70 cachorros aguardam por adoção na Apas, em Caxias - Geral - Pioneiro

Em busca de um lar09/05/2017 | 08h30Atualizada em 09/05/2017 | 14h03

70 cachorros aguardam por adoção na Apas, em Caxias

Campanha tenta retirar bichos que vivem num terreno úmido e cercado de entulhos na chácara, que ocupa irregularmente um terreno particular no bairro Parque Oásis

70 cachorros aguardam por adoção na Apas, em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Entre as diferentes características que definem os 70 cachorros que vivem hoje na Associação Caxiense de Proteção aos Animais São Francisco (Apas), em Caxias do Sul, existe uma em comum: todos precisam de uma família. Há meses, os animais passam os dias num terreno úmido e cercado de entulhos. Além disso, água e comida são escassas. A situação da APAs piorou desde que o responsável pela entidade, que ocupa irregularmente um terreno particular no bairro Parque Oásis, alegou não ter recursos para manter o trabalho.

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Para amenizar o drama dos bichos e, principalmente, encontrar um lar para os cães, um grupo de organizações não-governamentais (ONGs), pets-shops, clínicas veterinárias e lojas de ração promove semanalmente a campanha 200 Corações para 200 Focinhos: todos os sábados, voluntários passam o dia na Apas aguardando por interessados na adoção. Eles também levam ração, água e remédios, como vermífugos e antipulgas. Desde fevereiro, quando teve início a ação, 130 animais já foram adotados.

— Apesar do sucesso da campanha, já que cães cegos e idosos ganharam uma família, ainda restaram aqueles de porte médio e grande, mas que precisam muito de um lar. Sabemos que para este tipo de cachorro, é preciso um ambiente adequado e talvez por isso alguns estejam na fila. Queremos que cada um deles tenha a chance de ganhar um lar de muito amor e carinho. Onde eles estão hoje, eles não vivem, mas apenas sobrevivem — acredita a voluntária Cláudia Tormes

Outra preocupação do grupo envolvido com a campanha é o inverno. Com a proximidade de dias mais frios, o local onde os cachorros ficam oferece riscos à saúde, já que as casinhas são precárias e não oferecem proteção suficiente contra o vento ou a chuva.

— Agora que conseguimos adotar alguns, todos têm uma casinha. Mas, muitas estão sem fundo, o que obriga os animais a dormirem diretamente na terra úmida. As laterais também têm frestas e há buracos até nos telhados. Fora isso, muitos cachorros dormem sob fezes, pois ninguém limpa a chácara durante a semana. Quando os voluntários chegam no sábado, sempre fazem uma limpeza geral — conta Marina Bueno Manfro, outra voluntária que ajuda na campanha.

Conforme a diretora do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da prefeitura de Caxias, Marcelly Paes Felippi, os cães que não forem adotados até o final do mês serão transferidos para o Canil Municipal (antiga Soama). Porém, como lá vivem muitos animais, inclusive, os gatos que estavam na Apas e passam por acompanhamento veterinário, ainda é preciso de muito apoio da população. 

— Temos uma campanha da prefeitura (Adote por Amor) também, que tenta sempre envolver os cachorros da Apas. Quanto mais animais forem adotados, melhor será para eles também. Quando se adota de forma consciente, a felicidade é consequência — afirma Marcelly.  

COMO ADOTAR

Aos sábados, das 9h às 16h, voluntários estão na Apas (Rua Bortolo Zanrosso, 279, bairro Parque Oásis, fundos da lagoa). Interessados também podem agendar visita com as ONGs Help Vira-Latas ou S.O.S Peludos pelos telefones (54) 99980.2821 ou (54) 99182.9035. Não há custos para adoção: basta comprometer-se em tratar bem o novo companheiro.

Envolvimento

Nove entidades ajudam na campanha de adoção do animais da Apas: Help Vira-Latas, Brechó Chi Cão, Amor Vira-Lata, Chic Dog, Estação da Ração, Miss Dog, PAC, Palandi e a S.O.S Peludos  

Otto e Vicky ganharam uma família

A médica Alexandra Rech Vieira, 26 anos, sempre teve vontade de adotar um cachorro e, ao procurar por Ongs de Caxias na internet, se deparou com a triste história dos animais da Apas. Quando teve o primeiro contato com os animais da chácara, Alexandra e o noivo se apaixonaram por Otto, um vira-lata de porte médio e extremamente assustado. Como o cão se adaptou super bem ao apartamento do casal, eles resolveram voltar a Apas e adotaram uma cachorrinha: Vicky, irmã de sangue de Otto e que vivia há anos em situação precária no local.

— Já que teria mais tempo para me dedicar, decidi que havia chegado a hora de mudar a vida de algum animal. Quando conheci o Otto, ele era extremamente assustado e sempre que alguém se aproximava ele urinava ou evacuava de tanto medo, coisa que não acontece mais.  Dias depois decidimos adotar outro e optamos pela Vicky por ser irmã de sangue dele. Foi amor à primeira vista pelos dois — conta Alexandra.

Vicky (E) e Otto felizes na nova casa. Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Os dois irmãos se adaptaram rapidamente ao novo lar, o que obviamente não poderia ser diferente, afinal hoje eles têm camas quentes, além de água e comida.

— Hoje, sou realizada com os dois. A gratidão de um animal adotado é muito maior e faz um bem enorme saber que eu pude mudar a vida deles — comemora a médica, que já tinha outra cadela como membro da família. 

ADOTE
Os cães abaixo e muitos outros esperam por um lar e por um nome. Ajude:

O olhar assustado desse cachorro, com aproximadamente dois anos, entrega o medo que sente. As voluntárias não sabem ao certo quando ele foi parar na Apas, mas provavelmente sofreu agressão. Ele é de porte médio, dócil e apenas precisa de amor, carinho e paciência para perder o medo. 

Foto: arquivo pessoal / Divulgação

Mesmo com uma das patas atrofiada, essa cadelinha é independente e muito dócil. Ela é de porte grande, tem cerca de oito anos e uma personalidade bem tranquila, apesar de gostar de uma bagunça. Além disso, ela adora um carinho e um bom cafuné.

Foto: arquivo pessoal / Divulgação

A idade um pouco avançada não impede que essa cachorra, com aproximadamente 10 anos, não seja ativa e brincalhona. Ela é de grande porte, mas muito dócil. Ideal para quem quer uma boa companhia. 

Foto: arquivo pessoal / Divulgação

Quando foi atacado por um porco espinho, esse cachorro de grande porte, com cerca de oito anos, ficou com o focinho bem machucado. Ele ainda é um pouco assustado, mas nada que um pouco de carinho e atenção não resolva. 

Foto: arquivo pessoal / Divulgação

Esse cãozinho de porte médio, recentemente convulsionou e precisa de cuidados. Ele vive na chácara há muitos anos e só quer uma família que lhe dê muito amor. Além disso, é carente por atenção. 

Foto: arquivo pessoal / Divulgação

NA JUSTIÇA

Tramita na 3ª Vara Cível um processo de reintegração de posse do terreno onde hoje está instalada a Apas. A determinação do juiz Carlos Frederico Finger é para que o local seja desocupado. Contudo, o responsável pela Apas, Flávio Dias, ainda não recebeu a intimação sobre a decisão. Em caso de não cumprimento da ordem, o juiz determinou a cobrança de multa no valor de R$ 2 mil por mês.

 
 

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