Estradas do interior de Caxias do Sul ainda sofrem efeitos da enxurrada - Geral - Pioneiro

Infraestrutura24/11/2016 | 08h07Atualizada em 24/11/2016 | 08h07

Estradas do interior de Caxias do Sul ainda sofrem efeitos da enxurrada

Na rodovia que liga os distritos de Vila Cristina e Santa Lúcia do Piaí, cratera corroeu parte da pista, levando árvores e destroços para dentro do Rio Caí

Estradas do interior de Caxias do Sul ainda sofrem efeitos da enxurrada Porthus Junior/Agencia RBS
O agricultor João Daniel Leoni lembra que no local onde está a cratera havia muitas árvores e um carreiro usado por ele e pelos vizinhos para descer até o rio para pescar. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Quase 40 dias após a forte enxurrada que destruiu rodovias, pontes e bloqueou a ligação da Serra Gaúcha com a região das Hortênsias via BR-116, estradas do interior de Caxias do Sul ainda não estão totalmente reparadas. A situação tende a se complicar porque agricultores precisam escoar a safra de frutas, como pêssego, por exemplo, e, em breve, deve começar a colheita da uva.

Um dos problemas mais graves está na localidade de Linha Sebastopol, no distrito de Vila Cristina: há uma cratera na Estrada da Produção, que liga o distrito a Santa Lúcia do Piaí. O deslizamento de terra deixou um buraco com mais de 10 metros de profundidade na beira do Rio Caí  e levou metade da pista, obrigando os motoristas a trocar de mão para atravessar. Dois cavaletes, três cones e um amontoado de pedras fazem a sinalização do trecho. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, há outros dois trechos com deslizamentos, um deles a pouco mais de 200 metros da cratera. 

A agricultora Nair Finn, que tem uma agroindústria distante 2,3 quilômetros do buraco, está preocupada com a situação. Diariamente, o marido e os dois filhos dela, que levam produtos para feiras do produtor, para o Ceasa e entregam hortifrutigranjeiros em escolas de Caxias, passam pelo local de caminhão. 

— É perigoso e muita gente não sabe que tem aquela cratera ali. Se vier outra chuva, a situação tende a piorar. Depois, vai ficar ainda mais difícil para fazer o conserto — comenta.

O agricultor João Daniel Leoni, 50, lembra do dia em que ocorreu o desmoronamento. 

_ Moro aqui há oito anos e nunca tinha visto tanta água descendo e passando sobre a estrada. Tinha até peixes que escaparam de açudes lá em cima do morro _ lembra. 

No ponto da cratera, conforme Leoni, havia muitas árvores e um carreiro usado por ele e pelos vizinhos para descer até o rio, onde costumavam pescar. 

— Acho que a cratera parou de crescer porque não choveu mais. Mas é preciso dar um jeito logo na estrada porque o pessoal desce por aqui para levar a produção — analisa.

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A Estrada da Produção, no entanto, ainda não está toda pavimentada: falta um trecho de aproximadamente 16 quilômetros até Santa Lúcia, que deve ser asfaltado pelo Programa de Asfaltamento do Interior (PAI 3) assim que a prefeitura conseguir a liberação de um financiamento  junto à Corporação Andina de Fomento (CAF).

Quando estiver pronta, a via permitirá a saída de hortifrutigranjeiros pela BR-116 direto em São Sebastião do Caí, ao invés de sair pela Rota do Sol, via Fazenda Souza, como é feito atualmente. Junto com Vila Oliva e Fazenda Souza, Santa Lúcia do Piaí concentra cerca de 70% de todos os hortifrutigranjeiros produzidos em Caxias. 

A cerca de 200 metros da cratera, outro ponto da Estrada da Produção está começando a desmoronar Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Conserto deve ficar para meados de dezembro

O subprefeito de Vila Cristina, Carlos Ramon, adianta que, apesar de o estrago ser grande, a cratera na Estrada da Produção não ofereceria risco: 

— O engenheiro disse que o deslizamento estabilizou. Além disso, o trecho é curto e está sinalizado. Todos que moram ali na comunidade e utilizam a estrada já estão cientes do estrago.

Além dessa obra, estão sendo concluídos os reparos na ponte da Estrada 119 (Estrada Velha de Nova Palmira), nas proximidades da Igreja São Rafael. Ele acrescenta ainda que no momento as estradas do distrito estão sendo patroladas para ficarem em condições após os estragos da enxurrada, com ênfase na região da Estrada da Uva e Cerro da Glória, o que permitirá desafogar a produção vitivinícola do município.

O diretor executivo da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos, Norberto Luiz Soletti, estima que os reparos nos três pontos da estrada devam começar na metade de dezembro. De acordo com ele, será preciso fazer uma escavação na lateral, perfurar a rocha para a instalação de blocos de concreto, chamados de palitos, que ajudarão fazer a contenção do barranco junto com tirantes e vigas de amarramento.

A obra, conforme Soletti, ainda depende de licenciamento ambiental, a ser expedido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma). Isso  porque será necessário derrubar parte da vegetação. O levantamento dos custos e a previsão de duração do serviço ainda estão sendo calculados pelos engenheiros da pasta. 

Além da rodovia em Linha Sebastopol, Soletti acrescenta que há outras duas estradas que aguardam obras no interior: a da comunidade Menino Deus, entre Caxias do Sul e Farroupilha, que aguarda a remoção de entulhos e pedras e limpeza de bueiros, e a Estrada Santa Terezinha, junto à ponte da Semapa. 

— Lá, a ponte tem uma laje de concreto sobre bueiros. Estes ficaram entupidos com entulhos e a água não tem por onde escoar. Precisaremos entrar no arroio e tirar parte da vegetação para trabalhar. No entanto, para essa obra, precisamos também de licença ambiental da Fepam (emitida pelo Estado), além da licença da Semma — explica Soletti.

A secretaria de Obras não tem um cálculo exato do prejuízo para os cofres do município com os estragos nas estradas do interior, já que os reparos foram executados com máquinas e servidores próprios.

 
 

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