Atendimento médico nas UBSs de Caxias agrada a 83% dos entrevistados - Geral - Pioneiro

Saúde19/04/2017 | 08h30Atualizada em 19/04/2017 | 10h43

Atendimento médico nas UBSs de Caxias agrada a 83% dos entrevistados

Pesquisa do Pioneiro ouviu 86 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) 

Atendimento médico nas UBSs de Caxias agrada a 83% dos entrevistados Diogo Sallaberry/Agencia RBS
UBS do bairro Diamantino foi uma das visitadas Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Na semana em que médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) iniciam a terceira paralisação do ano, o Pioneiro revela o resultado de uma pesquisa feita com usuários de 23 das 47 unidades básicas de saúde (UBSs) de Caxias do Sul. Das 150 pessoas abordadas pela reportagem no período de duas semanas, 86 toparam participar e devolveram informações importantes: 83,8% delas disseram estar satisfeitas com o atendimento recebido pelos médicos nos postinhos. Essa maioria descreveu profissionais qualificados, atenciosos e que se interessam em providenciar o diagnóstico com exames ou encaminhar o caso a um especialista. As consultas, no entanto, são rápidas, já que mais da metade dos atendidos diz que foi liberado em até 14 minutos (confira os resultados abaixo).  

— Fui bem atendido e gostei da objetividade do médico — diz Rafael Weber, 31 anos, atendido na UBS do bairro Mariani. 

— No meu caso, acho que não foi nem uma consulta. Durou quatro minutos, e olhe lá. Nem me ouviu e já me encaminhou para um especialista — reclama o aposentado Ari Modena, 68 anos, do Diamantino.

Pode-se perceber, por exemplo, que maior parte dos usuários das UBSs são mulheres. A maioria tem entre 41 e 59 anos, ainda que o número de idosos seja grande, chegando a 32,5%. A pesquisa do Pioneiro foi construída a partir de sugestões semanais enviadas pela população sobre o atendimento nas UBS e também aproveitou o momento em que o poder público e a classe médica discutem a qualidade do atendimento e a produtividade — a primeira proposta de reajuste salarial ofertada pela prefeitura condicionava o reajuste à avaliação da população e a um número mínimo de pacientes. Apesar de simples, a consulta traz subsídios que podem ajudar as autoridades a melhorar ainda mais os serviços oferecidos à população. 

Tempo

A pesquisa também mostrou que o tempo de espera para retirar uma ficha de consulta é o que mais causa transtorno à rotina dos usuários. Na UBS do Cinquentenário, por exemplo, há pacientes que se instalam na fila às 4h. O mais comum nos demais postinhos é chegar entre 5h e 6h. Os pacientes justificam que esta é a única maneira de garantir atendimento, já que as poucas fichas disponíveis são distribuídas logo que as UBSs abrem, por volta de 7h30min:

— Na semana passada, eu vim às 6h e sai sem ficha. Então, tive que voltar outro dia às 5h — exemplifica Jorge Antônio Leal, 46 anos, do Bela Vista.

Com a necessidade de cumprimento da carga horária, alguns profissionais optaram pela redução de horas trabalhadas, o que diminuiu o número de consultas ofertadas. Segundo a coordenadora da Atenção Básica em Caxias do Sul, Maria Elenir de Oliveira Anselmo, o hábito de madrugar na fila é comum, afirma ela, e pode ser prejudicial à saúde do paciente que, na maioria das vezes, já está doente.

— Médicos que antes atendiam em duas UBSs agora estão em uma só, por exemplo. Estamos tentando trabalhar com a reposição do pessoal, para começar a facilitar este atendimento. Mas é bom também orientar o usuário para que não chegue tão cedo, porque, às vezes, isso acaba agravando até a condição de saúde dele — defende Maria Elenir.

Com relação ao pouco tempo de atendimento — que em alguns casos não passa de cinco minutos — , a coordenadora diz que isso fere uma orientação da Secretaria da Saúde, que recomenda o atendimento de até quatro pacientes por hora. 

— Está valendo desde o dia 1º de março. Isto é o recomendável — afirma. (colaboraram Kamila Mendes e Maurício Tonetto)

OS ÍNDICES

Faixa etária

:: Até 40 anos: 22 pessoas (25,58%)
:: De 41 a 59 anos: 36 pessoas (41,86%)
:: A partir de 60: 28 pessoas (35,55%)

Duração da consulta:

:: Zero*: 3 pessoas (3,48%)
:: Até 5 minutos: 27 pessoas (31,39%)
:: 6 a 14 minutos: 23 pessoas (26,74%)
:: Acima de 15 minutos: 33 pessoas (38,37%)

Sexo
:: Feminino: 53 pessoas (61,62%)
:: Masculino: 33 pessoas (38,37) 

Horário de chegada na UBS
:: 4h às 5h: 7 pessoas (8,13%)
:: 5h às 6h: 33 pessoas (38,37%)
:: 6h às 7h: 46 pessoas (53,48%)

Avaliação:
:: Satisfeito: 72 pessoas (83,72%)
:: Insatisfeito: 11 pessoas (12,79%)

Não pôde opinar*: 3 pessoas (3,48%)

* Três pessoas não puderam responder sobre a duração da consulta e nem avaliar se a consulta foi positiva: duas delas não encontraram médicos na UBS do Belo Horizonte e outra não conseguiu ficha, mesmo chegando às 6h na UBS do Esplanada.

