Terceira greve dos médicos de Caxias começa com 1,2 mil consultas canceladas - Geral - Pioneiro

Saúde pública17/04/2017 | 18h17Atualizada em 18/04/2017 | 15h22

Terceira greve dos médicos de Caxias começa com 1,2 mil consultas canceladas

Reunião na noite desta segunda-feira na prefeitura da cidade pode encaminhar um fim ao movimento de paralisação

Terceira greve dos médicos de Caxias começa com 1,2 mil consultas canceladas Suelen Mapelli/Gaúcha Serra
Três médicos na UBS do bairro Vila Ipê aderiram à greve, que não tem prazo para terminar Foto: Suelen Mapelli / Gaúcha Serra

O primeiro dia da terceira greve dos médicos servidores de Caxias do Sul em 2017 resultou em 1.236 consultas não realizadas nesta segunda-feira. O número foi divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde e refere-se a atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Centro Especializado de Saúde (CES) (onde estão as consultas com especialistas) e no Cais Mental. Apenas nas UBSs, de acordo com a pasta, deixaram de ser realizadas 983 consultas.

Em entrevista ao Gaúcha Repórter, da Gaúcha Serra, o presidente do Sindicato dos Médicos de Caxias, Marlonei dos Santos, afirmou que a adesão neste primeiro dia foi de 80% entre UBSs, Centro de Especialidades e Postão 24 horas. Já no Cais Mental, teria sido de 60%. 

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Levantamento da Secretaria da Saúde, no entanto, aponta que 57,7% dos profissionais paralisaram os braços. Na tarde desta segunda-feira, a reportagem esteve no CES e em mais quatro UBSs. No Centro Especializado, dos sete médicos da escala, dois deixaram de trabalhar. No posto do Desvio Rizzo, a quantidade de médicos não foi informada; no Santa Fé, um clínico geral aderiu; no Vila Ipê, três; e no Belo Horizonte, nenhum está em greve.

Ao contrário das demais paralisações do ano, a de agora não tem prazo para terminar. O impasse entre prefeitura e médicos começou no início do ano, quando o Executivo exigiu que todos os profissionais passassem a cumprir a carga horária e não mais atender por cotas nas UBSs e no Centro de Especialidades. A medida entrou em vigor a partir de 1º de março. Depois, prefeitura e médicos passaram a discutir salários.

— Era prevista uma adesão maior, acho que ficou abaixo do estimado, o que mostra que há muitos colegas que não concordam com o movimento. São médicos sensatos que entendem que o bem estar da população está acima disso — analisa o secretário da Saúde, Fernando Vivian.

O município ofereceu uma bonificação aos médicos baseada na quantidade de atendimentos e em avaliação feita pelos pacientes após as consultas. O sindicato da categoria propõe salário de R$ 79,71 por hora trabalhada, o que seria o valor máximo que a prefeitura poderia oferecer com a bonificação, mas não aceitam nem a avaliação de atendimento, nem a quantidade de pacientes exigida para remuneração por produtividade. 

Conforme o presidente do sindicato, cada UBS terá um médico responsável por apontar colegas que descumprirem a greve e resolverem trabalhar. Na noite desta segunda, uma comissão de médicos se reunirá com o prefeito Daniel Guerra. O que for proposto nessa reunião será discutido na assembleia da categoria, na noite desta terça-feira.

 
 
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