Em mensagem, secretário de Saúde de Caxias diz que médicos "nunca foram tão menosprezados" - Geral - Pioneiro

Crise no SUS08/04/2017 | 13h05Atualizada em 09/04/2017 | 17h50

Em mensagem, secretário de Saúde de Caxias diz que médicos "nunca foram tão menosprezados"

Profissionais devem entrar em greve pela terceira vez no ano na semana que vem

Em mensagem, secretário de Saúde de Caxias diz que médicos "nunca foram tão menosprezados" greve dos médicos,greve 2017,saúde 2017,greve dos médicos caxienses 2017,ubs cinquentenário/Agencia RBS
Na última greve, entre 20 e 24 de março, mais de 5 mil consultas foram canceladas em Caxias Foto: greve dos médicos,greve 2017,saúde 2017,greve dos médicos caxienses 2017,ubs cinquentenário / Agencia RBS

Os médicos que atendem o Sistema Única de Saúde (SUS) em Caxias do Sul devem entrar em greve novamente na semana que vem. Na manhã deste sábado, o sindicato da categoria anunciou que a prefeitura da cidade não respondeu à contraproposta feita pelos profissionais no final de março. O documento foi encaminhado pelo presidente da entidade, Marlonei dos Santos, ao prefeito Daniel Guerra (PRB) e ao secretário da Saúde, Fernando Vivian.

Ele sugeriu um novo sistema de pagamento salarial: R$ 79,71 por hora trabalhada. Hoje, os médicos recebem salário mensal correspondente a três cargas horárias semanais diferentes: 12h, 20h ou 33h. O Executivo não respondeu porque só aceita negociar com uma comissão formada diretamente pelos servidores, sem o intermédio do sindicato. A proposta inicial de Guerra era um aumento vinculado a produtividade e qualidade nos atendimentos. Vivian salienta que existe uma determinação judicial para o trâmite e que ele não tem poder de resolver o impasse.

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— Há um acórdão que me impede, porque o prefeito solicitou uma comissão de médicos servidores para negociar. Infelizmente, tenho orientação da Procuradoria do município a não me manifestar em questões trabalhistas como a de agora — explica.

O secretário assumiu na última segunda-feira, dia 3 de abril, em substituição a Darcy Ribeiro Pinto Filho. Além de lidar com uma crise institucional que vai novamente refletir na população, Vivian já tem uma polêmica à frente. Neste sábado, Marlonei dos Santos leu uma mensagem que o secretário compartilhou em um grupo de médicos no Whatsapp, no dia 28 de fevereiro, em que diz que os profissionais de Caxias "nunca foram tão menosprezados" (leia a íntegra no fim da reportagem). Ele garante que não foi uma crítica à gestão de Guerra:

— A situação do menosprezo é em relação à categoria como um todo, o que não é peculiar a Caxias. Quando me dirigi ao grupo, foi apontando a necessidade de resgatar a primazia da profissão. Em nenhum momento faço alusão que a culpa seja do Executivo. Respeito muito o sindicato e reconheço como extremamente importante para as negociações da categoria.

Terceira paralisação em um ano

Em assembleia na noite de segunda-feira, os médicos devem confirmar a terceira greve de 2017. A primeira foi entre os dias 1º e 3 de março, e a segunda entre 20 e 24 de março — que cancelou 5,6 mil consultas. Os dias de mobilização e as limitações impostas à população serão definidas em votação. 

Para ser considerada legal, a paralisação deve atender à legislação vigente, sendo que uma das obrigações é que a prefeitura seja avisada com 72 horas de antecedência. Se os médicos decidirem pela greve na segunda, e o poder público for comunicado no mesmo dia, a mobilização pode começar na quinta-feira.

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Batista, esteve em Caxias para apoiar a paralisação. Ele criticou o que considera uma falta de diálogo de Daniel Guerra e se disse "frustrado" com o impasse:

— O movimento tem nossa solidariedade e participação direta. Me deixa frustrado a falta de diálogo e a intransigência desta gestão. O médico tem, sim, direito de reivindicar como qualquer outra categoria, e todas as formas de negociação até agora não adiantaram. De que serve ter um Neymar se do outro lado há uma equipe que não quer jogar?

Veja a contraproposta apresentada pelos médicos:

A íntegra da manifestação de Fernando Vivian no Whatsapp:

Prezado Dr. Marlonei e prezados colegas,

Como muitos daqui deste grupo, tenho TODO INTERESSE numa solução para minha carga horária e o que vou levar para a aposentadoria. Percebo nitidamente uns poucos sensatos e no interesse realmente COLETIVO. Mas, infelizmente, há atiçadores de Whatsapp com interesses pessoais acima do coletivo, e alguns (poucos, felizmente) com teorias de conspiração que podem respingar sobre a minha responsabilidade com este grupo e na minha fidelidade a este movimento que é LEGÍTIMO e PROCEDENTE.

Mas para manter a liberdade das discussões vou me retirar do grupo, a contragosto, mas pelo bem do movimento e para preservar qualquer ínfima idéia de que minha ligaçao de trabalho pudesse estar relacionada a "vazamentos" de informações. E isto que escrevo NAO SE ENDEREÇA A NINGUÉM EM ESPECIAL — caso o fosse, parafraseio o colega Norberto Nora: "eu estaria iniciando a frase com o nome".

Meu caro Marlonei, já estivemos unidos em outros movimentos e portanto sequer questiono tua confiança em meu caráter. Os médicos desta cidade nunca foram tão menosprezados. Espero que este seleto grupo consiga trazer de volta nossa dignidade. E contem com meu apoio. Um fraterno abraço a todos os colegas.

Fernando Vivian


 

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