Campos da Serra, em Caxias do Sul, luta contra a violência - Geral - Pioneiro

Eu quero a paz17/10/2016 | 11h00Atualizada em 17/10/2016 | 12h58

Campos da Serra, em Caxias do Sul, luta contra a violência

Moradoras voluntárias são personagens da série de reportagens sobre a paz

Campos da Serra, em Caxias do Sul, luta contra a violência Roni Rigon/Agencia RBS
No Campos da Serra, o desafio é implantar uma cultura de paz  Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Viver em comunidade requer mais do que manter a boa vizinhança, é preciso diálogo. Quando essas regras são deixadas de lado, pequenos conflitos podem se transformar em atos de violência. No Campos da Serra, maior loteamento popular de Caxias do Sul, onde residem cerca de 1.560 famílias, o desafio é implantar uma cultura de paz e resgatar a autoestima das famílias.

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A imagem de quem vive naquela comunidade ficou manchada ao longo dos anos: foram diversas ocorrências de tráfico de drogas, invasões, vandalismo e crimes contra a vida. Em 21 de junho, uma discussão banal tirou a vida de Paulinho Adriano de Barros, 37 anos. Ele foi morto a tiros pelo vizinho Guilherme Gomes Pinto, 24, por causa de pedras colocadas para reduzir a velocidade dos carros na Rua Gessi Laurente Prates. Guilherme exigiu a retirada dos objetos e brigou com Paulinho. Em depoimento na Polícia Civil, Guilherme alegou ter atirado em legítima defesa. Foi por esse e outros motivos que um grupo de seis moradores, de diferentes blocos, decidiram se unir em busca de um bem maior: a paz. 

Diante de tantos casos delicados, líderes e famílias perceberam que a comunidade só pode avançar se o diálogo for difundido de porta em porta. Construído em uma parceria entre a prefeitura e o programa Minha Casa, Minha Vida, o loteamento abriga pessoas das mais diferentes realidades e formação familiar. Para ser possível conviver de forma saudável, neste primeiro momento, o grupo está estimulando a boa e velha conversa. A humanização e integração de moradores dos condomínios populares é um dos objetivos do programa Caxias da Paz, que adota conceitos da Justiça Restaurativa.

— Não me conformo de ser somente a ovelha negra, eu calcei meus sapatos e parti para a ação. Estou aqui para servir, tenho o desejo e a disposição de promover a paz. Aqui é a nossa casa e movimentos capazes de evitar qualquer prática violenta eram necessários — afirma Fayni Carneiro Leite, 29, moradora do Campos da Serra há quase cinco anos. 

Além dela, outras pessoas atenderam ao chamado do programa Voluntários da Paz: Joice Borges, 30, Angelita Ribeiro da Silva, 30, e Vania Regina Pezzi dos Santos, 39, e mais dois moradores estão habilitados para atuar na mediação de conflitos de forma não-punitiva, onde facilitam o diálogo e a integração entre os vizinhos.

— Ninguém é obrigado a participar do círculos de conversa, mas todos são bem-vindos para que seja possível formarmos uma corrente do bem. É óbvio que os problemas que ocorrem aqui também são encontrados em outros grandes loteamentos, mas se ninguém fizer nada, o caos toma conta — diz Vania, que é uma das mais antigas moradoras do loteamento. 

O direito à palavra é o princípio mais utilizado pelas voluntárias. Segundo elas, os conflitos ocorrem porque muita gente não dialoga, não se abre com os outros. Conforme as pessoas vão contando as suas histórias, aqueles problemas vão ficando tão pequenos que acabam aproximando os envolvidos. 

— Os círculos de paz são encontros com início, meio e fim. A gente sabe para onde quer caminhar e temos um foco específico: evitar que conflitos internos se transformem em atos violentos — completa Joice. 

Aos poucos, a realidade do Campos da Serra vai sendo alterada através dessas rodas de conversa. Mas o caminho é longo.

— A gente trabalha com a lógica da corresponsabilidade. Não adianta apenas punir sem que isso gere uma mudança de comportamento. Nosso maior papel é conscientizar que a paz é o melhor caminho a seguir, independente do cenário – conclui Fayni.

CORRENTE DO BEM

No próximo sábado, dia 22, o jornalista e ator Gabriel Zeni de Oliveira promove o evento Cientista da Paz. O encontro é destinado à crianças de seis a 12 anos, como uma forma de conscientizar sobre a importância da paz em todas as relações. A atividade custa R$ 30. Mais informações pelo telefone (54) 3021.0783.

 
 

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