Memória: Mariano Callegari, o padre de Mampituba - Geral - Pioneiro

Religião03/05/2017 | 10h00Atualizada em 03/05/2017 | 10h00

Memória: Mariano Callegari, o padre de Mampituba

Mariano foi ordenado padre em 1959, na catedral de Caxias do Sul

No último dia 27, o padre Mariano Callegari, nome importante para as comunidades que compõem hoje o município de Mampituba, completou 85 anos. Nascido em Monte Bérico, Farroupilha, no dia 27 de abril de 1932, Mariano era filho de Isaco Callegari e de Júlia Mugnol Callegari e o primogênito de nove irmãos. Estudou em Monte Bérico, sendo sua primeira professora Aurora Mugnol Verona. Desde pequeno simpatizava com os padres, talvez por influência de um tio, também sacerdote, e se dedicou a um sacerdócio de fé e lutas sociais.

Padre Mariano Callegari escapou da justiça durante a ditadura pela coragem de outro padre, Ulderico Pedroni Foto: Daniela Xu / Agencia RBS

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Aos 11 anos, entrou para o Seminário Nossa Senhora Aparecida, de Caxias do Sul. Depois, estudou no seminário jesuíta de São Leopoldo e no município de Viamão, onde cursou Filosofia. Frequentou o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, no Rio de Janeiro.

Mariano foi ordenado padre em 1959, na catedral de Caxias do Sul. Na sequência, foi nomeado auxiliar do padre Reinaldo Benini, na época designado na paróquia de Cambará do Sul. Como pároco, andou por Caxias do Sul, Nova Prata, Antônio Prado e nas paróquias de Três Forquilhas durante 18 anos. Atuou também em Cambará do Sul durante nove anos e na Paróquia de Bom Jesus da Roça de Estância, em Mampituba, onde permaneceu por 12 anos. De lá também colaborou para a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Torres e para a organização da Juventude Agrária Católica (JAC). (Foto: Daniela Xu, BD 29/08/2008)

A luta contra a ditadura 

Mariano Callegari ajudou a erguer muitas comunidades, lutou pela construção de várias escolas, despertou na população o espírito da organização, teve participação ativa na luta sindical e batalhou para que muitos agricultores conseguissem regularizar as escrituras de suas terras. 

Tinha grande preocupação com a situação econômica e a formação profissional da população, por isso lutou para a realização de cursos técnicos, como corte e costura e carpintaria entre outros. Nas comunidades recém-criadas, ajudou a organizar vários grupos de jovens e, em momentos difíceis como a enchente de 1974, lá estava ele, ajudando os flagelados da região.

O sacerdote também foi perseguido pela Ditadura Militar. Por defender a justiça e o bem-estar da população, foi acusado de subversão e de compactuar com ideologias comunistas. Seu trabalho foi espionado pelos agentes do DOPS, que o denunciaram no ano de 1969. O processo durou até 1971, quando foi inocentado das denúncias pelos tribunais militares de Porto Alegre e Rio de Janeiro. (Foto: Acervo pessoal de Joceli Lopes Roldão)

Trabalho reconhecido

Foto: Acervo de Joceli Roldão / Arquivo Pessoal

Padre Mariano trabalhou em grandes paróquias, como Jardim Zaira, na capital paulista, e em Mirassol D¿Oeste, no Mato Grosso. Foi vigário do Rincão dos Kroeff, em São Francisco de Paula, e atualmente trabalha em Carlos Barbosa, juntamente com os sacerdotes Valdemar Pagnoncelli e Décio Podenski. Hoje, com 70 anos, reside em Jaquirana.

De personalidade forte e pioneiro nas construções de comunidades e grande líder dos movimentos sociais, Padre Mariano foi um verdadeiro missionário nos trabalhos pastorais comunitários que desenvolveu na Paróquia Bom Jesus de Roça da Estância, em Mampituba. Sua permanência nessa paróquia durou 12 anos e, logo no primeiro ano do município, foi homenageado pela Câmara Municipal de Vereadores com o título de Cidadão Benemérito de Mampituba.

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