Mansueto Bernardi e a Casa da Moeda - Geral - Pioneiro

Memória05/10/2016 | 06h03Atualizada em 05/10/2016 | 06h03

Mansueto Bernardi e a Casa da Moeda

Antigo morador de Veranópolis, imigrante italiano foi diretor do órgão entre 1931 e 1938

Mansueto Bernardi e a Casa da Moeda Reprodução/Divulgação
Mansueto Bernardi (C) junto ao técnicos de laboratório Rondolpo R. Bhering, Luiz da Rocha Lassaurs, Adalberto de Andrade, Galdino Lima da Silva, Geraldo Cabral e Jaci Barroz de Mello Foto: Reprodução / Divulgação

O italiano Mansueto Bernardi, cujo museu Vila Bernardi é uma das atrações turísticas de Veranópolis, evidenciou-se por diversas contribuições nos universos literário, político e educacional — e suas articulações resultaram em profundas mudanças no Brasil. Por ser um dos integrantes da Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, Bernardi ganhou respeito e confiança ao desempenhar a função de chefe da comunicação. Uma vez instalado o Governo Provisório da República, Vargas nomeou o amigo como diretor da Casa da Moeda. 

Entre 1931 e 1938, Bernardi constatou as deficiências do órgão e propôs diversas inovações. No plano externo, por exemplo, dedicou estudos e apreciações técnicas para implantar a mudança da moeda de mi réis para o cruzeiro, considerando que a nomenclatura monetária representava resquícios de sujeição ao Reino de Portugal. 

O projeto de mudança teve apreciação favorável de Osvaldo Aranha, então ministro da Fazenda. A partir daí, os esforços dedicaram atenção especial na substituição, o que exigia investimentos para a impressão das novas cédulas, bem como reforma da Casa da Moeda para atender a produção do grande volume exigido. 

Todo este trabalho durou 10 anos, sendo concluído somente em 1942, quando foi adotado o novo padrão monetário. Na foto acima, de 1933,  percebe-se Mansueto Bernardi (C) junto ao técnicos de laboratório Rondolpo R. Bhering, Luiz da Rocha Lassaurs, Adalberto de Andrade, Galdino Lima da Silva, Geraldo Cabral e Jaci Barros de Mello.

 Mansueto ( ao centro de terno), acompanhou a visita de um representante do Ministério da Fazenda (D) ao laboratório, em 1933 Foto: Reprodução / Divulgação

Uma visita ao laboratório

A produção de moedas metálicas e cédulas exigiu da Casa da Moeda um corpo técnico de laboratoristas de elevado conhecimento acerca dos materiais. Um laboratório com equipamentos modernos dava suporte para a realização de testes em tintas, metais e celulose. Já no âmbito mais artístico, havia profissionais para desenhar, modelar, gravar e cunhar as moedas.

Em 1937, moedas brasileiras foram premiadas na Exposição Universal de Paris. Entre os medalhistas da época destacavam-se Leopoldo Campos, Calmon Barreto e Walter Toledo. Na imagem acima, Mansueto (ao centro, de terno), acompanhou a visita de um  representante do Ministério da Fazenda (à direita) ao laboratório, em 1933. 

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A obra revela como a produção de moedas e cédulas exige estudos criteriosos, científicos e artísticos Foto: reprodução / Agencia RBS

O livro "Estudos Monetários"

Mansueto Bernardi dirigiu a Casa da Moeda com paixão. Sua afinidade com a função originou-se por volta de 1909, quando ele passou no concurso público para o Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul. Após deixar o órgão, em 1938, escreveu o livro Estudos Monetários, cujo conteúdo revela como a produção de moedas e cédulas exige estudos criteriosos, científicos e artísticos.

No capítulo "Um punhado de alvitres e observações", destaca-se a discussão técnica do metal, em que as variações químicas, purezas e combinações com outras ligas possuem efeitos para evitar a evasão para o Exterior e a falsificação. Alerta ainda para as reservas de níquel, cujo disponibilidade interfere na decisão de escolher uma determinada matéria-prima para desencadear a produção e suprir as demandas do mercado.  

O casarão, mantido pelo filho Marco Antonio Bernardi, preserva documentos, fotografias e cerca de seis mil livros Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O casarão

A trajetória de Mansueto Bernardi (1888-1966) é ricamente evidenciada na Vila Bernardi, em Veranópolis, onde ele morou até falecer. O casarão, dotado de biblioteca, documentos, mobiliário do início do século e vasto acervo fotográfico, recebe visitantes mediante agendamento pelo fone (54) 3441.4658. 

Um busto de Mansueto Bernardi também encontra-se na praça central da cidade.

O casarão encontra-se na Vila Bernardi, onde Mansueto Bernardi morou até falecer, em 1966 Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do repórter fotográfico Roni Rigon.

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