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Decisão da Justiça20/08/2016 | 15h20Atualizada em 20/08/2016 | 15h27

PMs denunciados por matar jovem e simular tiroteio vão a júri popular em Caxias do Sul

Lucas Raffainer Cousandier teria sido assassinado por policiais militares em fevereiro deste ano, após fugir de patrulhamento

PMs denunciados por matar jovem e simular tiroteio vão a júri popular em Caxias do Sul Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução

Denunciados pelo Ministério Público (MP) em fevereiro por homicídio qualificado, os policiais militares Emerson Luciano Tomazoni, Gabriel Modesti Ceconi e Devilson Enedir Soares vão a júri popular pela morte de Lucas Raffainer Cousandier, 19 anos, ocorrida no dia 5 de fevereiro em Caxias do Sul. Conforme a denúncia, além de matar o jovem por motivo fútil, eles cometeram fraude processual, denunciação caluniosa, abuso de autoridade e porte ilegal de arma.

Ainda não há data para o julgamento, e os PMs seguem presos preventivamente. A defesa deles entrou com pedido para revogação das detenções, mas a juíza Milene Fróes Rodrigues Dal Bó indeferiu a solicitação. Na versão apresentada à polícia, os PMs disseram que faziam, no dia 3 de fevereiro, patrulhamento pela Avenida Itália, no bairro São Pelegrino, quando tentaram abordar um veículo Ford Ka, que teria fugido. Houve, então, de acordo com eles, perseguição e troca de tiros.

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Atingido na cabeça, Cousandier foi encaminhado ao Hospital Pompéia, onde teve morte cerebral dois dias depois. Os outros dois ocupantes do automóvel admitiram que fugiram por medo de multa e prisão, mas garantiram que não portavam armas. Os PMs, então, apresentaram dois revólveres calibre 38 que estariam com os jovens. As armas, porém, não eram das vítimas.

O caso sofreu uma reviravolta dias depois, quando a Brigada Militar localizou o dono de uma das armas. Segundo a investigação da própria corporação, dias antes da perseguição, os policiais teriam invadido a casa de um morador do bairro Planalto Rio Branco, em Caxias, e recolheram um revólver que pertencia ao homem. O sistema GPS da viatura registrou que o carro esteve na moradia durante cerca de 50 minutos, o que confirmou a versão do dono da arma repassada à BM.

Como a arma tinha registro, os investigadores localizaram o dono e descobriram que o revólver havia sido recolhido. A segunda arma apreendida no Ford Ka estava com a numeração raspada. Os depoimentos prestados pelos amigos de Cousandier também pesaram a favor da decisão da Justiça. Eles afirmaram que foram retirados do local da abordagem e ficaram de cabeça abaixada dentro de outra viatura da corporação, que chegou na Perimetral para dar apoio na ocorrência. 

A dupla circulou com esses outros PMs por ruas da cidade. Quando retornaram novamente à Perimetral Sul, os jovens disseram que foram questionados sobre as armas que teriam sido localizadas dentro do Ka. O depoimento de outra testemunha indicou que um policial militar conduziu a viatura envolvida na perseguição até um local afastado e disparou contra o veículo. A intenção era provocar danos na viatura para simular que os PMs haviam sido alvos de disparos por parte dos jovens e agiram em legítima defesa. 

 
 
 

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