Alimentação é a peça-chave na luta contra o diabetes - Geral - Pioneiro

Saúde14/11/2016 | 09h01Atualizada em 14/11/2016 | 09h01

Alimentação é a peça-chave na luta contra o diabetes

No dia mundial de prevenção e conscientização sobre a doença, reportagem mostra que, com alguns cuidados, é possível levar uma vida normal

Alimentação é a peça-chave na luta contra o diabetes Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Marcela diz que não deixou de comer o que gosta, mas tudo precisa ser diet Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Marcela Borghetti Fugazza tinha quase 11 anos quando começou a ficar desanimada e levantar muitas vezes durante a noite para beber água e ir ao banheiro. Preocupados, os pais Juarez e Andreia decidiram fazer um exame de sangue para saber se a menina tinha algum problema de saúde. O resultado da glicemia surpreendeu o casal, que levou a filha imediatamente ao hospital. Após um novo teste, ela teve que ser internada às pressas porque os números eram ainda mais assustadores. O diagnóstico apontou que Marcela tinha diabetes, uma doença crônica com a qual precisaria aprender a viver para sempre.

— No primeiro momento, a gente pensou no pior porque não tínhamos informação sobre a doença. Achávamos que a solução para o diabetes era tomar um remédio e estava bom — conta a mãe.

Na prática, após buscar todo tipo de informação sobre o diabetes, a família percebeu que o tratamento exigia mais. Os pais precisaram aprender a ser enfermeiros para conseguir aplicar a insulina na menina, que ainda não o fazia sozinha. Hoje, aos 13 anos, ela já faz o teste de glicemia e a aplicação do hormônio diariamente sem precisar de ajuda. A principal mudança ocorreu na rotina da família, principalmente por causa da alimentação de Marcela.

Os pais decidiram mudar a dieta de toda a família para incentivar a menina e fazer com que ela não se sinta excluída. Tudo aquilo que é massa, é feito com ingredientes integrais. Os doces são todos diets, específicos para a adolescente. Os lanches fora de casa quase não existem mais, assim como os condimentos prontos para tempero. Eles contam que, desde o início, Marcela entendeu que o tratamento era importante, mas com a rebeldia da adolescência, ela tem comido algumas coisas que não pode.

— Todo mundo diz que ter filho adolescente é difícil, mas ter filho adolescente diabético é ainda mais — brinca o pai.

Apesar das mudanças, a família concorda que é possível o diabético ter uma vida normal. O importante é seguir o tratamento para evitar complicações e ter uma vida tranquila e saudável também durante a vida adulta. Segundo a mãe, o diabético tem a alimentação que todo mundo deveria ter, com comidas saudáveis e sem exageros em refrigerantes, bebidas e gorduras.

— Eu achava que não poderia comer mais doce, mas eu continuo comendo. Eu me acostumei e como tudo que eu gosto, mas tem que ser diet. Eu acho ainda melhor — conta Marcela.

Segredo é não tratar diabetes como uma doença

O arquiteto Fábio Pinnow Piccinini descobriu que tem diabetes quando tinha 11 anos. Ele fez um exame de sangue que apontou o diagnóstico após ter sintomas muito parecidos com os de Marcela, como a necessidade constante de beber água e ir ao banheiro, além de um emagrecimento preocupante. Hoje, aos 33 anos, leva uma vida normal, como qualquer outra pessoa. Segundo ele, o segredo está no modo como lidar com o diabetes.

— O conselho é não encarar como uma doença, mas como uma condição física diferenciada. A partir do momento em que você encara o diabetes como uma doença, ela só te traz coisas negativas. Agora, se você levar como uma condição diferenciada, é algo que você pode contornar e viver uma vida normal — defende.

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Além disso, ele aconselha os diabéticos a terem muito cuidado com a alimentação e os exercícios físicos regulares, que vão proporcionar uma vida saudável e muito próxima da que tem uma pessoa sem diabetes.

Desde o diagnóstico, Fábio precisou mudar a alimentação, como o corte dos doces, e começar a rotina de aplicação de insulina. Atualmente, ele realiza um tratamento por contagem de carboidratos e usa um aparelho conectado a ele durante quase 24 horas por dia, fazendo a gestão da glicemia. Por meio da aplicação da insulina e de leitura dos índices, Fábio é avisado pelo aparelho quando a glicemia aumenta ou baixa demais.

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— Hoje em dia, o controle é bem melhor por causa das tecnologias, informação e disponibilidade de alimentos sem açúcar. Na época em que descobri a diabetes, às vezes eu ganhava de presente de aniversário garrafas de refrigerantes dietéticos porque era difícil de encontrar. Agora, você encontra em qualquer lugar — recorda.

Dia Mundial do Diabetes

O Dia Mundial do Diabetes ocorre nesta segunda-feira e foi criado em 1991 pela Federação Internacional do Diabetes (IDF, na sigla em inglês) em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em resposta às preocupações sobre o crescimento da doença no mundo. A data tornou-se oficial pela ONU a partir de 2007. Azul é a cor da bandeira da Organização das Nações Unidas. O dia 14 de novembro foi escolhido por marcar o aniversário de Frederick Banting, que, junto com Charles Best, descobriu a insulina em 1921.

— Neste ano, o slogan da campanha é De olho no diabetes porque é uma doença invisível e uma epidemia silenciosa. Hoje, 50% dos pacientes diabéticos não sabem que têm a doença porque a pessoa não vê e não sente o diabetes — explica o endocrinologista Luiz Antônio de Araújo.

No Brasil, a campanha Novembro Azul do Dia Mundial do Diabetes é organizada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) desde 2007. Em Joinville, o Centro Endoville elaborou uma série de atividades durante o mês de novembro, coordenado pelo Dr. Araújo, que também é diretor da SBD.

Atividades:

  • Aferição e impressão do histórico do glicosímetro (monitoramento domiciliar).
  • Exame de glicemia e de HbA1c (avalia e controle de três meses da doença).
  • Captação e destinação de material contaminado (agulhas, seringas, fitas etc.).
  • Distribuição de fôlderes.

Agendamento:

Pode ser feito pelo telefone 3028-3001, sem ônus para o paciente (até dez pacientes por dia útil — de 1º a 30 de novembro).
Local: rua Dr. Plácido Gomes, 610, conjunto 301 (ao lado da Maternidade Darcy Vargas).

NÚMEROS:

No mundo:

  • Um em cada dois pacientes não é diagnosticado.
  • Um em cada sete partos apresenta diabetes gestacional.
  • 540 mil crianças e adolescentes com diabetes tipo 1.
  • 415 milhões de diabéticos tipo 2. Em 2040, serão 642 milhões (aumento de 35%).

No Brasil:

  • 14,9 milhões de diabéticos. Em 2040, serão 23 milhões (quarto colocado no mundo).
  • 11 milhões de pré-diabéticos (quinto colocado no mundo).
  • Representa um custo de 12% do total gasto com a saúde. Em 2040, serão 19%.
  • Apenas 50% dos paciente têm acesso ao tratamento com endocrinologista (destes, 74% não estão nas metas de controle no Brasil).
  • É a maior causa de cegueira adquirida.
  • 30% dos pacientes em tratamento com diálise.
  • 30% dos pacientes internados em unidade coronariana.
  • 70% das amputações não traumáticas.
  • Redução de dez anos de vida.

Fontes: Federação Internacional do Diabetes e Sociedade Brasileira de Diabetes.

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