Como foi o ataque contra carro-forte usando arma que derruba até avião em Vacaria - Geral - Pioneiro

Assalto audacioso14/03/2017 | 20h59Atualizada em 14/03/2017 | 21h24

Como foi o ataque contra carro-forte usando arma que derruba até avião em Vacaria

Calibre .50, manuseado por tropas de elite da Forças Armadas, estava nas mãos de assaltantes em ação na serra gaúcha

Como foi o ataque contra carro-forte usando arma que derruba até avião em Vacaria Ismael Sartor/Rádio Fátima
Ataque ousado ocorreu na altura do km 54 da BR-116, em Vacaria, na Serra Foto: Ismael Sartor / Rádio Fátima

Armamento de guerra, carro protegido com placa de aço e operação de filme de ação. A cena foi protagonizada por um grupo de cerca de seis criminosos na tarde de segunda-feira, na altura do km 54 da BR-116, rodovia federal de pista simples que corta o município de Vacaria, na Serra.

Divididos em dois carros — um Sorento e um Vectra —, criminosos arquitetaram o mais ousado assalto a carro-forte já visto pela Polícia Civil em solo gaúcho. Nos últimos episódios registrados no Estado, os assaltantes só conseguiram parar o carro blindado porque provocaram uma colisão com caminhão de grande porte. Desta vez, o transporte de valores foi interceptado por tiros de calibre .50 — munição que pode superar mil metros de distância e tem capacidade de perfurar tanques de guerra e derrubar aeronaves.

Segundo o coordenador da do Instituto-geral de Perícias na Serra, Airton Kraemer, os criminosos fizeram os disparos com uma metralhadora .50. A arma, de grande poder ofensivo, é restrita às Forças Armadas. Ainda não se sabe se é de fabricação nacional ou estrangeira.

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Quanto às munições, a perícia conseguiu identificar que são de fabricação nacional. Portanto, só podem ter sido furtadas do Exército ou da Companhia Brasileira de Cartuchos — empresa responsável pela fabricação.

A perícia pretende identificar se as munições são originais ou foram recarregadas. Durante a ação, um caminhão-tanque foi atravessado na pista junto com três veículos incendiados. As pessoas que ocupavam os carros não se feriram, uma vez que o objetivo era parar o trânsito. Quando o carro-forte se aproximou da trincheira, os tiros foram disparados de dentro do Sorento contra o motor do transporte de valores da Brinks.

Os vigilantes foram rendidos e o cofre, dinamitado. Após a explosão, os bandidos roubaram o dinheiro e fugiram. O Sorento, deixado no local do crime, foi adaptado para a ação. Chapas de aço foram instaladas para proteger os ocupantes de um possível confronto. O banco traseiro foi arrancado e substituído por uma haste de ferro que, segundo a polícia, foi usada para apoiar a metralhadora. Dois cartuchos da munição .50 foram encontradas dentro do carro.

— Estavam encapuzados e usavam luvas. A ação foi bem-sucedida. Demonstraram ser criminosos experientes na utilização de armamento pesado e de explosivos — avaliou o delegado Joel Wagner, da Delegacia de Repressão a Roubos, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Apreensão de munição .50 no RS inédita

O delegado espera que investigações antigas e estruturadas de organizações criminosas especializadas em assalto a banco e a carro-forte ajudem a identificar os responsáveis pelo inusitado roubo de

segunda-feira. Wagner não descarta a possibilidade de haver financiamento do tráfico de drogas para o uso de armamento tão pesado. Até então, o policial não tinha visto apreensão de munição .50 no Estado. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso.

Reportagem recente do Fantástico mapeou a apreensão de apenas 11 armas desse tipo ao longo de nove anos em seis Estados brasileiros. Segundo o editor-chefe do Portal Defesanet e especialista em defesa, Nelson During, esse tipo de equipamento não é usado pela tropa comum, apenas por atiradores de elite de forças especiais.

Tanto o especialista Nelson During quanto o delegado Joel Wagner acreditam que a arma .50, raramente apreendida no Brasil, pode ter entrado no país pelas fronteiras de Paraguai, Argentina ou Uruguai. Segundo During, a munição foi criada pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente, era utilizada para grandes rajadas de metralhadora. Com o tempo, os militares descobriram novas possibilidades e criaram o fuzil .50, capaz de atingir o alvo a longa distância, e que passou a ser utilizado em tanques de guerra e em aviões das forças aéreas.

Para efeito de comparação, enquanto um tiro de revólver calibre 38 alcança cerca de cem metros, o de fuzil .50 pode ultrapassar mil metros com razoável precisão. Além disso, a munição pode perfurar blindados e derrubar aeronaves.

— As armas apreendidas com criminosos normalmente estão descalibradas e não tem boa aferição. O tiro sai e não se tem certeza de onde vai acertar. Agora, se pega alguém que tenha conhecimento e acesso a material bom, aí temos um problema e tanto — ponderou During.

Outros roubos emblemáticos

Dezembro de 1995 — Ladrões liderados por Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, renderam policiais rodoviários no antigo posto da corporação na ERS-122, na entrada de Farroupilha. Os criminosos usavam a farda dos servidores e simularam uma blitz na rodovia. Motoristas de carros de passeio foram rendidos. Um caminhão foi atravessado na pista para bloquear a passagem de um blindado da Prosegur. A quadrilha abriu fogo contra o veículo e roubou o dinheiro que seria usado no pagamento de funcionários de duas grandes empresas. A partir desse ataque, as investidas contra blindados se tornaram rotina no Estado. Papagaio está preso em Charqueadas.

Setembro de 2002 — O bando comandado por Charles Robsen Ferreira Kaiser, o João Loucura, parou um carro-forte pela primeira vez utilizando um caminhão na BR-116, em Galópolis, interior de Caxias do Sul. João Loucura era apontado pela Polícia Civil como um dos mais temidos bandidos do Estado. Natural de Porto Xavier, foi criado em São Leopoldo e mudou-se ainda na adolescência para Caxias do Sul. Antes de atacar na BR-116, já havia assaltados bancos em Caxias do Sul, Guaporé, Bom Jesus e Nova Roma do Sul. Acabou tornando-se mentor de um dos maiores assaltantes do RS, José Carlos dos Santos, o Seco. João Loucura morreu em 2003 na prisão em Caxias.

 
 

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