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Degradação 18/07/2016 | 08h52Atualizada em 18/07/2016 | 10h17

Avenida Júlio de Castilhos, em Caxias, expõe prostituição, drogadição e assaltos há anos

Prostituição, flanelinhas, ambulantes e drogadição são feridas crônicas

Avenida Júlio de Castilhos, em Caxias, expõe prostituição, drogadição e assaltos há anos Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Prostituição começa logo cedo: a partir das 19h, mulheres e travestis começam a ocupar a Júlio de Castilhos Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

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Há anos, flanelinhas abordam frequentadores de bares e restaurantes no bairro São Pelegrino. Alguns estabelecimentos contrataram seguranças para dar mais tranquilidade aos clientes, o que nem sempre afasta os pedintes.

— Alguns deles (flanelinhas) são agressivos, obrigam os clientes a pagar. Isso tudo na nossa frente — desabafa o proprietário de um tradicional bar da região, que pediu para não se identificar.

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Revitalização

A iluminação na Júlio de Castilhos pode não ser suficiente e contribui para o aumento da sensação de insegurança, o que estimula a criminalidade o uso de drogas. Prevista para ser entregue ainda em março, as obras de revitalização da avenida só devem ser retomadas a partir de agosto, de acordo com o secretário de Obras, Norberto Soletti. O trecho que deve ainda receber atenção fica entre a Marechal Floriano e a Feijó Junior. A revitalização foi interrompida porque o contrato de licitação encerrou, e novo processo de contratação será feito somente em agosto.

— Precisamos remover alguns canteiros das esquinas, trabalhar calçadas e paralelepípedos, além de revisar o que já foi feito — afirma.

Ambulantes

A quantidade de ambulantes que ocupa a Júlio de Castilhos nunca foi tão expressiva como agora. A maior parte deles se concentra do trecho entre a Borges de Medeiros, no Centro, e a Feijó Júnior, em São Pelegrino. Na quadra do Hospital Pompéia, por exemplo, a reportagem contou 25 pontos de venda. Com tantos produtos esparramados pela calçada, fica difícil até para o pedestre transitar.

— Eles invadem as calçadas e acabam até afugentando o público do Centro. Para quem vive das vendas legais, está difícil — reclama a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Analice Carrer.

Vitrines cerradas 

O comércio fecha as portas cada vez mais cedo. Para evitar furtos, as vitrines da maioria das lojas são gradeadas ou protegidas com cortinas de ferro logo ao anoitecer. Desta forma, passeios de fim de tarde ou à noite são cada vez mais raros no eixo central, o que prejudica o próprio comércio e deixa inseguro quem precisa transitar pela avenida, tanto a pé como de carro.

— Por que as lojas não ficam até as 21h? Seria bom para todos nós— defende o líder comunitário do São Pelegrino, Antíoco Sartor.

Assaltos

Estudantes, moradores e frequentadores dos restaurantes do bairro São Pelegrino são os principais alvos de ladrões que agem na Júlio, segundo o capitão Amilton Turra, da Brigada Militar. 

— O ideal seria termos um patrulhamento integral nesta região — avalia o oficial. 

Morador e proprietário de uma loja na Júlio, Saulo Ceolin perdeu quatro celulares em assaltos no trajeto de duas quadras que percorre para chegar até em casa. Tudo isso em menos de um ano. Joias são artigos que dispensa no dia a dia pela insegurança. A loja que Saulo comanda já foi alvo de cinco ataques.

— É tenebroso passar por ali depois das 18h. Investimos em câmeras de segurança, reforçamos a segurança das vitrines também — afirma.

Dormitório sobre calçadas

Em um dos comércios da Júlio, a uma quadra da Praça Dante, os moradores de rua deixam cadeiras, colchões e outros itens instalados já durante todo o dia. À noite, o lugar serve como dormitório, banheiro e espaço para sexo. Esse público busca refúgio na avenida no final do dia. A partir das 18h, os moradores buscam comida nos restos descartados por bares e restaurantes dentro de contêineres. Reviram os lixos, separam os restos e depois seguem para o quarto improvisado na rua. 

— Eles nos dizem "vai com Deus que cuidamos da loja para vocês, dona". De manhã, pegamos mangueira, balde e limpamos. É nossa rotina — desabafa a funcionária de um comércio.

Por volta das 13h de segunda-feira passada, por exemplo, os moradores de rua ainda descansavam sob as marquises da loja.

Praça Dante vazia

A prefeitura emprega melhorias nos bancos e calçadas com frequência, mas a Praça Dante Alighieri não recebe uma grande reforma há pelo menos 12 anos. A prostituição em plena luz do dia, o comércio de ambulantes e a sujeira deixada pelos pombos são problemas apontados há anos pelos moradores do Centro, cenário que desestimula a permanência na praça.

— Ali, entre aquelas árvores, ficam uns caras que vendem droga às vezes — aponta um vizinho da praça.

— Experimenta usar o banheiro da Praça para ver o que encontra. É marginal e prostituta — sugere um taxista que trabalha há 40 anos nos arredores da Dante.A Guarda Municipal, por exemplo, não cria um posto fixo no local porque teme pela segurança do funcionário. A fiscalização, porém, não é a única solução. O consenso é de que é preciso ocupar o lugar com atividades culturais e devolver a praça para sua verdadeira dona, a população da cidade.

Prostituição começa cedo

A Júlio de Castilhos é cenário para prostituição há décadas. O que tem causado desconforto, porém, é o horário em que a cena se instala e a falta de pudor. É possível visualizar mulheres e travestis nas esquinas a partir das 19h _ situação que só ocorria após as 22h. Algumas situações são constrangedoras: na semana passada, uma travesti apenas de calcinha tentava atrair clientes. Os pontos são controlados e demarcados por cafetões, que acompanham o vai e vem dos programas.

— Elas (travestis) estão ali principalmente porque o mercado formal não nos dá espaço. Há relatos de algumas que são agredidas, abusadas. É claro que incomoda os moradores porque ninguém quer uma trans ou um travesti na porta de casa — define Cleonice Araújo, transexual da ONG Construindo Igualdade, de Caxias do Sul.

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