não ter. A Festa da Uva SA é uma coisa, mas a festa comunitária transcende a prefeitura, é uma festa da cidade. Ela pode ser mais simples, mas tem que acontecer. Para mim, é como dizer que não vai ter Natal neste ano, só no ano que vem. A festa é da cidade e não da prefeitura. É uma instituição que transcende interesses políticos e financeiros. É a festa da celebração do trabalho. Não cabe a qualquer político decidir sobre a sua não realização. Caxias, tenho certeza, fará a sua celebração — Ricardo Fabris de Abreu, vice-prefeito

— Meu Deus do Céu! A minha experiência diz que a Festa da Uva tem que ser anual. O cancelamento está indo na contramão de tudo. O turismo para a cidade é uma alternativa para o momento que vivemos no país. Eles devem ter avaliado, mas é lamentável uma decisão dessas. Para a cidade, é uma lástima — Edson Néspolo, ex-presidente da Festa da Uva

— Acredito que foi bastante estudada a disponibilidade de datas e verbas para poder fazer uma festa com a mesma grandiosidade de 2016. Claro que todo mundo espera que se perpetue a Festa da Uva de dois em dois anos, mas no momento os organizadores acharam que ela tinha de ser adiada para que Caxias tenha uma festa do tamanho que ela merece. Então, estamos à disposição para trabalhar mais um ano pela divulgação. Ficaremos na história por ocupar um período prolongado de reinado, e é com muito orgulho que continuaremos representando com amor e carinho nossa festa, nossa cidade e nossa população— Rafaelle Galiotto Furlan, atual Rainha da Festa da Uva

— Me entristece muito. A Festa da Uva é um patrimônio da nossa cidade, é a celebração da nossa identidade, não podemos autorizar que um grupo tome uma decisão como essa. Falta conhecimento e compreensão dessa gestão sobre a amplitude deste evento. Eles querem inventar a ciranda? Tenho minhas dúvidas se haverá condição também em 2019 — Cleodes Piazza, historiadora, envolvida diretamente na Festa há mais de três décadas.

— Em 1997, quando assumi a prefeitura, a indústria não tinha interesse na realização da Festa da Uva por causa da crise. Procuramos o comércio e fizemos a Festa da Uva. Ela é muito importante para os setores da gastronomia, hoteleiro e para os roteiros turísticos. Tem que fazer (a Festa) de dois em dois anos para não perder a continuidade. Acho que é um equívoco (não realizar a Festa). As cidades que deixaram de fazer suas festas, hoje elas não existem mais. Pode redimensionar a Festa da Uva, mas mantém. O turista quer atrações originais. Fazíamos com orçamento bem menor — Pepe Vargas, ex-prefeito

— Eu fico chocado, triste. Isso é sinônimo de incompetência. Eu lembro das dificuldades que tivemos e falei para o Néspolo: é a Festa da Uva, nós temos que fazer, é a maior marca da cidade. Isso é um retrocesso, nunca imaginei que Caxias ia andar para trás — Alceu Barbosa Velho, ex-prefeito

— Não conheço a situação financeira. Vivemos um momento de recessão, esse deve ter sido o motivo. Entretanto, acho que a Festa da Uva é uma forma de melhorar a situação econômica. Nós precisamos investir em turismo. Até sou a favor de uma festa anual. Em Blumenau, tem a Oktoberfest anual e atrai mais visitantes que a Festa da Uva — Mansueto Serafini, ex-prefeito

— Acredito que é uma perda histórica e imensurável. Acho que a comunidade vai demorar para entender o que representa essa perda histórica, cultural e econômica — Felipe Gremelmaier, presidente da Câmara de Vereadores

— Quem promove festa, tem turismo. Quem não promove, não terá. Vai ser muito difícil alavancar novamente a vontade e a emoção das pessoas que se envolve com a festa. Na minha opinião, ela teria que acontecer de qualquer jeito — João Leidens, presidente do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria Região Uva e Vinho (Segh)

— Não entendemos como adiamento. É uma proposta de começar ainda neste ano e não fazer apenas 20 dias, mas sim algo mais longo, com mais atividades culminando com o evento de 20 dias (em 2019). Com o novo modelo, teremos uma celebração mais intensa. Temos que nos unir e fazer o melhor por Caxias — 
Ivonei Pioner, presidente da CDL 

— Não vejo problemas em adiar. Acho mais válido fazer uma festa bem organizada, do que de qualquer jeito, atropelada. Inclusive, já sugerimos que o evento seja reformulado e valorize mais nossos agricultores, além de promover o turismo rural da nossa região. Nossos produtores não devem ser prejudicados, porque eles terão tempo de encontrar um novo mercado nesse ano de hiato —
Rudimar Menegotto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Agricultores Familiares de Caxias do Sul e integrante do Conselho Consultivo da Festa

— Não vejo como um problema, principalmente na situação econômica atual, acho até adequado o adiamento para que possa ser realizado um evento de proporção que valorize a nossa tradição. Pode ser que incomode pelo costume das pessoas, mas a festa já chegou a ter hiatos de três, quatro e até quase 20 anos — Vera Zattera, pesquisadora, envolvida com a Festa desde 1954

 
 
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