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Memória12/09/2016 | 06h46Atualizada em 12/09/2016 | 11h19

Chico Jardineiro: a trajetória de Francisco Maldonado Rodrigues

Durante 35 anos, imigrante espanhol prestou os mais diversos serviços de jardinagem nas praças de Caxias do Sul

Chico Jardineiro: a trajetória de Francisco Maldonado Rodrigues Acervo pessoal de Miriam Geremia/Divulgação
Francisco Maldonado Rodrigues (à esquerda) e o amigo Luiz Spiandorello, chefe do setor de calçamento da prefeitura, por volta de 1945 Foto: Acervo pessoal de Miriam Geremia / Divulgação

Anônimos ou não, diversos personagens de Caxias do Sul tiveram sua trajetória atrelada ao paisagismo e à estrutura da Praça Dante Alighieri: o secretário de obras na gestão do prefeito Dante Marcucci, José Ariodante Mattana (1907-2000); o engenheiro agrônomo José Zugno (1924-2008), titular da antiga Diretoria de Fomento Agrícola e Assistência Rural; o jardineiro Manoel Martins (1921-1992), responsável pelos roseirais do antigo Horto Municipal (que abastecia os canteiros da praça); e o imigrante lusitano José Barbosa de Oliveira (1908-1991), "mestre" do calçamento de pedras portuguesas – todos já abordados neste espaço. 

Agora é a vez de recordarmos de Francisco Maldonado Rodrigues, profissional que, durante 35 anos, prestou os mais diversos serviços de jardinagem ao município. Toda essa história iniciou ainda do outro lado do oceano. Nascido em 20 de novembro de 1896, em Granada, região da Andaluzia, na Espanha, Francisco Maldonado Rodrigues, o Chico Jardineiro, emigrou para o Brasil em 1910, acompanhado dos pais, Antônio Maldonado Perez e Ramona Maldonado Rodriguez, e dos irmãos.

Segundo informações da família, com apenas 14 anos, o jovem foi recebido na Hospedaria de Imigrante Ilha das Flores, no Rio de Janeiro – mantido pelo governo, o estabelecimento abrigava os imigrantes por um curto período, até que pudessem tomar um rumo. Pouco tempo depois, Chico mudou-se para Porto Alegre, onde, em 1922, casou-se com a também imigrante hispânica Ignacia Menacho Rodrigues.

Em 1926, o casal e os filhos Anna, Antônio e Noemia, nascidos na Capital, migraram para Caxias do Sul, onde o espanhol foi admitido pelo então intendente Celeste Gobbato como jardineiro do município. Porém, ele só foi efetivado como funcionário público em 1945, por meio de um decreto assinado pelo prefeito Dante Marcucci, gestor entre 1935 e 1947.

Na época, a prefeitura pretendia remodelar as praças da cidade, em especial a Dante, visando dar-lhe uma aparência europeia, com canteiros artísticos, amplos e harmonicamente floridos. Exatamente a especialidade de Chico Jardineiro...

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Francisco Maldonado Rodrigues (sentado ao centro) e parte dos filhos e netos em meados dos anos 1950. Foto: Acervo de Miriam Talma Geremia / Divulgação

A família e a chácara

Estabelecidos em Caxias do Sul, Francisco e Ignacia tiveram outros nove descendentes: Jurema, Afonso, Francisco, Ari, Armindo, Lucia, Therezinha, Carlos e Pedro. O casal e sua numerosa prole moravam na área conhecida como "chácara da prefeitura", terreno que estendia-se desde a Rua Marquês do Herval (região da sede campestre do Clube Juvenil) até a Visconde de Pelotas, nas imediações do INSS.

Era lá que Chico Jardineiro cultivava flores, frutas e verduras. Conforme recorda a neta Miriam Geremia, o avô dedicava-se com afinco às rosas: mantinha um viveiro, onde fazia enxertos nas várias espécies cultivadas.

– As rosas pareciam repolhos, de tão grandes – detalha Miriam.

Posteriormente, elas eram transportadas para os jardins da Praça Dante.

– Talvez ainda tenha alguma espécie perdida por lá – revela a neta, completando que ela e a irmã Maurem tinham de pedir licença para colher as flores do avô.

– Ele nos ensinava como cortá-las para não macular a roseira – conta.

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Na imagem acima, parte da família nos anos 1950. Da esquerda para direita, atrás, vemos as filhas Anna e Noemia, o pai Francisco, a tia Dolores (irmã de Francisco) e uma mulher desconhecida. Agachados estão os filhos Therezinha, Lúcia e Francisco Filho e os netos Elizabeth e Roberto. 

Na foto abaixo, o casamento da filha Therezinha com Ivo Dick em 1957. Da esquerda para a direita, em pé, vemos José Carlos Dick, Carlos Maldonado Rodrigues, Francisco Maldonado Rodrigues Filho, Miracy e Antônio Maldonado Rodrigues, Pedro Maldonado, Armindo Maldonado Rodrigues e Noemia Maldonado Rodrigues. Sentados, o patriarca Francisco Maldonado Rodrigues, o casal Therezinha e Ivo, a segunda esposa de Francisco, Isella Corso Rodrigues, e Olímpio Dartora.

O casamento da filha Therezinha com Ivo Dick em 1957, com o casal Francisco Maldonado Rodrigues e Isella Corso ladeando os noivos. Foto: Ary Pastori / acervo pessoal de Miriam Talma Geremia

Segundas núpcias

Em 1950, Francisco ficou viúvo e, no ano seguinte, casou-se com Isella Corso. Dessa união não nasceram filhos. Francisco Maldonado Rodrigues faleceu em 1981, aos 84 anos.

Uma praça 

Uma praça no bairro Cinquentenário leva o nome de Francisco Maldonado Rodrigues. A homenagem surgiu em 1993, via projeto de lei do vereador Pedro Olavo Hoffmann (PDT), e foi aprovada pelo então prefeito Mario David Vanin.

No site da prefeitura, o Parque Cinquentenário, surgido em 1925, por ocasião dos 50 anos de imigração italiana, também aparece citado como Parque Francisco Maldonado Rodrigues. O nome teria sido acrescentado após a última reforma do espaço, em meados dos anos 2000.

Colaboração

Informações desta coluna são uma colaboração de Miriam Talma Geremia, neta de Francisco Maldonado Rodrigues.

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