"Nossa tolerância é zero", diz delegado de Caxias sobre latrocínios - Geral - Pioneiro

Roubo com morte16/11/2016 | 11h12Atualizada em 16/11/2016 | 11h12

"Nossa tolerância é zero", diz delegado de Caxias sobre latrocínios

Desde julho de 2014, foram registrados 17 casos na cidade e 14 vítimas teriam esboçado algum tipo de reação

"Nossa tolerância é zero", diz delegado de Caxias sobre latrocínios Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Números mostram que ladrões atiram diante de qualquer movimento das vítimas Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O histórico comprova que reagir mesmo sem intenção durante assaltos pode ser fatal. Dos 17 latrocínios (roubos com morte) em Caxias do Sul desde 2014, 14 casos tiveram o desfecho trágico apenas porque o refém fez algum movimento brusco que foi interpretado como "provocação" ou porque a vítima decidiu fugir ou lutar contra bandidos. Os quatro assaltantes mortos por civis neste ano seriam uma exceção num ciclo onde o cidadão só tem desvantagem.

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Cinco das vítimas de latrocínio desde 2014 eram vigilantes. A lista ainda inclui um policial militar, que fazia segurança de uma pizzaria e uma servidora do Instituto Geral de Perícias (IGP). Ou seja, mesmo para quem está armado e treinado, enfrentar bandidos quase sempre tem um resultado desfavorável.

— O elemento surpresa está a favor do assaltante, o que deixa o sucesso de uma reação por parte da vítima bastante limitado. Mesmo policiais treinados precisam avaliar muito bem a situação. A BM sempre orienta que o mais importante é preservar a vida — aconselha o major Jorge Emerson Ribas, comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar.

Outro fator que preocupa é a mudança no perfil dos criminosos, cada vez mais inconsequentes. O "amadorismo" pode ter vitimado o florista Fernando Osvaldo Weber, 43 anos, no início do mês. As imagens do crime mostram que o Nissan Tiida do empresário ainda estava em movimento quando os bandidos atacaram. Em depoimento, o autor do crime, Jones Martins da Fonseca, 23, alegou que o tiro foi acidental: alega que bateu com a arma no vidro do motorista e ocorreu o disparo. É esse "despreparo" dos bandidos mais jovens que serve de alerta para a população. 

— Antigamente havia um razoável grau de consciência da gravidade (do fato) por parte de criminosos. A inconsequência, temperada com o consumo de drogas, parecer ter eliminado esse freio. Já não se observa nenhum receio da pena alta do latrocínio (20 a 30 anos). O comportamento mais cruel resulta em agressões sem motivo — aponta o delegado Mário Mombach, titular da Delegacia de Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec).

Dicas

:: Os ladrões se valem de nossos momentos de descuido. Em caso de assalto, não reaja.
:: Mesmo que você tenha curso de tiro, o ladrão sempre vai estar mais preparado do que você.
:: Evite movimentos bruscos durante os ataques, pois os criminosos podem entender que você vai tentar uma reação.
:: Adote medidas de segurança.
:: Observe a movimentação de suspeitos perto de sua casa ou empresa.
:: No trânsito, observe se não está sendo seguido.
:: Evite guardar muito dinheiro na empresa ou em casa.
:: Ao ser vítima de assalto ou qualquer outro tipo de crime, acione a Brigada Militar e registre a ocorrência.

`O treinamento é para repelir ações impulsivas¿, diz instrutor

Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O avanço da criminalidade faz com que cada vez mais pessoas busquem algum tipo de preparo ou proteção para um eventual confronto com assaltantes. Mesmo sem divulgar números, o movimento na Casa das Armas quadruplicou desde 2014. O interesse está maior, porém, a venda de armas esbarra na legislação.

— A crise potencializa o sentimento de insegurança. A violência está batendo na porta de todo mundo e estão todos convencidos que precisam fazer algo. Também há muita procura de quem foi vítima de algum caso recente. Nossa primeira tarefa é fazer essa pessoa distinguir o ímpeto de fazer justiça e a legítima defesa — explica o instrutor de tiro Gustavo Cassina.

Por outro lado, os cursos de tiro estão com turmas extras. São pessoas que querem estar preparadas para qualquer situação, segundo Cassina.

— Sou contra o senso comum da não reação. Não é dizer para enfrentar qualquer bandido. É a capacidade de manter a calma e avaliar os riscos. O que faz toda a diferença no sucesso de uma ação de defesa é o preparo psicológico — opina.

O especialista sugere muito treinamento e o desenvolvimento de uma arte marcial. Outro ponto chave é o estado de alerta.

— Nenhum bandido surge do nada. O que acontece é as pessoas estarem distraídas. É preciso ter extrema atenção ao que acontece a nossa volta quando estamos na rua. O treinamento é para repelir ações impulsivas — complementa.

Para Cassina, a defesa pessoal é saber que reagir num assalto é assumir riscos, inclusive de provocar uma tragédia. Por isso, a regra é manter a calma e avaliar toda a situação.

— Ele só quer levar bens materiais? Deixe. Uma coisa é a opção de colocar a minha vida em risco. Outra é expor mais pessoas. Tudo é discernimento.

 
 

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