AS UBSS CONSULTADAS

Bela Vista
Belo Horizonte
Campos da Serra
Cinquentenário
Cruzeiro
Desvio Rizzo
Diamantino
Esplanada
Fátima Alta
Fátima Baixa
Madureira
Mariani
Planalto Rio Branco
Reolon
Rio Branco
Sagrada Família
Santa Lúcia
São Caetano
São Ciro
São José
São Leopoldo
Século XX
Vila Ipê

O QUE OS PACIENTES DIZEM:

"No dia que procurei, não tinha médico nem dentista. E fui às 6h30min para a fila. Eu já tinha consulta agendada há dois meses, era para mostrar exames. A orientação que nos passaram é de checar todos os dias se tem médico ou não. Agora, possivelmente, vou precisar repetir os exames na hora de mostrar, porque já se passou muito tempo. Aconteceu a mesma situação com meu sogro, que faz acompanhamento do câncer de próstata. Adriana Rodrigues Domingues, 31, metalúrgica , UBS Belo Horizonte.

"Eu vou sempre e gosto muito dali. Só precisaria de uma ginecologista e de mais vagas para a dentista. Eleone de Jesus, 50 anos, zeladora. UBS Santa Lúcia

"A médica disse que era sua primeira consulta, e o atendimento foi ótimo. Sai de lá com receitas de remédios para meu tratamento". Marizete Ferreira Lima, 57 anos, aposentada. UBS Rio Branco

"Fui pela primeira vez e fui muito bem atendida. Não me prescreveram nada enquanto eu não tivesse os exames que me pediram em mãos. Gostei bastante". Isabel de Souza, 49 anos, enfermeira domicilar. UBS São Leopoldo

"Minha filha está com 10 meses e levo desde os dois meses ali. Gosto porque é sempre a mesma médica, que é muito atenciosa". Enir Castro Júnior, 43 anos, aeroviário. UBS Madureira.

"Gostei bastante do atendimento médico, mas achei péssima a demora no atendimento de manhã". Lincoln Antônio Darabas, 33 anos, auxiliar de manutenção. UBS Cinquentenário

"Poderiam ser atendidas mais pessoas numa manhã. Os médicos são rápidos e, naquele dia, foram apenas sete fichas. Mas poderiam ser 20" Jorge Antônio Soares Leal, 46, metalúrgico. UBS Bela Vista.

"O médico é muito bom, me deu toda a atenção. O ruim é ficar na fila cedo. A gente fica com medo de assalto porque ainda é escuro". Neiva Maria Dutra, 60 anos, aposentada. UBS Cruzeiro.

"Estou grávida e não tem ginecologista. E eles me disseram que não tem previsão. Então, por enquanto, o atendimento é com o clínico-geral". Cleonice Monteiro Pereira, 35 anos, do lar. UBS Campos da Serra.

"Tanto a doutora Carla quanto a Gabriela são ótimas para mim e para meu filho. Não tenho do que me queixar. Elas são supercompetentes, o atendimento é bom". Paula Adriana de Camargo, 45 anos, cuidadora. UBS Madureira.

"Eu vou no posto há anos, e só tenho a agradecer a essas pessoas. São uns anjos que cuidam muito bem de nós. Eles trataram muito bem meu marido antes de ele falecer e, depois que eu o perdi, elas me ajudaram bastante. Seja com tratamento ou com uma conversa. Quanto ao atendimento de lá, melhor é impossível". Marivone de Azevedo, 59 anos, aposentada. UBS Mariani. 

"Achei a consulta 100%, muito boa. E não me importo com o atraso, porque no sistema privado também funciona assim". Daniel Luis Moschen, 43 anos, comerciante. UBS Cruzeiro.

"Tem vezes que a gente fica com vergonha do médico, de contar os problemas. Mas a médica me deixou muito confortável, me explicou que a função dela é essa. Foi bastante atenciosa, me prescreveu tudo que eu precisava. E agora eu estou melhor, graças a ela. Fiquei muito feliz". Oneide Noronha, 69 anos, aposentado. UBS São Leopoldo.

"O atendimento é muito bom, tanto do médico quanto da equipe. O problema é que tem pouco médico disponível. Tem que ir cada vez mais cedo para conseguir uma ficha" José Freitas de Camargo, 65, vigilante, UBS Esplanada.

" O médico é bom. Todo mundo já falava bem dele, e comprovei, porque ele me deu toda a atenção que precisei. O ruim é ir cedo, porque se tu vai às 7h, não tem mais ficha. Fora isso, o pessoal é muito bom pra nós". Neiva Maria Dutra, 60 anos, aposentada. UBS Cruzeiro.

"Eu me trato há bastante tempo, e o bom é que é sempre com a mesma médica. Então, nós acabamos criando confiança. Gosto muito da agilidade da UBS e do carinho com que me tratam". Heloísa Machado, 64 anos, costureira. UBS Mariani.

**Colaboraram Kamila Mendes e Maurício Tonetto

 

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