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Memória19/01/2017 | 10h09Atualizada em 20/01/2017 | 10h05

Uma viagem ao Velho Mundo em 1910

Durante toda o itinerário, Facchin se comunicava por cartas e cartões postais com a família

Bruna Marini especial
Bruna Marini especial

bruna.marini@pioneiro.com

O professor italiano Luiz Facchin, no final do ano de 1910, realizou um antigo sonho seu: retornou ao seu berço, realizando uma viagem de quatro meses a Europa e Oriente Médio. Luiz Facchin era natural da Itália, mas foi em Caxias do Sul que passou boa parte de sua vida, principalmente, ajudando a construir a educação do município. 

Fotografia tirada em Roma, em 27 de fevereiro de 1911 Foto: Acervo de família / Divulgação

Durante toda a viagem, Facchin se comunicava por cartas e cartões postais com a família, nas quais demonstrava não só a alegria de conhecer novos locais ou rever velhos conhecidos, mas também as saudades que sentia da mulher e seus filhos. 

Cartas e cartões postais que Facchin enviava para a família Foto: Felipe Nyland / Agência RBS

O passeio foi tão proveitoso que Facchin voltou com 12 quilos a mais e com lembranças dos locais visitados, desde pedras de Jerusalém até folhas de oliveira, retiradas do Monte das Oliveiras — lembranças guardadas até hoje com a família. 

Lembranças da viagem: pedras de Jerusalém e folhas de oliveira, retiradas do Monte das Oliveiras Foto: Felipe Nyland / Agência RBS

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A principal recordação, no entanto, é o seu diário da viagem. Nele constam todos os detalhes, dos locais visitados em determinadas datas, até acontecimentos inusitados. No Brasil, após a saída do porto de Rio Grande, foram feitas paradas em Florianópolis, Itajaí e Rio de Janeiro. Após treze dias navegando, o navio desembarcou nas Ilhas Canárias. Entre as principais paradas descritas em seu diário, estão Nápoles, Patras, Porto Said, Alexandria e Jerusalém, aonde permaneceu por onze dias. Ao chegar a sua terra natal, passou por diversas cidades, de norte a sul, até chegar em Pedavena, norte da Itália, aonde se hospedou.

O local fica a cerca de 10 km de Salzen, local de seu batismo. Não foi até lá, por um único motivo: receio. Americano era visto como "milionário esbanjador", e os povos da Itália não se encontravam nas melhores condições. Em Bassano del Grappa, Facchin visitou Pietro Colbacchini, este o proprietário de uma fundição que fabricava sinos para torres de igreja. Entre estes sinos, estão os da comunidade de Facchin no Brasil, São Marcos da Linha Feijó, os quais chegaram em Caxias do Sul em 1901.

De Gênova, Facchin embarcou para retornar a sua família. No retorno, foi recebido com banda, banquete e missa com coral.

Encontro com o Papa

Ainda em 1910, Luiz Facchin permaneceu no Rio de Janeiro por 12 dias, durante o mês de dezembro. No dia 22, Facchin estava no interior da igreja da Candelaria quando, às 10h, entrou no local o Presidente da República, Hermes da Fonseca, acompanhado de toda a sua família. Conforme registro no diário do professor, a missa teve a participação de um famoso coral.

Já no dia 27 de fevereiro de 1911, Luiz Facchin estava em Roma, quando teve uma das melhores surpresas de sua viagem. Facchin entrou na residência do Papa, e em poucos minutos apareceu em sua frente o Papa Pio X. Ainda segundo os registros do diário de viagem, o professor teve a oportunidade de beijar a mão e o anel do religioso. 

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