"Só eu sei o que passei lá", diz idosa que se perdeu em matagal no interior de Caxias - Geral - Pioneiro

Resgate17/04/2017 | 15h02Atualizada em 17/04/2017 | 17h58

"Só eu sei o que passei lá", diz idosa que se perdeu em matagal no interior de Caxias

Nair Masotti Broliato, 88 anos, ficou mais de 24 horas sozinha num mato em Vila Seca

"Só eu sei o que passei lá", diz idosa que se perdeu em matagal no interior de Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Dona Nair teve alguns arranhões no rosto, pernas e braços. Ela ainda se recupera no hospital. Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A vontade de reencontrar a família fez com que a aposentada Nair Masotti Broliato, 88 anos, sobrevivesse por mais de 24 horas sozinha num mato em Vila Seca, interior de Caxias do Sul. Ela passava o feriado numa chácara, na localidade de Boca da Serra, quando se perdeu no começo da tarde de sábado ao ir juntar pinhões. A angústia teve fim no domingo, por volta das 14h30min, no momento em que foi localizada por um casal que passava de carro pela Rota do Sol.

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Ainda confusa e se recuperando de alguns arranhões no rosto, nas pernas e nos braços, dona Nair recebeu o Pioneiro nesta segunda-feira, no Hospital da Unimed. Feliz e bem emocionada, ela conta que só teve forças de seguir até a estrada por pensar na preocupação dos familiares.

— Meu pensamento era só em sair do mato e encontrar logo alguém que me ajudasse. A toda hora eu pensava na minha gente, na angústia que estavam sentindo, eu não queria deixar ninguém triste — explica ela, que mora no bairro São José, em Caxias, e costuma passar finais de semana e feriados na chácara.

Além do perigo em estar sozinha num lugar de mata fechada e com barrancos e paredões de pedra, a idosa passou exatamente 26h30min sem comer e beber água. Em alguns momentos, dormiu escorada em árvores, passou frio, tropeçou em pedras e até caiu num banhado. Por várias vezes, dona Nair pensou que iria morrer, mas sempre juntava forças e, mesmo molhada e sem fôlego, já que tem problemas cardíacos, continuava a caminhada em busca de ajuda. Foi tanto tempo perdida que a idosa pensava estar há dias no mato.

— Só eu sei o que passei lá, parece que fiquei uns três dias por lá, de tanto que andei. Mas, eu sempre rezava para não perder a força de continuar. Quando consegui chegar na estrada, eu gritava "socorro, socorro". Daí, um carro parou e me ajudou, chamaram a polícia e me levaram até minha família. Foi aí que nasci de novo. 

A nora de dona Nair, Diva Broliato, 68, estava preparando o almoço quando percebeu o desaparecimento. Na mesma hora, ela e o marido iniciaram as buscas, porém sem sucesso. O Corpo de Bombeiros de Caxias foi acionado ainda no sábado, e na manhã de domingo o grupo recebeu ajuda da corporação de Porto Alegre, com cães farejadores. Mais de 80 pessoas participavam das buscas, incluindo bombeiros, familiares e amigos. 

— Quando vi todas aquelas pessoas me esperando e aplaudindo, me senti tão feliz que não sei nem explicar. Ganhei uma nova chance de vida — lembra dona Nair.

Da perigosa aventura ficou uma lição: não ignorar as recomendações da família.

— Me falaram para não ir longe, mas eu não obedeci. Agora já aprendi, nunca mais vou sair sozinha e no mato ainda. Prometi para mim que não vou mais fazer isso — finaliza ela.

 
 

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