Conheça a história da ginecologista que enfrenta o segundo câncer - Geral - Pioneiro

Outubro Rosa12/10/2016 | 09h06Atualizada em 12/10/2016 | 11h44

Conheça a história da ginecologista que enfrenta o segundo câncer

Confira também a entrevista com o médico mastologista Felipe Sauer, que fala sobre a cirurgia e o tratamento 

Conheça a história da ginecologista que enfrenta o segundo câncer Felipe Nyland/Agencia RBS
A médica Sandra garante que não se sente doente. Pelo contrário, está cheia de projetos. Enfrentar um câncer é um aprendizado diário Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O câncer não escolhe pessoas ou profissões. E os médicos na área não escapam. A ginecologista Sandra Graneto, 55 anos, já detectou dezenas de nódulos nas suas pacientes. Em 30 anos de profissão, centenas de mulheres passaram pelo consultório dela e muitas foram encaminhadas a especialistas com suspeitas da doença.

Aos 48 anos, foi a vez de ela encarar de frente os dois nódulos que apareceram na mama esquerda.

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— A primeira pergunta que me fiz após o diagnóstico foi: o que eu deixei de fazer para que isso esteja acontecendo comigo?

A resposta ela teria bem mais tarde, quando começou a mudar seu modo de vida. Retirou toda a mama e os gânglios, fez quimioterapia e voltou ao hospital para colocar a prótese mamária. Voltou a sua rotina, com novos conceitos de vida. Reduziu o estresse, o trabalho e passou a celebrar e vibrar com pequenas coisas. Estava feliz novamente.

O câncer é persistente. Lutar contra ele nem sempre é garantia de vitória. Ele pode se esconder por um tempo, ganhar força e voltar ao combate assim que tiver chance. Há um ano, após terminar o tratamento da mama e que indicava a tão sonhada cura, Sandra precisou renovar suas forças para encará-lo novamente. Desta vez, na coluna. É a chamada metástase – quando o mesmo tipo de câncer invade outros órgãos.

– Me dei conta que as coisas fogem do nosso controle num piscar de olhos — revela.

Não me sinto doente

Mãe de dois filhos, Sandra aprendeu a celebrar a vida com mais frequência. A nova lesão na coluna fez com que mudasse seu tratamento, mas sem cirurgia. A quimioterapia é oral e mensalmente faz um reforço de cálcio sérico chamado Zometa. Os seis comprimidos diários não a impedem de viver intensamente:

— Estou cheia de projetos.

Buscou força na espiritualidade e encarou sua nova fase sem desespero, com muita serenidade.

—Não me sinto doente. E Sandra dá um conselho:

— Fique perto de pessoas que te coloquem "pra cima". Celebre cada pequeno ponto brilhante que a vida oferece. Existem muitos. 

O suporte da família é fundamental no processo

Para Felipe Sauer a prevenção é o melhor arma. A confiança na relação médico/paciente também é fundamental Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

O especialista Felipe Sauer atua na área da mastologia desde 2010 e já lançou cinco livros sobre o assunto. Especializou-se em reconstrução de mamas, quando essas precisam ser retiradas por causa do câncer. Na maioria das vezes, atua nos procedimentos em parceria com o mastologista Ricardo Boff. Enquanto um retira o máximo de músculos para impedir que a doença volte, Sauer tenta assegurar que sobre material e pele suficientes para colocar a prótese mamária e deixar a paciente esteticamente satisfeita. Nesta entrevista, o médico fala, entre outros assuntos, da importância do diagnóstico precoce do câncer.

Pioneiro: O diagnóstico precoce ainda é a melhor arma para a redução da mortalidade por esta doença? Por quê?

Felipe Sauer: Sim. Por meio da realização dos exames de rotina adequados a cada paciente podemos diagnosticar a doença em seu estágio inicial, possibilitando maior chance de cura, tratamentos menos agressivos e melhores resultados estéticos. Por estágio inicial, nos referimos às lesões chamadas de microcalcificações (lesões não nodulares só percebidas através da mamografia) e os nódulos menores que 1 centímetro.

Estatísticas mostram um número cada vez maior de câncer de mama em mulheres jovens. Há uma causa para isso acontecer?

O número de casos de câncer de mama vem aumentando em todas as faixas etárias. Podemos explicar esse fato por meio das políticas e campanhas de rastreamento que vêm sendo implementadas, propiciando uma elevação do número de casos subclínicos (aqueles que não são percebidos pela paciente e somente são diagnosticados através de exames de imagem – mamografia ou ecografia mamária). Porém, se levarmos em conta a faixa etária mais jovem, essa elevação se deve, possivelmente, a uma combinação de fatores genéticos e de hábitos de vida.

Qual a parte mais difícil do tratamento? Dar a notícia, fazer a cirurgia...?

Todo o tratamento requer atenção por parte do profissional, desde o momento do diagnóstico inicial. Cada fase demanda esforço de ambas as partes sempre visando o melhor resultado para o paciente. Qual o paciente mais difícil de tratar? Não acho que exista uma pessoa mais ou menos difícil de ser tratada, desde que seja estabelecida, desde o primeiro momento, uma relação médico/paciente adequada. A confiança no profissional que está cuidando do caso é necessária e de extrema importância.

 Qual a importância do apoio da família no tratamento?

O suporte familiar é fundamental desde o diagnóstico. Tanto para a pessoa acometida pela doença, quanto para a própria família, que tem a chance de melhor compreender a doença e o momento pelo qual todos estão passando. Isso acarretará mudanças no ambiente familiar.

Diagnosticado o câncer, quais suas principais dicas/orientações?

A principal orientação é a de procurar um bom mastologista, que irá, após criteriosa avaliação, orientar sobre a doença e os passos a seguir para o tratamento adequado. Os cinco principais fatores de risco para o câncer de mama? O sexo feminino, a idade, o histórico pessoal e familiar, a raça e os hábitos de vida (principalmente alimentação e atividade física).

 
 

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