Solidariedade é base da Assembleia de Deus, que faz 85 anos em Caxias  - Geral - Pioneiro

Religião16/11/2016 | 11h00Atualizada em 16/11/2016 | 11h50

Solidariedade é base da Assembleia de Deus, que faz 85 anos em Caxias 

Assembleia de Deus comemora 85 anos e desenvolve ações junto à comunidade

Solidariedade é base da Assembleia de Deus, que faz 85 anos em Caxias  Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Entre as atividades está a envagelização Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Os 85 anos da igreja Assembleia de Deus em Caxias do Sul constituem um marco não só de religiosidade aos membros da congregação. O papel social desenvolvido pela instituição beneficia moradores de rua, famílias em vulnerabilidade social e cidadãos que precisam de ajuda em qualquer área, independentemente da religião. Desde ações sociais pontuais, que ocorrem em bairros mais simples aos fins de semana, passando por distribuições de cestas básicas, chegando até programas de reabilitação que adentram em presídios e distribuem alimentos nas ruas, a igreja tem muito o que comemorar neste ano emblemático:

— Nós não fazemos solidariedade por fazer. Somos focados na missão de levar a palavra de Deus, e acreditamos que o voluntariado é uma das maneiras disso acontecer. O movimento assistencial é a forma prática do que pregamos — define o diretor administrativo da igreja em Caxias, Nelson Dutra.


A igreja possui valores distintos. Acredita somente em um Deus, existente em três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), inspira-se na Bíblia Sagrada e na concepção virginal de Jesus até sua ressurreição corporal entre os mortos, além da sua ida vitoriosa aos céus.

Está dividida em 74 unidades espalhadas em quase todos os bairros caxienses, acumulando cerca de oito mil membros. Se somados os simpatizantes, o número beira a 10 mil. Só não cresceu mais porque boa parte dos praticantes são moradores de Caxias vindos de outras cidades, e que durante o período de crise econômica retornaram para seus pontos de origem. Estima-se que centenas dos membros estejam ligados às ações sociais da igreja. As ofertas e dízimos voluntários são destinados para fazer o bem e para a manutenção dos templos, que muitas vezes não precisa de estrutura física incrementada para sediar celebrações.

Quem não tem condições de ajudar financeiramente destina mão de obra em atividades sociais, garante Nelson, como pintura, marcenaria e outras atividades. Há moradores que abrem as portas de casa para sediar os encontros semanais. São os chamados pontos de pregação. Também há quem visite moradias, identifique as situações de vulnerabilidade e preste socorro.

É o caso da assistente social e evangélica Bruna Moreira da Silva. Ela trabalha em um dos braços da Assembleia de Deus, o Centro Filantrópico de Assistência Social Simon Lundgren, que distribui 180 cestas básicas mensais. A entidade administra nove escolinhas vinculadas à prefeitura, e assumirá outras duas no próximo ano.
— Somos responsáveis pela contratação dos profissionais e toda gestão da escolinha. Pela parte religiosa, nos aproximamos destas escolas organizando ações sociais que oferecem desde corte de cabelo até dentista no bairro—lembra Bruna.

Fome de amor e respeito próprio


Programa Fome do Amor resgata mulheres que vivem na rua Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Se usuários de drogas já enfrentam uma vida carregada de preconceito e humilhação por não conseguir abandonar o vício por conta própria, quando se trata de mulheres, a situação fica mais marginalizada.

Morar na rua é ainda mais arriscado e sofrido para o público feminino, já que precisa usar o corpo para moeda de troca na hora de obter drogas, hábito que se mostra frequente nesta morada.

Para tentar resgatar estas mulheres e devolvê-las a uma vida de esperança é que quatro jovens de Caxias do Sul capitaneiam o projeto Fome de Amor. Por iniciativa própria, Ismael Duarte, 30 anos, Daiane Costa Duarte, 30 anos, Caroline Dall Pizzol, 27 anos e Junior Pedroso, 28 anos, decidiram abraçar a causa há cerca de um ano.

