Memória: os tempos da antiga Livraria Saldanha - Geral - Pioneiro

Cultura20/04/2017 | 10h00Atualizada em 20/04/2017 | 13h57

Memória: os tempos da antiga Livraria Saldanha

A família Saldanha chegou a Caxias do Sul em 1918, destacando-se fortemente desde o início no cenário cultural caxiense

Marcado como um dos prédios históricos de Caxias, localizado na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Visconde de Pelotas, o casarão que antigamente abrigava a saudosa Livraria Saldanha ainda hoje resguarda em pequenos detalhes ares do tempo em que atuava como um dos principais comércios da cidade. Construído pela família Saldanha, na década de 1910, o prédio de alvenaria de estilo eclético teve sua arquitetura inspirada na art déco.

Foto: Acervo / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

Ao mesmo tempo em que abrigava em seu térreo a livraria e um pequeno bazar, seu andar superior servia como moradia para a família.A entrada principal encontrava-se na esquina, e o acesso se dava por um pequeno lance de degraus, enquanto as outras entradas eram laterais, exibindo uma série de janelões que servem como vitrines. A entrada para a residência era independente, e se abria para a Rua Visconde de Pelotas. Essa parte do prédio era mais simples, trazendo em si pouca decoração, com os adornos concentrados principalmente no nível de cima. 

Ainda hoje, existem ali as quatro sacadas de alvenaria com parapeito geométrico, o qual abriga portas envidraçadas acompanhadas de colunas estilo coríntias, com a ainda sutil presença de cornijas na parte superior.As janelas, decoradas com atraentes trabalhos de caixilharia do século 20, completam o andar superior. O prédio é coroado com um largo muro com o topo de sua fachada alinhado à sacada, na qual existem baixos-relevos com figuras simbólicas representando três das principais artes: a Música, a Pintura e a Poesia.

A família Saldanha chegou a Caxias do Sul em 1918, destacando-se fortemente desde o início no cenário cultural caxiense. As irmãs Nieta e Nininha fundaram uma escola nos altos do prédio da livraria e tiveram atuação de destaque como escritoras, em radionovela e teatro. Além disso, ambas promoviam bailes, concursos e festas que movimentavam a vida cultural da cidade, que, na época, já encontrava-se em processo acelerado de crescimento devido à recente chegada do trem. O movimento intenso do centro caxiense, as pessoas e os comportamentos que marcaram a existência da Livraria Saldanha hoje estão vivos apenas na memória dos caxienses, porém, a importância dos anos marcados pela família e por toda a sua contribuição no movimento cultural da cidade é reconhecida até hoje por aqueles que vivenciaram a época. 

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Réplica da Livraria

Foto: Acervo / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

Em 2010, a Biblioteca Pública Dr. Demetrio Niederauer montou uma réplica da Livraria Saldanha no Parque da Festa Nacional da Uva. O espaço tinha como objetivo levar informação, cultura e lazer ao público, além da experiência de vivenciar a história da cidade e suas manifestações literárias. A réplica tinha ainda arquivos com livros raros da Biblioteca Pública, dando espaço para a obra atual de escritores caxienses, e caixas da memória da Festa da Uva com artigos, fotos e folhetos do decorrer das edições.

Ações como essa marcam a importância da revitalização da memória caxiense principalmente entre o público mais jovem. Os arquivos ainda podem ser consultados junto à Biblioteca Pública de Caxias do Sul. 

Tombamento

Na foto, no parque da Festa da Uva, ambiente da Livraria Saldanha Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O prédio da antiga Livraria Saldanha foi inscrito no Livro Tombo do Município de Caxias do Sul sob o nº 004, em 14 de abril de 1988. Apesar disso, sofreu grandes modificações e uma significava descaracterização ao longo do tempo, perdendo muito de seu original estilo e vários elementos decorativos. 

Devido ao crescimento da cidade, o prédio também traz espelhamentos do grande fluxo comercial atual, com placas na fachada, além da pesada fiação de iluminação pública, as enormes lixeiras e diversos elementos que tornam o atual prédio cada vez mais distante de seu valor histórico e da concepção inicial.

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