 Eles perceberam que há poucos serviços especializados em lidar com mulheres drogadas ou para tirá-las da prostituição. Alugaram uma moradia em que pudessem dividir com elas. As meninas chegam na casa por indicação de serviços públicos ou de pessoas que conhecem em ações sociais promovidas por eles. De imediato, recebem acompanhamento médico via Unidades Básicas de Saúde (UBS) e, principalmente, muito afeto.


— Quando você vai para a casa dos teus pais, não abre a geladeira e come o que sentir vontade? Então, aqui é assim. É a casa delas — define Carol.


As meninas ganham comida, roupas, banheiros e uma cama quentinha. A casa tem capacidade para 10 convidadas, mas atende a seis. Elas são responsáveis por manter a organização do ambiente e respeitam a uma rotina que envolve religião e respeito. Há regras, e são para o bem das meninas, garantem os organizadores.

 A dedicação é tanta que Ismael e Caroline deixaram seus empregos para dedicar-se completamente ao serviço. Daiane e Junior são quem bancam as contas, também dribladas com doações que recebem com frequência. Ismael e Junior sabem o sofrimento que é conviver com o vício da droga. Ambos foram recuperados na Assembleia de Deus. Junior chegou a viver nas ruas, já que consumia crack com certa frequência. Querem agora devolver às meninas valores que redescobriram na religião. 

— Mudou desde a minha aparência até meu relacionamento com a família. Agora posso me reaproximar da minha filha. Só quero um emprego para ficar melhor — conta Fernanda da Silva,24 anos,  que frequenta a casa há nove meses, após 9 anos de vício.
— E eu quero voltar a estudar — prevê Bruna de Souza Lopes da Silva, 20 anos, que trocou a rotina de dormir de dia e sair à noite por uma vida mais regrada na casa

Do sopão até a fé carcerária

Nas sextas à noite, a comunidade do Reolon serve sopa para centenas de moradores em vulnerabilidade social que jantam com suas famílias Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

As iniciativas solidárias da Assembleia de Deus são ligadas à evangelização, mas principalmente ao resgate da respeito do indivíduo. É por isso que a Capelania Presidiária trabalha para recuperar centenas de presos e tentar apaziguar os ambientes, tentando evitar rebeliões e outros comportamentos agressivos.

A atuação da igreja nas duas penitenciárias de Caxias e no Centro de Atendimento Sócioeducativo (Case) serviu como exemplo para o resto do Estado nos 145 presídios, e à convite do delegado penitenciário Roniewerton Pacheco Fernandes, a intenção é espalhar para todas as outras unidades gaúchas.

 Além das celebrações nas penitenciárias, há atendimento individual, participam de uma escola onde são ensinados valores que vão desde família, comportamento, trabalho, entre outros. As famílias dos apenados em situação de vulnerabilidade recebem cesta básica, medicação e vestimentas, em uma rede de solidariedade e recuperação deste preso.

— Nossa maior conquista é a ressocialização deles, e ver o sentimento que parte deles, de querer ajudar— afirma o coordenador das capelanias da igreja, Edelmar Borges, 41 anos.


Outras ações mostram envolvimento com a comunidade. Nas sextas à noite, a comunidade do Reolon serve sopa para centenas de moradores em vulnerabilidade social que jantam com suas famílias. Em bairros como Santa Fé, Monte Carmelo, entre outros, as escolas dominicais, que ocorrem aos domingos de manhã, servem café da manhã ou almoço para as crianças. 


— Percebemos que a fome que estas crianças têm não se baseiam somente em alimento, mas também nele. Então, trabalhamos a evangelização e alimentamos estas crianças que, geralmente, são de famílias desetruturadas—defende o diretor administrativo da igreja em Caxias, Nelson Dutra.

 
 

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